No dia 16 de janeiro de 1957 cinco bombardeiros Boeing B-52B Stratofortress pertencentes 93ª Ala sob comando do SAC (Strategic Air Command – Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos), Bombardment (Heavy) partiram para um voo ininterrupto de 45 horas ao redor do mundo.

Os aviões partiram às 13 horas da Base Aérea de Castle, Califórnia. 45 horas e 19 minutos depois, três B-52 aterrissaram na Base Aérea de March, também na Califórnia, completando um voo de 39.347 km a uma velocidade média de 859 km/h. O B-52 líder (um B-52B-35-BO 53-0394 Lucky Lady III) foi comandado pelo Tenente-Coronel James H. Morris.

Morris tinha sido co-piloto a bordo do Lucky Lady II, um Boeing B-50A Superfortress que voou ao redor do mundo em 1949. Também a bordo do bombardeiro de Morris estava o Major General Archie J. Old Jr., Comandante da 15ª Força Aérea.

Cada B-52 levava uma tripulação de nove homens, incluindo três pilotos e dois navegadores. Foram necessários quatro reabastecimentos aéreos, sendo então missão dos Boeing KC-97 Stratotankers (motor a pistão) prover os B-52 do precioso combustível. Apesar de apenas quatro REVOs, foram necessários mais de 100 KC-97 para colocar no ar a Operação POWER FLITE.

O B-52 La Victoria (numero de cauda 53-0397), comandado pelo Major George Kalebaug, não conseguiu reabastecer em vôo por causa do acúmulo de gelo em seu receptáculo de reabastecimento. O bombardeiro foi então desviado para Goose Bay, Labrador. Um segundo B-52 também teve problemas sobre o norte da África, sendo desviado para uma base aérea na Inglaterra.

O B-52 para poder contatar o KC-97 precisava baixar o trem de pouso, funcionando assim como ‘freio aerodinâmico’
Capacetes dos tripulantes perfilados a frente de suas aeronaves

Todos os 27 tripulantes dos três bombardeiros foram premiados com a distinguished flying cross pelo General Curtis LeMay e a 93ª Ala de Bombardeiros recebeu o Troféu Mackay para “o vôo mais meritório do ano”.

O voo foi dramatizado no filme de 1957 da Warner Bros, “Bombers B-52“, estrelado por Natalie Wood, Karl Malden e Efrem Zimbalist, Jr.

A 93ª Ala de Bombardeiros foi a primeira unidade operacional da Força Aérea a receber o B-52 Stratofortress (um RB-52B 52-8711) em junho de 1955.

Power Flite não foi apenas um voo com o objetivo de estabelecer um recorde, mas sim um voo projetado para provar um ponto muito importante. Usando o reabastecimento em voo para que pudessem permanecer no ar durante toda a jornada, a missão pretendia demonstrar que os Estados Unidos tinham a capacidade de lançar uma bomba nuclear em qualquer parte do globo terrestre.

Depois de um REVO sobre a Arábia Saudita, os aviões seguiram a costa da Índia para o Sri Lanka e fizeram um bombardeio simulado ao sul da Península Malaia antes de seguir para o próximo encontro de reabastecimento aéreo sobre Manila e Guam. Os três aviões continuaram pelo Oceano Pacífico e aterrissaram na Base Aérea de March, perto de Riverside, Califórnia.

O voo foi completado em menos da metade do tempo exigido por Lucky Lady II quando fez a primeira circunavegação ininterrupta em 1949.

Power Flite foi na realidade uma advertência a nações hostis. Um sério recado se essas nações não provocassem os Estados Unidos.


 

5 COMENTÁRIOS

  1. Um pouco de história, parabéns pela matéria, muito interessante!

  2. Olá.
    A "diplomacia" do "Big Stick" em sua mais pura versão. Se os EUA não tivessem sido os vencedores da Segunda Guerra Mundial, a história colocaria Curtis LeMay como sendo um dos maiores genocidas de todos os tempos.
    SDS.

    • A história é escrita pelos vencedores de fato, mas as coisas já tinham descambado no pacífico muito antes dos bombardeios, a mesma tática praticamente já tinha sido usada na Europa também, genocidas mesmo foram Hitler (6-21 milhões) e Stalin (43-100 milhões)

    • Talvez! Mas o fato é que as ideias de Curtis Le May estavam corretas. O maior crítico da estratégia de Le May, Robert McNamara, botou suas ideias em prática durante a operação Rolling Thunder e deu no que deu.

  3. nem precisou disso que os ICBM estariam para ser implantados. foi só marketing bom que virou filme.

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