Com o advento da 5ª Geração de caças e o combate BVR, o “hiato” tecnológico entre os aviões de 4.ª e 5.ª gerações aumentou enormemente, ao ponto que muitas forças aéreas se tornaram forças de transporte, pois com a moderna guerra aérea perderam a capacidade de combater. Haverá um Futuro para as Forças Aéreas que não investirem em tecnologia?

No ultimo dia 16 de março, a FAU (Força Aérea Uruguaia) desativou seus bimotores turboélices IA-58 Pucará. Em setembro de 2016, a FAM (Força Aérea Mexicana) aposentou seus F-5E. Não fosse o fato desses aviões serem “famosos” e tais eventos teriam passado desapercebidos, pois em termos de armas militares atuais, esses aviões não servem para nada. São máquinas velhas, resquícios de um tempo aonde a diferença entre as forças aéreas era medida em números, bem ao contrário de hoje, aonde um moderno avião de combate, como por exemplo o F-15E ou Rafale, equivale por uma dúzia de caças F-5 produzidos em 1974.

Entre a Primeira e a Segunda geração de caças, o ‘gap’ tecnológico entra elas não era tão imenso. A Segunda geração trazia melhorias sobre a Primeira, mas nem sempre essas melhorias eram assim tão boas. Exemplo disso foi o F-104. Após a Guerra da Coreia, os projetistas ouviram dos pilotos que eles queriam mais velocidade e rapidez ascensional. O que receberam? Um foguete com asas e só. O Starfighter manobrava menos que o F-86!

A ultima geração de aviões à pistão da USAF encontra a primeira geração de aviões à jato.

As Forças Aéreas encontraram o seu ponto de equilíbrio na 3.ª Geração. Na década de 1960, o A-37 Dragonfly era operado tanto pela poderosa Força Aérea dos EUA quanto pela Força Aérea Uruguaia e pela Força Aérea Boliviana. O avião, em que pese ser bom ou não, o A-37 da USAF estava em pé de igualdade contra o A-37 da FAU ou da FABol, o que os diferenciava era como eram voados.

A guerra indo-paquistanesa, os conflitos da África do Sul com seus vizinhos, a Guerra dos Seis Dias, Vietnã, Yom Kippur e Falklands, foram todas travadas entre Forças Aéreas em pé de igualdade, tendo um ou outro detalhe, como a capacidade de ter um AAM ou um treinamento melhor, que as diferenciava no campo de batalha, pois em suma, as máquinas se equivaliam.

Quando a Quarta Geração chegou, marcou o início do ‘gap’ tecnológico entre as forças aéreas. De repente, ter e manter um F-15 ou F-14 só era possível para quem pudesse pagar. Os britânicos elogiaram e testaram o F-15, no entanto não tiveram orçamento para adquirir e manter os aviões. Ou compravam o modelo americano ou desistiam do Panavia Tornado. E o resultado, já conhecemos.

Conforme a tecnologia foi sendo refinada – e custando cada vez mais – o gap foi aumentando. Com a 4ª Geração e, suas constantes atualizações, um caça poderia fazer o trabalho que vários teriam de fazer. Enquanto um F-15 subia aos céus armado com 4 mísseis AIM-9 Sidewinder e 4 mísseis AIM-7 Sparrow e um radar capaz de localizar os oponentes a centenas de quilômetros, forças aéreas dotadas de F-5E teriam que colocar quantos no ar para contrapor um Eagle?

Foi o que aconteceu em 1991 durante a Guerra do Golfo. A Força Aérea Iraquiana era formidável, mas incapaz de lidar com o que havia de melhor da Quarta Geração (armas, sensores e táticas). Enquanto isso, do outro lado do mundo, a FAU continuava com seus Pucarás e A-37.

Durante a CRUZEX I (2002) a Força Aérea Brasileira tomou um choque de realidade. Ao combater contra os Mirage 2000 da França, ficou evidente a incapacidade da FAB de lutar dentro da moderna guerra aérea. O resultado foi benéfico para a Força, que mesmo sem dinheiro, se mexeu e conseguiu, num ato de desespero, modernizar o F-5E, elevando-o para o padrão F-5M, dando ao velho Tigre a capacidade de operar dentro da 4ª Geração.

Retrofiar velharias se tornou uma saída para as forças aéreas, como a Brasileira, sem dinheiro para investir em novos e modernos aviões. A tecnologia desenvolvida para a quarta geração permitiu que velharias como o F-5 ou o Kfir fossem modernizados. Hoje é possível dar a um A-37 a capacidade BVR, mas quem em sã consciência iria para guerra com um Dragonfly???

Então chegou a Quinta Geração, com sensores saídos direto da ficção científica, com a tecnologia stealth e com armas capazes de acertarem um alvo entrando pela janela da casa! O hiato entre a 4ª e 5ª geração não pode ser diminuído através de um pacote de atualização. É impossível elevar um F-5, um F/A-18E ou um Rafale a Quinta Geração. Para ter a Quinta Geração é preciso pagar, e muito!

Hoje um Raptor pode abater um inimigo a centenas de km. Como um pequeno país como o Uruguai vai poder se igualar? Um míssil lançado por um F-22 pode atravessar o Uruguai em questão de minutos. A 5ª Geração não é só o avião. Adquirir um F-35 não basta para adentrar o reino da 5ª Geração. O F-22 e o F-35 são sistemas de armas, complexos, que vão desde a estrutura da pista da base até o radar de vigilância. Não adianta nada comprar o melhor vetor e defender as bases aéreas com mísseis terra-ar Igla, como no caso da FAB.

O Uruguai procura um novo avião de caça, assim como a Argentina e outras forças aéreas inexpressivas. Quais seriam estes? Um velho e cansado F-5? Um subsônico AMX com a tecnologia de 1990 retirado diretamente dos esquadrões da FAB? Um F-16 com sua décima quinta MLU? A pergunta que essas forças aéreas precisam fazer é o que elas querem? Aviões de verdade, capazes de dissuadir uma aventura militar de outra nação ou apenas dissuadir aviões a serviço do tráfico de drogas?

Um exemplo concreto de dissuasão baseada na tecnologia está bem ao nosso lado. Apenas 4 míseros Typhoon estacionados nas Falklands são capazes de manter a Força Aérea Argentina longe das ilhas. Mas seriam só 4 se a FAA estivesse dotada com aviões da mesma geração do Typhoon?

Qualquer que seja a resposta, sem investimento sério, não haverá uma força aérea, mas sim, uma guarda aérea. Quem, de hoje para o Futuro, não tiver a capacidade stealth e a capacidade de combate BVR, não existirá como Força Aérea. O gap é imenso e não há espaço para quem quer voar só em desfile militar.


Giordani

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35 COMENTÁRIOS

  1. A questão é que os SAMs com mais de 100km de alcance podem imobilizar uma força aérea, principalmente se for com caças de 4° geração.

    Se encostar um aegis a 20 km da praia o inimigo não consegue dar cobertura para as tropas num raio de 200km terra adentro. O mesmo vale para os S-300, HQ-9 e S-400 mais difíceis de encontrar.

    • JPC3,

      Não é bem por aí…

      Uma força aérea bem organizada, e possuindo aeronaves com a capacidade para lançar artefatos para além dos 150km, sempre estará em vantagem contra uma defesa de solo… E munições aerolançadas de alcances diversos estão se disseminando rapidamente…

      Esse raciocínio acima fica evidente se observarmos as experiências das defesas aéreas até aqui. Apenas o Yom Kippur mostrou-se um cenário realmente difícil, porém superado por uso de táticas que ditavam a cooperação das forças em solo com o elemento aéreo.

      Toda a defesa aérea, via de regra, está limitada pelo terreno. E o "empecilho" mais notório é o horizonte-radar, que cria uma área de sombra que só se expande conforme mais longe se vai, permitindo a uma força de caças até mesmo adentrar o alcance de sistemas defensivos e ataca-los sem ser localizada. Logo, é necessário considerável infraestrutura em solo…

      Ainda hoje, existe a necessidade de uma força aérea que contra balanceie a oposição e some seu poderio ao de solo, formando uma verdadeira rede integrada de defesa, na qual a caça é obrigatoriamente a primeira linha. Toda força armada que não detiver esse elemento crucial, estará automaticamente na defensiva.

      No mar, a "nudez" do "terreno" pode ser um fator a favor do defensor. Se dotado de alerta aéreo antecipado, pode localizar as ondas de ataque muito além do gap proporcionado pelo horizonte-radar.

      • Não discordo de você RR.

        Só penso ser bastante díficil neutralizar defesas quando eles são acompanhadas de um boa estratégia, táticas e multiplicadores de força ( como sistemas passivos, redundância, meios aéreos, inteligência, comando e controle avançados).

        localizar e destruir SAMs em movimento, camuflados ou desligados é uma tarefa complexa. Dependendo do terreno ninguém pode prever onde um sistema Buk ou S-300 vai aparecer.
        Boa parte das aeronaves abatidas morre porque é pega de surpresa, por isso a importância da consciência situacional e furtividade do F-35.
        As chances dele cair na mira de um SAM moderno é bem menor que para os 4G, por exemplo.

        Se para derrotar as defesas de países como a líbia demora-se semanas, consumindo centenas de armas stand-off, imagine como seria enfrentar os russos ou chineses com sistemas de alta mobilidade.

        Não seria fácil.

        • JPC3,

          Não ouso discordar que é extremamente difícil… Radares operando em bandas e frequências diversas se constituem em algo difícil de lidar com ECM, além de poderem operar de forma coordenada de modo a triangular uma posição. E há ainda a questão da mobilidade e da camuflagem.

          Mas eis a questão:

          Por mais que o sistema de defesa em solo seja perfeitamente integrado, o calcanhar de Aquiles continua sendo guia e orientação para os mísseis. E manter radares ativados de forma constante é extremamente perigoso… Sem sistemas ativos para orientar as armas, depender-se-á de sistemas passivos, cuja consciência situacional proporcionada tende a ser menor, o que impacta na capacidade de engajar alvos. Só o ato de fazer com que os radares de vigilância e aquisição sejam obrigados a operar de forma intermitente ( com os diretores de tiro sendo mantidos desligados até o último momento possível ) já torna a defesa uma arma de oportunidade.

          Logo, não me apego tanto ao fato de se precisar de uma grande quantidade de armas para derrota-las ( o que evidentemente limita quem pode realmente engaja-las ), mas sim ao fato de que a presença de uma capacidade evoluída de neutralização ( a nível DEAD ) sempre haverá de manter os operadores da rede SAM de cabeça baixa… E é por isso que se aposta tanto em mísseis ativos pelos dias de hoje, com vistas a minimizar ao máximo o uso dos radares.

          Outro ponto: se as defesas forem obrigadas a se mover de forma constante, isso significa que não estarão disponíveis em tempo integral, pois não estarão atuando enquanto se movem. E quem lucra com isso é o atacante no final das contas.

          Sistemas maiores, como o S-300, não são tão difíceis assim de serem localizados. Um bom reconhecimento SLAR/SAR pode localiza-los ( por isso os russos desenvolveram o 'Krasukha' ). Seu imenso tamanho também limita as áreas onde podem realmente operar, de modo que, se se conhece o terreno, se pode prever onde podem estar.

          Todo esse raciocínio se mostra comprovado se observarmos o decréscimo de aeronaves abatidas pela AAA ao longo das guerras.

  2. Em breve a CHINA vai inundar o mercado com aeronaves de alto desempenho que farão frente aos fabricados nos EUA , França e UK e logo teremos novamente brigas de igual para igual . Outro detalhe , este GAP que o Giordani comenta só existe se o conflito for contra um membro da OTAN , caso seja um conflito regional um F-5 ainda é relevante .

    • Era exatamente o ponto que iria tocar, o texto é muito bom, mas só considerou o contexto global não pensou nas peculiaridades regionais. Mudando o foco, p/ dar um exemplo, estava vendo essa semana que o ABC de Natal é o maior ganhador de títulos estaduais, se em nível nacional ele não tem destaque, no seu estado ele é o 'retado'. Voltando ao assunto e se tivéssemos um conflito entre Uruguai e Paraguai quem operasse um F-5 seria a 'potência' do conflito, ou não ?
      Gio sou seu fã, mas acho que vc só pensou nos cães de raça, mas esqueceu que vira-lata também morde, rs.

      • Onde eu assino amigo ? Aqui na America do Sul o que tem de gente na pior não ta no GIBI , um F-5 aqui ainda é alguma coisa …

        • Mas vocês estão se esquecendo de um pequeno detalhe, como o amigo mesmo citou, a China logo vai imundar o mundo com seus "5G xingling balato, dileto da China, ploduto com galantia na caixa né…"

          Aí não vai ser questão de ter ou não força aérea e sim de quem vai ter uma força aérea séria. Veja o caso da Venezuela com seus SUs, por maior que seja sua pindaíba ainda tem condições de manter um bom numero de bons vetores…

          Não adianta ficarmos deitados em berço esplendido olhando nossa pequena realidade enquanto o mundo todo caminha a paços largos, além do mais… e bem o que eu entendi da matéria do Giordani, não é que o F-5 seja ruim mas é que não dá para um país do porte do Brasil delegar toda sua defesa aérea a este pequeno e limitado caça, lembrando é claro que se quer contamos com defesa anti-aérea de médio e longo alcance.

          • A medida que os aviões chineses forem ficando melhores eles também ficarão mais caros.
            Ninguém vai fazer um " F-35" por 50 milhões.

      • Um conflito entre Uruguai, Paraguai, Bolívia e Argentina seria um conflito de porcarias aéreas, digo, guardas aéreas equivalentes. Num mundo globalizado, todos são adversários, até a minha querida Zamunda!

        • Num conflito entre esses países mencionados, não passaria de tiroteio na fronteira, pequenos sobrevôos e ataques esporádicos e breves disputas de artilharia. Ninguém tem paiol para mais de 1 a 4 dias de tiroteio. Guerra de médio porte na América Latina(digo, entre países da AL) é só nos sonhos ou pesadelos de alguns. Problema seria se uma potência se colocasse no meio.
          A propósito ótimo artigo.

          • Rudel41 "Guerra de Médio porte na América Latina … é só nos sonhos…" As mais possíveis guerras na atualidade e no nosso bairro são: Colômbia – Venezuela, Venezuela – Brasil, e Peru – Chile. Acho que em nenhuma destas possibilidades seria uma simples troca de artilharia, pincipalmente em se tratando do Chile e do Peru.

              • A Venezuela já fez ameaças e já se tem narrativas de invasões aéreas por parte da Venezuela. Se isso vai mais adiante é uma incógnita, mas pra um país fortemente armado, com um presidente de capacidades duvidosas (vide o Maduro) e com severos problemas internos, uma guerra contra uma potência (vide o Brasil) não seria um mal negocio. Contra a Guiana a cosa engrossa, enfrentariam algum "Amigo Europeio" e a capacidade de defesa da Venezuela, embora seja uma das melhores do bairro, não está à altura da Inglaterra ou da França.

            • Guerra é logística, sem munição em grandes estoques e sem meios de transportes adequados, a guerra não pode progredir.
              Guerra de "Médio Porte" exige mobilização, preparação e estoque de armas para meses a fio. O Brasil e seus vizinhos possuem estoque para poucos dias de combate. O fornecimento de armas por outros países pode ser prejudicado por sanções, o transporte marítimo demora semanas e meses e o aéreo é caro e insuficiente para a manutenção de médios conflitos.
              Sem falar no fator econômico. Guerra está cada vez mais cara, até para potências. Podendo ser uma ruina econômica, mesmo com vitória. Você mencionou a Venezuela, ela late bastante, mas morder… Se eles entrarem em guerra, a população passa fome, não teria como alimentar nem os soldados. 70% dos alimentos são importados. Nesse caso, a maior probabilidade de conflito, em curto prazo, seriam guerras civis, na minha opinião, sendo a Venezuela um terreno fértil para isso.

              • Rudel41 "O Brasil e seus Vizinhos possuem estoque pra poucos dias de combate". Amigo, uma guerra nos moldes de hoje, não deveria duram mais do que 6 meses. O Brasil, O Peru e o Chile tem estoque de sobra pra manter um conflito durante esse tempo. A Venezuela está acabando com seu estoque atualmente. Claro que me refiro à logística e à distribuição de alimentos. Sobre o estoque de armamentos, posso garantir que pelo menos A Venezuela e o Chile tem estoque suficiente tanto de meios como de munição e armamentos.

                • Se você pode "garantir", por favor compartilhe essa informação conosco. Seria ótimo, pois procurei saber mais e não encontrei muita coisa.
                  Mas usando a lógica, em 1995 o Peru teve muitas dificuldades contra o Equador para manter 32 dias de escaramuças de fronteiras. Se tivessem tanta força, não teriam jogado a toalha tão fácil. A situação mudou tanto. Eles possuem um orçamento militar de 2,5 bi de dólares por ano, pouco mais da metade em folha de pessoal.
                  Quanto ao Chile, não duvido, pois possuem a mais bem equilibrada força da América Latina.

                • O Peru, nos últimos 10 anos, tem acelerado as suas compras militares justamente pela situação em que o Chile tem se colocado militarmente. Embora seja muito difícil que o Peru consiga ter a mesma capacidade do Chile, tem hoje um estoque tanto de munição como de misseis que lhe permitiriam manter um conflito bélico similar ao das Falklans, com tranquilidade. Agora, o problema da Guerra do CENEPA é exclusivamente humano. Tem estoques, se sabem usá-lo já é outra história. Sobre o Chile nem se fala. FAMAE fornece quase que a totalidade das munições das suas FFAA e aquelas que não fornece, tem sido estocadas durante anos. Só na última compra e Exocet MM 40 BLK III foram intercambiados 96 misseis. Entenda que isto é apenas uma troca de estoque, 96 Exocet MM 38 X um número não especificado de MM40 Block 3. Só os 96 dados de baixa já dão uma ideia dos estoques chilenos. Assim como no caso das compras de AIM 120 que se estima sejam 100 C5 e 120 C7. Vou procurar os links e envio.

  3. Ótimo texto Gio e deixou bem claro o que eu sempre pensei e digo ter não quer dizer operar e operar não é só aprender a usar o caça, é um conjunto de coisas que devem ser feitas para trabalharem juntas e aos colegas que acham que por estarmos ao lado do Uruguai, Argentina, Paraguai, etc não nos esqueçamos que estamos no mundo e se a coisa apertar quem vai perder é o pequeno e não o grande, se com este aquecimento global ocorrer problemas demasiados e a fome começar a apertar vocês acham que eles vão vir comprar de nós ou iram vir impor as condições deles para nós, pensem nisso, estamos na América Latina mas a América Latina esta no mundo.

  4. A pergunta é quem venderia ao Brasil um caça de 5ª Geração, Americanos, Russos, Chineses ?

  5. Bom texto, Giordani…

    Quando estava lendo o título pensei que era USAF ou Guarda Aérea Nacional…Lá eles voam até F-22… 🙂

    Hoje em dia, todos sem exceção estão atrás dos EUA , sendo que os aliados mais próximos podem ter o mesmo equipamento, desde que não seja o F-22….

    Para países com menos $$$ é pensar em algo mais modesto, entendendo o contexto de atuação de sua Força Aérea.

    O Brasil por exemplo, não vîve em uma hot zone com contestamento de suas fronteiras. Mas também não pode abdicar de alguma capacidade de dissuassão frente aos seus vizinhos. Nesse caso, entendo o Gripen como uma boa alternativa custo-benefício, mas tem de ter pelo menos algo em torno de 80-100 caças para manter uma disponibilidade razoável.

    []'s

  6. Giordani, excelente artigo! Parabéns!
    Quarta geração é o máximo que podemos ter por aqui, ainda mais considerando a nossa rede bem precária.
    E do que adianta ter um super caça se ele é incapaz de emparelhar com um Tupi, provavelmente a última ameaça real que teve por aqui? Na hora da necessidade, o que precisamos mesmo é de um Super Tucano.

  7. A questão neste caso assim como em toda a arena militar envolve vários fatores, como o treinamento, os misseis carregados, os sistemas etc

    Pegue um F 5 armado com misseis e sistemas de ultima geração e apoiados por um avião de alerta antecipado ou radares em terra e do outro lado um F 15 com sistemas e misseis mais antigos sem o mesmo tipo de apoio e vera o resultado.

    Numa guerra moderna é o sistema como um todo que faz a diferença, e quanto mais evolui os misseis, a manobrabilidade potencia etc dos caças vão deixando de ser relevantes.

    Mesmo um caça antigo pode sim fazer a diferença, no entanto o custo operacional pode ser determinante para a sua substituição, e ai temos um fator inverso onde num futuro próximo uma potencia com menos recursos poderia desenvolver algum meio eletrônico alternativo que possa mascarar a assinatura de um caça de 4º geração, dai teremos um grande se não o maior furo na industria bélica mundial onde uma geração de caças iria retroceder e até ficar em desvantagem diante de uma geração anterior, no momento é só uma teoria mas devemos lembrar que industria quer o dinheiro em primeiro lugar e se eles podem construir um caça novo com novos e caros materiais etc porque iriam pesquisar um casulo eletrônico que poderia ter o mesmo resultado com um custo menor.

    Lembro de ter ouvido falar em um bombardeiro russo se aproximando do Canada sem ser rastreado sendo descoberto quando já estava muito próximo, mas nesse caso havia a especulação de uma suposta tecnologia de plasma.
    Mas essa teoria só o futuro ou uma guerra ira revelar.

    Ta ai no entanto uma boa sugestão para uma matéria.

  8. O maior problema, ao meu ver, está na questão humana. Conversando com um oficial da FAB, ele me comentou que pra ter uma força 100% capacitada com os Gripen, precisaria de treinamento e doutrinação de forma extrema e isto só se conseguirá lá pra 2025. Ou seja, a que se espera seja a mais poderosa e moderna Força Aérea da LATAM estará capacitada pra caças de 4.5 geração só daqui a 8 anos. Este tempo é uma defasagem enorme se considerarmos que forças menos expressivas como a Venezuela, Chile e o Peru, tem trabalhado com equipamentos mais capazes e modernos anos antes do Brasil. O salto tecnológico que significa sair de um F5 M pra um Gripen E/F é similar a sair de um aça sub sónico pra um super sónico. o tempo que o material humano demora em se adaptar às novas doutrinas e dominar os ambientes de combate nesta nova realidade são o maior problema. E isto não é só na FAB. na MB se espera o mesmo com o advento dos Scorpene.

  9. Em linhas gerais, poderia concordar com o raciocínio… Contudo, imaginem a seguinte situação: 100 ( cem ) caças J-17 de 'A', vs. 20 ( vinte ) caças F-15 de 'B'.

    Primeiro, 20 caças não podem cobrir mais espaço aéreo que 100 caças ( ou ao menos não com a mesma eficácia )… Se se tenta dispersar um pequeno contingente aéreo por uma grande área, se perde a efetividade a nível de esquadrão. Aí, a luta aérea vira algo a nível de "guerrilha", com as aeronaves dispersas reagindo da melhor forma possível a ameaças dentro do seu raio de interceptação… Se o inimigo tiver quantidade, ele pode fazer pressão até ceder…

    Mesmo que uma aeronave possa ser armada com vários mísseis, é improvável que haja oportunidade para lançar todos. E é menos improvável que todos acertem… Táticas diversivas sempre são passíveis de serem aplicadas. Durante os combates no Vale do Bekaa, quando os sírios passaram a usar táticas de despiste para atrair a caça israelense, lograram êxito mais de uma vez em fazer passar suas formações de ataque ( embora realmente amargassem pesadas perdas ).

    Em suma, equilibra-se inferioridade tecnológica com estratégica e táticas.

    Se imaginarmos que a força 'A' se mobiliza primeiro, indo de encontro a alvos múltiplos em 'B', então as chances dos 20 F-15 contraporem a ameaça se reduz, independente de tecnologia, posto os J-17 terem a vantagem tática ( já estarão no ar e rumando para os alvos ). Mesmo que as perdas de J-17 sejam maiores, é virtualmente impossível superar a disparidade em números nesse caso.

    Outro ponto: nunca serão todos os caças que estarão operacionais, e menos ainda os que estarão em alerta. Os novos caças, apesar de toda a racionalidade para se proporcionar simplicidade e facilidade na manutenção, detêm componentes que são essencialmente mais caros e complexos de serem fabricados, o que significa que a reposição desses itens tende a ser mais difícil. Logo, é necessário uma logística igualmente cara para manter números razoáveis em operação.

    Portanto, dizer que um caça de nova geração supera os caças de geração anterior de modo a torna-los inúteis AINDA não é totalmente acertado.

    Se se tiver grandes quantidades de uma aeronave ao menos capaz de mach 1.8 e que seja capaz de lançar armas inteligentes, apoiados por alguma ECM que valha, então já se tem uma ameaça que terá que ser neutralizada primeiro…

    • Agora você tocou no ponto nevrálgico da questão. A única FORÇA AÉREA realmente equipada com caças de 5ª geração é a USAF, e mesmo ela ainda está com o espinho da 5ª geração arranhando sua garganta. Então aqueles que desejarem montar um poder aéreo baseado em plataformas de 4,5 ª geração o tem que fazer contando com o fator quantitativo a seu favor.

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