F-5_AMX_Desde pequenos aprendemos na escola que o Brasil é um país pacífico, que se relaciona bem com seus vizinhos.

Admirado pelo resto do mundo, tem no seu futebol o seu salvo-conduto. Certa vez um jornalista brasileiro se viu rodeado por combatentes numa região da Bósnia. A morte era quase certa, mas ao verem que ele usava uma camisa da seleção brasileira por baixo do casaco, logo ele foi elevado a condição de amigo e pode sair de lá em segurança.

Isso parece bonito e até interessante, mas a verdade é que duas pragas contaminaram a cabeça do povo brasileiro; a de que o Brasil não tem inimigos e a desgraça do tal jeitinho brasileiro.

A América do Sul não é um lugar pacífico, muito pelo contrário. É um barril de pólvora. Feridas não cicatrizadas volta e meia dão o tom da política populista. A Guerra do Pacífico (1879-83) entre o Chile, Bolívia e Peru até hoje causam impactos na política externa destes países. A Bolívia usa o expediente de uma saída para o mar como base de sua política externa.

Em 1995 Peru e Equador travaram um breve conflito de fronteiras, na qual ficou conhecida como Guerra de Cenepa, resultado de tensões que advinham desde a década de 1940 do século XX.

F-5 cruzex
A primeira linha de defesa da FAB

Em 1978 tropas argentinas entraram 5 km em território chileno, no Conflito de Beagle e quase, por muito, mas muito pouco, os dois países foram a guerra. Os danos daquele incidente perduram até hoje, pois em 1982 o Chile deu o troco, apoiando veladamente os ingleses no Conflito das Falklands. Em 1981 a inteligência chilena alertou os britânicos dos planos de invasão das ilhas.

E o Brasil? Fora a Guerra do Paraguai e as guerras de fronteira com o Uruguai (Cisplatina) e a Argentina no século XIX, o gigante sulamericano sempre esteve em paz? Ledo engano. O Brasil está sentado num barril de pólvora. Seus vizinhos adoram culpar o Brasil.

Quando o governo militar argentino ruiu de podre, vieram a tona rumores de um plano de invasão do Sul do Brasil, algo nunca confirmado, mas em 1937 os militares já acreditavam na possibilidade de invasão pelos argentinos e na incapacidade de deter o avanço.

Em 2006, duas refinarias brasileiras foram ocupadas militarmente pelo exército boliviano. O governo populista e de influência marxista usou o Brasil como um inimigo e imperialista, que sufocava o povo. O governo do Brasil, então liderado pelo presidente Lula, se acovardou e entregou as refinarias, recebendo um valor simbólico pelas instalações. O governo do Brasil não foi nem capaz de questionar num tribunal internacional as ações da Bolívia, pelo contrário, para vergonha da nação, correu defender o governo da Bolívia! Anos depois a Petrobras voltou a despejar milhões de dólares naquele país.

CRUZEX VI, MAIOR EXERCÍCIO DE GUERRA SIMULADA DA AMÉRICA LATINA - NATAL, RN - 05/11/2013
A Venezuela sempre contou com aviões mais modernos e potentes do que a FAB. Acredita-se que os F-16 venezuelanos não tenham capacidade BVR.

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O Paraguai recebeu uma hidrelétrica, e mesmo assim chama o Brasil de imperialista. O Paraguai jamais teria condições financeiras de construir uma hidrelétrica como Itaipu, mas mesmo assim culpa o Brasil. Em 2009 o governo paraguaio rasgou o contrato e dobrou o fraco governo do Brasil, tendo os valores reajustados como queria.

Evo Morales ocupou militarmente duas refinarias brasileiras, nacionalizado-as posteriormente com o aval do governo brasileiro.
Evo Morales ocupou militarmente duas refinarias brasileiras, nacionalizado-as posteriormente com o aval do governo brasileiro.

E onde quero chegar com tudo isso? A crise entre a Venezuela e a Colômbia, na qual o governo de Caracas quer arrastar a Guiana, é um exemplo de que a tal harmonia da América do Sul não existe! Conforme os interesses dos governos, qualquer coisa pode ser usada para desviar o foco da população. Uma onda vermelha varreu o continente. Ideologias ultrapassadas e pessoas despreparadas para ocuparem cargos tão importantes foram elevadas a condição de líderes. A economia da região está ruindo. Anos de prosperidades conseguidas com medidas que sacrificaram os povos agora vão pelo ralo por conta de governos e medidas populistas, só com o projeto de se perpetuarem no Poder. A receita para culpar um agente externo está no ar!

Kfir colombia
A Colômbia depende de velhos e problemáticos Kfir para a defesa de seu espaço aéreo.
CRUZEX VI, MAIOR EXERCÍCIO DE GUERRA SIMULADA DA AMÉRICA LATINA - NATAL, RN - 05/11/2013
O Chile, por ter passado dois momentos difíceis com a Argentina, parece ter aprendido a lição. Racionalizou e equipou sua força aérea de modo a poder fazer frente a qualquer força aérea da região.

Si vis pacem, para bellum

“Se quer paz, prepara-te para a guerra”. Com este provérbio latino, podemos afirmar que o Brasil tem sim inimigos e eles estão por todos os lados. O país é riquíssimo em recursos naturais, com as melhores terras do planeta, algo que já desperta a cobiça do mundo, mas o maior inimigo são justamente os governos populistas das região.

Imaginemos a seguinte situação: A presidente Dilma é destituída do Poder por impeachment, ato legal que está na Constituição do país, e a oposição assume o governo. É ou não é a desculpa perfeita para os países usarem como bode expiatório? Evo Morales já está usando este artifício. A Venezuela, devedora do BNDES até a 5ª geração de seu povo, tem nisso a desculpa prefeita para não pagar.

Su-30MK2 (11)
A Venezuela tem no Su-30MK2 seu expoente máximo na projeção de Poder. Esses aviões podem alcançar Brasília e a base aérea de Anápolis com facilidade.

As fronteiras do país são uma peneira, pois o exército não tem uma presença permanente nas regiões e nem tão pouco o Brasília tem interesse em manter tropas na região e quando faz, o Itamaraty corre para se desculpar com seus amiguinhos que se sentem incomodados com o imperialismo tupiniquim.

Se no campo diplomático a coisa está ruim, militarmente é pior. As forças armadas brasileiras estão sucateadas. Dizer que tal governo investiu mais que outro é balela, pois não havia o que fazer, ou reformava a sucata ou ficava sem sucata. Nos atendo unicamente a Força Aérea, a existência do F-5M foi um ato de desespero. Ou era ele, ou não era nada!

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As forças armadas argentinas estão destruídas, sendo um pouco mais que um punhado de sucata, mas mesmo assim o governo insiste em provocar os ingleses e chamar o Brasil de imperialista, numa vil política de culpar os outros por seus problemas internos.

A incursão dos jatos venezuelanos ao território da Colômbia expôs o que pode acontecer por aqui. A força aérea do Brasil é limitada. Usar o F-5 como primeira linha de defesa é o mesmo que usar arame farpado para deter um caminhão. Os militares estão fazendo o que podem. Em 2009 a FAB enviou para a Amazônia um pequeno grupo de caças F-5M, sendo estes os primeiros jatos supersônicos a operarem regularmente na região. Podem velhos F-5 se contraporem a Sukhois e F-16 da Venezuela? Temos E-99, o que nos dá uma vantagem sobre maneira, dirão uns. É verdade, hoje o que dá um mínima vantagem sobre as demais aviações do continente é justamente uma única arma. Anule ela e a FAB vai combater como se combatia em 1970!

Sim, o Brasil tem inimigos; mas também tem sorte, pois os seus vizinhos sempre conseguem se complicar internamente. É bom, entretanto, não contar só com a sorte, ainda mais quando ao lado está um país governado por um populista.

F-5E (Imagem: reocities-com)
Depender do velho F-5 é mais um ato de fé do que de coragem…

– Giordani –

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86 COMENTÁRIOS

  1. Uma boa análise opiniativa de facto mas considero exagero em alguns factos, não que eu defenda seja o que for, não sou brasileiro, gosto é de estar atento e preocupo me sempre com as terras de além-mar.
    Aquela das refinarias pôs-me parvo, então e o povo?! não fez nada?! As Forças Armadas são ainda as maiores, dominar o país iria requerer uma logística inviável, tem uma uma força terrestre algo que volumosa, não têm os melhores tanques, mas estão no padrão aceitável e num bom número. Infantaria numerosa, boas forças especiais, indústria muito mais independente que no resto do continente…. Não estão assim tão mal, estão rodeados é de más decisões…. Olhem, ta aqui uma matéria deste tipo também, mas escrita aqui em Portugal, e fala nesse aspecto das más decisões porque é mesmo só isso…. Portugal é muito pacífico por exemplo, forças armadas bastante reduzidas, mas ainda faz o que pode, o estado não pode gastar nada num F16 que o povo reclama mas vai se andando. A recente "mini" guerra civíl na guiné, a uns anitos (2010?-2011- para ai….? Foi resolvida com envio de uma fragata, uma corveta e um discurso onde nós tugas nos armámos em put#s russas e adivinhem! Funcionou, deixou-se claro que Portugal e eventualmente os seus aliados não tolerariam mais golpes de Estado.

    Enfim a matéria de que falava está aqui:
    Ah pois é… o cavok não nos deixa clicar no botão direito….lolllll

  2. Abusados nossos vizinhos sempre foram, mas o que mais me preocupa é a covardia dos nossos políticos. Desde a redemocratização o Brasil os trata com tremenda ingenuidade. Inclusive durante o governo petista nós prostituímos nossas instituições financeiras para dar dinheiro a esses parasitas. Precisamos mudar por completo a maneira de encararmos os demais países da América do Sul.

  3. Hoje sabemos que a nacionalização das refinarias da Petrobrás pela Bolívia era de conhecimento prévio do sapo barbudo. Ou em outras palavras, o próprio sapo orientou o índio a agir daquela maneira. Com certeza levou algum $.
    Além das refinarias, teve o aumento unilateral exorbitante do preço do gás. E o gasoduto, era para ser dividido o custo de construção. Mas a Bolívia nunca pagou a parte dela e o Brasil nunca cobrou a parte dele.

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