A quantidade e o uso de drones vem aumentando nos últimos anos.

No último mês de dezembro, um drone causou caos no aeroporto de Gatwick, segundo maior da Inglaterra. O objeto foi visto voando durante sobre o espaço aéreo do aeroporto durante os dias 19 e 20 de dezembro, pouco tempo antes do Natal, afetando mais de 100 mil passageiros que se preparavam para o fim de ano. Foram mais de 1000 voos cancelados até que as autoridades considerassem seguro para as aeronaves pousarem e decolarem.

Mas por que um drone causou tanta interrupção em um aeroporto tão grande e tão importante, e quais são os riscos que esses dispositivos podem representar para os aviões comerciais?

O que são drones

Na aviação, um drone se refere a uma aeronave não pilotada. Outro termo para isso é um “veículo aéreo não tripulado”, ou UAV (da sigla em inglês). Na área militar, os drones costumam ser usados para fins militares porque não colocam em risco a vida de um piloto em zonas de combate. Além disso, os drones não necessitam de descanso, permitindo que eles voem enquanto houver combustível na embarcação e não haja dificuldades mecânicas. Contudo, os drones também são usados para fins comerciais, especialmente em empresas do varejo e da construção, ou até mesmo para realizar entregas de café.

Danos a uma aeronave

Também em dezembro do ano passado, um drone colidiu com um avião comercial no México, atingindo o bico da aeronave. A fuselagem e o radar meteorológico do avião sofreram danos, mas o piloto conseguiu pousar com segurança e todos passageiros desembarcaram sem problemas. Apesar da probabilidade pequena de que uma colisão com uma aeronave grande aconteça, há ainda muita preocupação sobre os riscos que os drones podem causar quando voam próximos a aeroportos.

Ainda existem poucas pesquisas sobre o assunto e os resultados são controversos. A Universidade de Dayton, nos EUA, foi uma das instituições que conduziu testes para verificar o impacto de um drone de 1kg na asa de uma aeronave de pequeno porte viajando a 383 km/h. O resultado foi que, enquanto o drone ficou completamente destruído, sua velocidade e massa serviram para deixar graves danos à asa do avião.

Testes de impacto de um drone em uma asa.

Outra pesquisa encomendada pela Autoridade Federal de Aviação dos EUA sugeriu que os danos de uma colisão de um drone com uma aeronave podem ser maiores que aqueles causados em uma colisão com pássaros. Isso se deve em parte por causa das pesadas baterias de lítio presentes nos dispositivos, que não se quebram com o impacto e podem ficar presas à fuselagem, criando risco de incêndio.

Casos no Brasil

No Brasil, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) possui legislação específica para os voos com drones desde 2017. Segundo a agência, é ilegal pilotar um drone em um raio menor de 5,4 km de um aeroporto para voos de menos de 30 metros de altura. Para voos mais altos, a distância a ser respeitada é de 9 km.

Ainda assim, não são raros os casos de pilotos que desrespeitam a lei por aqui. Em janeiro deste ano, um voo de drone irregular próximo ao Aeroporto de Congonhas causou interrompeu as operações do por 20 minutos. Dois anos antes, em 2017, o mesmo aeroporto ficou parado por duas horas também porque um drone foi avistado nas suas proximidades.

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