A frota de F-14, destinada a missão de superioridade aérea do Irã, está crescendo. Mais Tomcats poderão ser um problema para os adversários de Teerã?

Vários relatos – muito embora da mídia estatal iraniana – indicam que a Força Aérea Iraniana (Islamic Republic of Iran Air Force – IRIAF) continua a expandir sua frota de caças F-14 Tomcat a um ritmo considerável, recolocando as células que estiveram fora de serviço (por várias décadas) de volta ao serviço. Não só isso, mas também treinando novas tripulações para operar os jatos.

Durante a década de 1970 o Irã comprou 80 jatos F-14 dos Estados Unidos, com o próprio líder iraniano Reza Xá Pahlavi tendo escolhido pessoalmente a aeronave e feito esforços consideráveis para obter a permissão de Washington para comprar o que era o mais avançado jato de combate no mundo. 

O Irã tornou-se, assim, o único operador estrangeiro do F-14 no mundo, com outros adversários dos EUA lidando com caças mais leves, mais baratos e menos capazes, projetados tendo em mente as exportações, como o F-16 e F-5. De fato, as capacidades do F-14 eram tão avançadas que uma variante de exportação do caça nunca foi oficialmente desenvolvida, e os aviões que foram para o Irã, depois de algumas modificações leves, eram praticamente idênticos aos utilizados pela Marinha dos EUA. Para não dizer que eram totalmente iguais, a simbologia interna escrita em persa. 

Após a queda do xá em 1979, a frota iraniana ficou em grande parte em estado precário, com falta de peças e ao embargo de armas norte-americano, o que significou que nos estágios iniciais da guerra Irã-Iraque apenas 12 dos 79 Tomcats entregues estavam em condições de combate. O octogésimo caça nunca foi entregue, e o Irã continua exigindo compensação ou a entrega da aeronave.

Um fato desconhecido da maioria do entusiastas da aviação militar é que os Tomcats persas é que quando a revolução de 1979 estourou – e derrubou o Xá- faltavam ainda por parte dos EUA a integração dos mísseis de curto (AIM-9 Sidewinder) e médio alcance (AIM-7 Sparrow) na aeronave, mas os Tomcats do Irã estavam armados apenas com canhões e mísseis AIM-54 Phoenix (capaz de abater um oponente a mais de 160 km de distância). 

O Phoenix mostrou-se mortal contra jatos iraquianos, demonstrando sucesso, ainda mais em faixas intermediárias. Acredita-se que os iranianos usavam o míssil dentro de uma faixa de apenas 19 km.

Os Tomcats iranianos sofreram apenas três derrotas para a Caça iraquia durante todos os 8 anos de guerra. O Irã alega ter derrubado 160 jatos iraquianos, algo que a comunidade internacional de analistas militares refuta.

Os F-14 demonstraram uma capacidade ímpar de neutralizar os jatos iraquianos. A suposta presença de um Tomcat na área já era motivo suficiente para que grupos aéreos iraquianos inteiros abandonassem o combate. 

A capacidade do Irã de adquirir peças para a sua frota de Tomcat era limitada e, embora o país pudesse desenvolver rapidamente os meios de manufatura necessários para atender seu Northrop F-5E Tiger II mais simples, e manter seus McDonnell Douglas F-4E Phantoms voando através de uma combinação de peças sobressalentes de engenharia reversa e adquirindo peças de outros usuários no mercado negro, isso não era uma opção para o F-14, muito mais complexo, do qual era o único operador estrangeiro.

Uma grave escassez de mísseis AIM-54 após o fim da guerra Irã-Iraque limitou ainda mais a utilidade do Tomcat nas mãos iranianas, e apenas uma fração da frota permaneceu operacional por várias décadas.

Recentemente, no entanto, contando com uma série de novas tecnologias, incluindo impressão tridimensional, o Irã foi capaz de prover de forma mais eficaz as peças de engenharia tanto para a estrutura do F-14 quanto para o AIM-54 – permitindo-lhe produzir uma variante mais capaz do Míssil Phoenix enquanto recoloca a maior parte da sua frota Tomcat inativa de volta ao serviço.

Os F-14 da frota iraniana receberam mais de 250 modificações e upgrades, incluindo um novo radar, displays, suítes de guerra eletrônica e outros aviônicos críticos.

Combinado com o novo míssil Fakour-90, derivado do AIM-54, isso tornou os Tomcats iranianos possivelmente o jato mais letal no Oriente Médio.

O significado de uma crescente frota iraniana de caças F-14 altamente atualizados não deve ser subestimado, e tem implicações consideráveis para as capacidades de guerra aérea do país. A maioria dos Tomcats do Irã foram pouco usados, com células com bem menos de uma década de serviço (alguns menos de cinco anos). Essas células são essencialmente novas e, com o fornecimento de peças novas, podem ser colocadas em considerável quantidade.

Atualmente a IRIAF conta com 40 caças F-14 em serviço, e algumas estimativas colocam este número consideravelmente maior.

Corrigindo os preços com a inflação e, considerando se o avião ainda estivesse em produção, um F-14 custaria mais de US$ 150 milhões por aeronave para adquirir hoje – provavelmente muito mais para um cliente de exportação. Isso é aproximadamente o dobro do custo do principal jato de superioridade aérea da Rússia, o Su-35. Esse valor é muito além dos limites do orçamento de defesa que o Irã pode pagar. O F-14 seria hoje o caça mais caro do mundo, com a única exceção do F-22 Raptor.

Com fuselagens quase novas e devidamente modernizadas, provavelmente com assistência russa ou chinesa, o resultado será o caça mais capaz do Oriente Médio. Com o Fakour-90 herdando a qualidade e a alta precisão do AIM-54, e usando um composto de combustível mais eficaz desenvolvido com assistência russa, o míssil tem um alcance de pouco menor de 300 km (pouco menos que seu análogo russo R-33). Isso dá aos Tomcats iranianos uma faixa de engajamento aproximadamente quatro vezes maior do que o alcance do americano AIM-120B com seus 75 km e quase três vezes maior do que o mais avançado AIM-120C. O AIM-120 é o principal míssil de longo alcance da maioria dos clientes nos EUA. De fato, no caso de uma guerra regional, os Tomcats iranianos podem derrubar caças sauditas dentro do espaço aéreo saudita sem sair do território iraniano e até mesmo alvos sobre Israel se cruzar um pouco a fronteira iraquiana.

A ameaça representada por uma rápida frota de caças iranianos F-14 modernizada e crescente para os Estados Unidos e seus aliados regionais, portanto, permanece grande, e é um ativo particularmente crítico a favor do Irã, à medida que as tensões continuam aumentando no Oriente Médio.

Como os potenciais adversários do Irã responderão? Possivelmente com uma maior confiança em aeronaves furtivas, como o F-35, em versões aprimoradas da próxima geração do F-15 ou solicitando aos Estados Unidos que implantem mais de seus F-22 Raptors na região como medida de proteção. 

 


FONTE: Military Watch Magazine


NOTA DO EDITOR: A IRIAF pretende voar o F-14 até 2030.


NOTA DO EDITOR²: Em 2016 cerca de 31 Tomcats participaram de um exercício de reação rápida noturna que durou 3 dias.

38 COMENTÁRIOS

    • Bravatas, bravatas e mais bravatas….

      É só o que você tem a oferecer Xings, além de preconceito…

      Portanto caro corpo estranho, não estamos interessados

    • Então explica pra gente como alguns Su-35 resolveriam alguma coisa.

      Ou vai sumir?

      • Amigo JPC3, ele vai vir com alguma informação bombástica ou dizer que leu em algum lugar…

        Mas no fundo é tudo bravata!

      • Quando vc aperta o botão X e O juntos sai um raio de plasma em todas as direções, entendeu?

  1. Se o Irã instalasse: Radar AESA, motores mais eficientes, novos sistemas e novas armas e células novas seria uma aeronave a dar trabalho em certos cenários como qualquer outra 4,5++.
    A maior ameaça destes aviões iranianos seriam cair na casa de alguma família.
    Agora, so por que martelaram os rebites velhos, trocaram alguns capacitores da eletrônica e um pintura nova, será que aguenta puxar uns 3g sem que asas racharem?

  2. Como já disseram, o F-14 é lendário, mas nesta condição de "modernização" feito na base da tentativa e erro, sem auxílio do fabricante, em células antigas….enfim, ele vai ser um adversário complexo, mas num ambiente com adversários bem mais modernos, e também furtivos, a chance dele ser neutralizado é bem grande.

  3. Discordo quanto a quantidade de aeronaves, deve no máximo chegar a 30 unidades, anos de operações com missões de combate, acidentes e principalmente muitas unidades canibalizadas devido ao embargo reduzem muito as aeronaves no inventário.

    Quanto a parte técnica, infelizmente apesar das mudanças que os iranianos fizeram (e não sabemos) não vejo capacidade de bater de frente com novos vetores como as últimas versões de F-16 (Iraque), F-15 (Arábia Saudita e Israel) e Typhoon 2000 (Arábia Saudita) e muito menos para F-35 , F/18E/F e F-22 americanos…

  4. Discordo quanto a quantidade de aeronaves, deve no máximo chegar a 30 unidades, anos de operações com missões de combate, acidentes e principalmente muitas unidades canibalizadas devido ao embargo reduzem muito as aeronaves no inventário.

  5. Seria um ótimo teste para os F-35 "Adir" do Tio Jacó!
    Os "Persian Cats" iriam brilhar como luzes de Natal na tela dos radares AN/APG-81 dos F35!

    • Tá aí o enredo do Ases Indomáveis 3: Com muita ajuda por baixo dos panos dos chineses (ou outro inimigo do momento dos EUA), os F-14 iranianos tornam-se realmente perigosos para a IDF, então os israelenses chamam o maior especialista em F-14 vivo: Pete "Maverick" Mitchell! O maior piloto de Tomcat e atual instrutor de F-35. Além de ensinar como usar os JSF de forma mais eficiente, dá as dicas vitais (pontos fracos) para vencerem o imponente Tomcat persa! Podia rolar até um combate do Maverick contra sua antiga aeronave! E pra finalizar, rolava um roubo de um F-14, tipo o que Clint Eastwood fez em "Firefox"!

      Acho que seria um belo filme de sessão da tarde!

      Abraços!

  6. Infelizmente é só beleza e nostalgia mesmo. A tecnologia não perdoa. É o mesmo que pegar um Ford Mustang V8 da década de 70 e comparar com um Mercedes Classe A45 AMG de 4 cilindros e 400 CV hoje. Muito menor, mais eficaz, mais leve e melhor em tudo. Cada um tem seu tempo. Os iatolas estão é fazendo mídia interna para seu público sem acesso irrestrito à internet. Fazer engenharia reversa de algo da década de 70 é o mesmo que abandonar um computador e usar régua de cálculo.

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