A aeronave KC-390 deve entrar em breve em operação com a Força Aérea Brasileira.

O interesse da Boeing e da Embraer em ampliar sua parceria no avião de carga KC-390 da empresa brasileira não é segredo, com executivos de ambas as empresas discutindo a possibilidade de uma joint venture na sequência de uma união de seus negócios comerciais.

No entanto, um memorando de entendimento (MOU) de 5 de julho entre as empresas – obtido pela primeira vez e relatado pelo site Air Current – revela que a cooperação no programa KC-390 poderia ser mais extensa do que muitos imaginavam, com executivos vendo oportunidades não apenas para ajudar a Boeing comercializar o avião, mas também para fornecer conhecimentos tecnológicos e industriais.

A preponderância do documento, que parece ser assinado pelo CEO da Embraer, Paulo César de Souza e Silva, e pelo diretor financeiro da Boeing, Gregory Smith, gira em torno dos negócios comerciais da Boeing e da Embraer.

Parceria da Boeing com a Embraer para os aviões comerciais E2 pode incluir também o KC-390.

No entanto, um pequeno parágrafo aponta para a oportunidade de uma joint venture para “KC-390 New Market Sales” para “aumentar as vendas KC-390 e oportunidades de pós-venda através de esforços conjuntos em vendas, marketing, engenharia e colaboração industrial”.

Executivos da Boeing e Embraer falaram em termos gerais sobre a joint venture KC-390. No Farnborough Airshow, em julho deste ano, Smith disse a repórteres que parte de tal acordo seria “vender essa aeronave globalmente”, enquanto o chefe de defesa da Embraer, Jackson Schneider, insinuou que “uma colaboração muito mais ampla” poderia estar reservada.

No entanto, as empresas não reconheceram publicamente que a Boeing poderia assumir um papel no desenvolvimento de tecnologia ou na fabricação – uma perspectiva que o MOU parece aludir, dando peso a relatórios recentes de que a Embraer poderia construir uma fábrica nos Estados Unidos para a montagem do KC-390.

Richard Aboulafia, analista aeroespacial do Teal Group, disse que o know-how de engenharia da Boeing seria útil para a Embraer no desenvolvimento de novas variantes do KC-390 feitas para uso pelo governo dos EUA – a forma mais provável de colaboração de engenharia que poderia ocorrer.

Parceria com os EUA pode envolver desenvolvimento das novas versões do KC-390.

“Eu imagino que as versões de forças especiais em particular seriam importantes, e um roteiro geral de desenvolvimento de produtos futuros, é claro”, disse ele. “Clientes internacionais gostam de um produto com um longo futuro à frente.”

Uma estratégia para criar um império comercial aeroespacial… mas e a defesa?

O MOU foi assinado no mesmo dia em que as empresas anunciaram que a Boeing ficaria com 80% das ações comerciais da Embraer. O documento estabelece um plano para isso, com o braço comercial da Embraer se tornando “NewCo”, uma subsidiária totalmente integrada da Boeing que permaneceria como uma entidade brasileira.

Os detalhes das mudanças planejadas nos negócios de defesa da Embraer ou da Boeing são escassos, com apenas o parágrafo único no KC-390 oferecendo informações sobre a possível colaboração.

Quando o documento menciona o lado de defesa da Embraer, é principalmente para estipular que a Embraer manterá o controle de seus produtos de defesa e segurança e para amenizar os temores do governo brasileiro de que poderia renunciar a algumas de suas vantagens tecnológicas.

O MOU afirma que seu objetivo é criar uma parceria que “mantenha e aumente a capacidade de defesa e segurança brasileira de uma maneira que retenha a soberania e o controle nacionais brasileiros” e anote em vários lugares que a “golden share” do governo será preservada, permitindo ao Brasil vetar mudanças no controle da empresa.

E enquanto alguns especularam que o acordo Boeing-Embraer poderia abrir caminho para a Boeing desempenhar um papel em alguns dos outros projetos de defesa da Embraer, como o A-29 Super Tucano que a Força Aérea dos EUA está comprando para o Afeganistão e está considerando comprar por si só, o MOU não apresenta nenhum plano desse tipo.

O “negócio de defesa e segurança, com capacidade de desenvolvimento de produtos de ponta a ponta, permanece com a Embraer, incluindo as plataformas Super Tucano, KC-390, F-X2 e vários sistemas C4ISR e todos os aspectos (projeto, fabricação, teste, certificação, venda, etc.) de tais produtos e sistemas, bem como todas as formas de apoio e outros serviços pós-venda para tais produtos e sistemas (mods, logística, MRO, treinamento, etc.,” afirma o MOU.

Embora os detalhes sobre a colaboração em defesa sejam limitados, os executivos da Boeing e da Embraer falaram publicamente sobre possíveis áreas de cooperação além do KC-390 – deixando a porta aberta para o futuro envolvimento da Boeing em produtos como o Super Tucano. Raul Jungmann, ministro da Defesa do Brasil, também falou da parceria entre Embraer e Boeing como “muito intersetora e muito positiva” em uma entrevista de dezembro de 2017, mas com poucos detalhes sobre uma possível expansão.

As autoridades da Embraer parecem especialmente interessadas em oportunidades para aeronaves de missões especiais usando jatos executivos da Embraer. Como a Boeing não fabrica aeronaves do tamanho de jatos comerciais, esse produto poderia ajudar a empresa norte-americana a se expandir para novos mercados, enquanto a Embraer se beneficiaria do marketing e do know-how pós-mercado.

“Acho que temos aplicações muito interessantes em termos de jatos executivos – muito criativas”, disse Schneider em Farnborough. “Já tivemos algumas soluções que poderiam ir ao mercado para treinamento, para evacuação médica, para inspeções de aeroportos, mas há muitas outras oportunidades, alternativas que podemos explorar juntas, também nesta joint venture. Vamos começar uma conversa para ver como podemos explorar juntos soluções de missão especial para o mercado.”


Fonte: Defense News

15 COMENTÁRIOS

  1. Apenas o gigantesco Lobby da Boeing no mercado americano já ajudaria com as vendas do KC-390.

    • Então que ela consiga a venda, depois se instala uma parceria para montagem lá. O negócio funciona assim no mundo todo, não o contrário.

  2. Será apenas céu de brigadeiro para a Embraer ? Tou achando certos parâmetros de venda, marketing, know how, falas bonitas e certos parágrafos mau esclarecidos bem estranhos… Empresas do porte da Boeing não costumam ser tão mui amigas… O pessoal da Mcdonnell Douglas sabem muito bem disso !

    • O pessoal da McDonnell Douglas trabalha na Boeing, exceto os que se aposentaram.

  3. Enquanto a desconfiança permanecerá até o fim nas mentes de muitos, eu continuo tendo plena convicção que tremendos benefícios terá a Embraer e seus produtos com esta Joint Venture. E agora se expõe esta fanástica possibilidade aos produtos do setor de defesa, que ao invés de viver de migalhas poderá dar um salto incrível a nível global como fornecedor de aeronaves militares para vários países e em quantidades relevantes.

  4. Teremos a real noção do que esse acordo (Boeing/Embraer) resultará somente daqui há alguns anos. No momento tudo parece muito belo, lindo e maravilhoso, parece um casamento onde a Embraer está para a 'noiva'. No mundo dos negócios nem tudo são flores. Quem viver verá!

  5. Em toda fusão, uma empresa engole a outra, não dá pra saber se será bom ou ruim. Mas para quem imaginava um Brasil produzindo coisas independente como a Suécia, China, ou até mesmo a Índia, o futuro não parece promissor. Se instalar a linha de montagem lá nos EUA aí fica pior ainda o cenário.

    • A China e a Índia bancam suas fábricas com impostos. A Suécia exporta, mas pouco. Está fora do orçamento brasileiro mesmo o investimento parcial da Suécia. Projetar caças, fragatas ou carros de combate não dá.

      Hoje, eu colocaria o dinheiro em UCAVs leves e médios.

  6. No mundo todo é assim, abre-se uma concorrência, parceiros locais apresentam projetos próprios, ou de parcerios estrangeiros e aí, após confirmação de vitória do certame, se estabelece uma linha de montagem no país. Só no Brasil que este iluminados de araque inventam de colocar o carro na frente dos bois. Ô povinho burro!!!

    • Não existe no artigo a expressão "linha de montagem" e sim parceria. Parcerias podem ser feitas antes da concorrência. É óbvio que linha de montagem só após pedido firme.

      O texto abaixo é de 2010 e se refere ao futuro programa T-X:

      "The US Air Force may be within months of launching a contest to replace the Northrop T-38 Talon'.

      O texto apresenta as parcerias que estavam sendo formadas ANTES do lançamento da concorrência.
      https://www.flightglobal.com/news/articles/us-air

      • Não me refiro a esta notícia em específico, mas tudo que está sendo desenhado até aqui.

        Está notícia tem por função adoçar a trolha, antes de ser empurrada.

  7. Nunca vai ser um Hércules, o KC390 morre com os pedidos ja firmados.
    Eu sei que eu sou chato mas a aeronave não faz o mesmo que um Hércules somado a maior velocidade, ele faz menos e se o objetivo é desempenho existe o C17.
    o Hi-Lo C130+C17 é imbatível.

  8. Só tem um probleminha nesta extensão militar da parceria Boeing-Embraer…
    Os executivos assinam um entendimento sem perguntar nada ao DONO do projeto do KC-390… A FAB…
    Mas como as unidades que fabricam os componentes do KC-390 vão junto para a nova "NewCo" subsidiária integral da Boeing de um modo ou de outro se a FAB quiser um segundo lote do KC-390 mais adiante terá que comprar seus componentes na Boeing e eventualmente terão de se sujeitar a permissões do Congresso Americano para a aeronave de sua propriedade intelectual…
    E só para LEMBRAR a tal da "NewCo" subsidiária integral da Boeing só possui no seu inventário elementos físicos e instalações do antigo braço Comercial da Embraer. A Boeing entrou com 0% nesta joint-venture.
    E fica com controle gerencial, colocará seus engenheiros comandando e aprendendo toda a expertise brasileira duramente conquistada num mercado que a Boing nunca conseguiu atuar e fica com 80% das ações e lucros futuros…
    BAITA NEGÓCIO DE MERCADO…

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