Com sua Interface Homem-Máquina (IHM), o Gripen é fácil de pilotar e manobrar para o piloto, o que é comprovado no curso. Apenas após uma hora, os pilotos são capazes de pilotar o Gripen nos simuladores. (Foto: Saab)

Um grupo de pilotos de caça e controladores de voo da Força Aérea Brasileira (FAB) recentemente realizou um curso de combate no Centro de Simulação de Combate da Força Aérea Sueca (Flygvapnets Luftstrids Simulerings Centrum, FLSC) em Estocolmo, na Suécia.

Durante o curso de uma semana, 16 pilotos de caça, quatro controladores de voo e funcionários da Força Aérea Brasileira compareceram. Durante a semana, eles tiveram a oportunidade de treinar diferentes cenários complexos em simuladores e aprender técnicas básicas de combate, datalinks táticos e conscientização situacional no Gripen em simuladores.

“Precisamos entender o sistema de caça Gripen antes de ser entregue ao Brasil. Estamos aqui tentando reunir o máximo de conhecimento e respostas possíveis para tornar a implementação o mais tranquila possível. Quando o Gripen chegar, queremos estar preparados e prontos para usá-lo como uma plataforma operacional. Já treinado e com todos os conceitos no lugar. Esta semana aqui no FLSC é um grande passo para isso”, disse o Coronel Ricardo Rezende, líder da equipe Fox responsável pelas questões operacionais de implementação e desenvolvimento de conceitos operacionais do Gripen no Brasil.

Capaz de voar quase imediatamente

Esta é a quarta vez que a Força Aérea Brasileira está conduzindo o curso. Em seus preparativos, eles tiveram algumas horas de estudos teóricos no Brasil, principalmente para se familiarizarem com os controles no cockpit do Gripen e como usá-los. Além disso, todos os pilotos têm uma experiência de voo de pelo menos 500 horas de voo em um avião de caça.

Até oito pilotos (a partir do próximo ano 12) podem, ao mesmo tempo, usar os simuladores na instalação do FLSC, um dos seus na Europa.

Durante o curso, eles vão da teoria à prática quase imediatamente e o grau de dificuldade nos cenários aumenta muito rapidamente, terminando em um cenário de combate BVR (Além do Alcance Visual) muito complexo.

“Apenas depois de uma hora aqui no centro, os pilotos conseguem pilotar o Gripen nos simuladores. Eu diria que essa é uma das vantagens do Gripen e por que a aeronave é mais inteligente. Não é apenas por causa de seus radares, sensores, armas e outros recursos, é porque é fácil de usar e manobrar para o piloto com uma excelente Interface Homem-Máquina (IHM). Isso é algo que podemos ver aqui nos simuladores”, diz o coronel Ricardo Rezende.

Preparado para uma implementação tranquila

Quatro dos pilotos do curso serão pilotos do Gripen no futuro. No entanto, todos os participantes do curso estarão de alguma forma envolvidos no futuro processo de implementação do Gripen no Brasil.

O capitão Luca Centurione, piloto de caça da Força Aérea Brasileira, hoje pilota o F-5. Ele é um dos pilotos selecionados que irão pilotar o Gripen no futuro. “Estou ansioso pela entrega, o Gripen possibilitará a proteção do nosso país”.

“Esta oportunidade que temos aqui, de poder treinar nesta instalação, realmente melhora nosso treinamento e preparação para uma implementação tranquila do sistema Gripen. Nós não temos esse tipo de simuladores e instalações no Brasil. Se vamos treinar esse tipo de missão em nosso país, precisamos usar nossa aeronave real. Isso exige muitos recursos, tanto para pessoal quanto para tempo e dinheiro, por isso não é fácil”, diz o capitão Luca Centurione, um dos futuros pilotos do Gripen.

Uma facilidade única

O curso foi realizado no Centro de Simulação de Combate da Força Aérea Sueca (Flygvapnets Luftstrids Simulerings Centrum, FLSC, parte da FOI, a Agência de Pesquisa de Defesa da Suécia) que é uma instalação de simulação líder mundial em combate aéreo tripulado, muitos-para-muitos. No FLSC, a FOI e a Força Aérea Sueca têm, desde 1998, cursos de treinamento de simulação operacional e exercícios para pilotos e para controladores de combate e outros funcionários de várias nações. Exercícios nacionais também são conduzidos regularmente, testando conceitos no nível do Air Operations Center (AOC).

O piloto experimental de testes André Brännström da Saab foi um dos instrutores durante o curso. Aqui em conversa com o Coronel Ricardo Rezende, Líder da Equipe Fox, da Força Aérea Brasileira.

“O recurso de simulação é, se não único, um dos poucos do seu tipo na Europa, onde o foco é nos cenários táticos. A configuração do simulador não é destinada ao treinamento de proficiência re-ocorrendo, mas sim combinando vários simuladores man-in-the-loop em um cenário congestionado com forças geradas por computador. Oito pilotos, a partir do próximo ano serão 12, podem, por exemplo, voar em dois (ou três) grupos de 4 aviões contra configurações de ameaças relevantes, incluindo um grande número de unidades simuladas definidas por regras, como outras aeronaves, sistemas de defesa aérea ou navios. No caso brasileiro, combates BVR. A FAB descreveu suas necessidades e requisitos para o curso e produzimos cenários que combinam com isso. Pronto quando chegaram aqui”, disse Niclas Lagerbäck, responsável pelas operações táticas no FLSC.

Fortalecendo as relações

A Força Aérea Brasileira ordenou o curso da FOI e a Saab contribuiu com dois pilotos de teste do Gripen como instrutores durante a semana, apoiando os pilotos com bons conselhos do ponto de vista operacional.

O Coronel Ricardo Rezende, da Força Aérea Brasileira, lidera a equipe da Fox que tornará a implementação do Gripen no Brasil o mais suave possível.

“Essa é uma cooperação muito importante entre a Força Aérea Brasileira, a Saab e as Forças Armadas Suecas. É uma excelente oportunidade para mostrar o sistema Gripen aos pilotos brasileiros e também uma oportunidade muito boa para fortalecer nossas relações bilaterais, conhecendo uns aos outros e aprendendo com as experiências uns dos outros”, disse Lars Nyström, diretor de vendas e marketing do Gripen Brasil Saab Aeronautics.

Um casamento em tecnologia

A produção dos 36 caças Gripen para o Brasil está em plena velocidade na Saab e as entregas para o país começarão em 2021.

O segundo protótipo do Gripen E durante o primeiro voo no final de novembro.

“O Gripen atualizará a Força Aérea Brasileira como sendo de última geração. Não estamos apenas comprando a aeronave, mas também estamos recebendo uma troca de experiências com o povo e o país sueco. Minhas expectativas para o futuro são muito maiores do que a própria aeronave. Para mim, é um relacionamento, um casamento em tecnologia, ciência e experiência entre nossos países. Estamos aprendendo com eles e eles está aprendendo conosco”, conclui o Coronel Ricardo Rezende.

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