A Polônia quer os novos caças até 2024, para substituir os seus Su-22 e MiG-29. (Foto: Hesja Air-Art Photography)

O chefe do Ministério de Defesa polonês, Mariusz B?aszczak, emitiu uma recomendação dirigida ao Chefe do Estado Maior da Polônia, para acelerar o programa de aeronaves de caça de nova geração, visando agilizar a introdução de um sucessor dos jatos de combate MiG-29 e Su-22 da Força Aérea Polonesa.

Em um breve comunicado de imprensa, o ministério polonês anunciou o seguinte: “O Ministro Mariusz B?aszczak recomendou que o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas polonesas acelerasse a implementação do programa, cujo resultado viria na forma de aquisição de uma nova geração de aeronave de caça que criaria uma nova qualidade em operações aéreas e de suporte. A aeronave de combate vai operar em A2/AD e em ambiente centrado em rede, e vai trabalhar em conjunto com o componente dos ativos de aviação dos aliados.”

O Ministério da Defesa polonês provavelmente se referiu ao novo programa de aeronaves de combate Harpia. O trabalho analítico relativo à aeronave multifuncional de nova geração começou no final do ano passado. Duas tarefas foram definidas, no âmbito do programa Harpia.

A análise de mercado relativa a uma aeronave de combate multifuncional envolverá as seguintes entidades: Saab AB; Lockheed Martin; Boeing Company; Leonardo S.p.A .; e Fights-On Logistics.

Su-22 polonés. (Foto: Hesja Air-Art Photography)

Quatro das empresas listadas: Saab, Lockheed Martin, Leonardo e Boeing – são empresas internacionais que fabricam aviões de caça multi-funções. A Fights-On Logistics, por outro lado, estava trabalhando na área de introdução dos jatos F-16 na Polônia, quando eles foram adquiridos. Agora oferece serviços relacionados à introdução e suporte de operações de aeronaves de combate.

Detalhes da oferta não foram divulgados neste momento. A Saab de oferecer Gripens (na variante NG), a Lockheed Martin pode propor as plataformas F-16 e/ou F-35, enquanto a Boeing deve oferecer seus caças F-15 ou F/A-18, e a Leonardo provavelmente irá propor o Eurofighter Typhoon. Os jatos de ataque leve M-346FA Masters também foram promovidos como um potencial substituto do Sukhoi Su-22.

Enquanto isso, a análise de mercado com relação à “capacidade de realizar interferência eletrônica aérea” envolve as seguintes entidades: Saab AB, Elbit Systems EW e SIGINT – Elisra Ltd., e Griffin junto com a Elta Systems Ltd.

A declaração do MoD relativa à aceleração do programa Harpia foi publicada em paralelo com as informações relativas ao Programa de Desenvolvimento das Forças Armadas, relativas ao período até 2026. Este é o último passo que precede a emissão do Plano de Modernização Técnica que abrange o mesmo período e possibilitando a conclusão de acordos, com pagamentos programados para acontecer dentro desse período. Assim, pode-se supor que a plataforma Harpia será introduzida durante o período de validade deste programa.

Caças MiG-29 poloneses.

Os MiG-29 (30 aeronaves em serviço) e os Su-22 (18 em serviço) devem ser substituídos pela nova aeronave. Para substituí-los numa razão de 1:1, seria necessário adquirir cerca de 48 jatos. A Força Aérea da Polônia está disposto a adquirir até 64 plataformas dentro do programa Harpia. Não é segredo que o uso operacional do caça legado está se tornando cada vez mais difícil. Por outro lado, como afirmado durante o “Centenário da Aviação Polonesa. Prospects of Development”, pelo Brigadeiro General Jacek Pszczo?a, inspetor da Força Aérea no Comando Geral das Forças Armadas, os jatos antigos não devem ser retirados repentinamente, antes da introdução do sistema Harpia, para manter a proficiência de voo.

O brigadeiro Pszczo?a, explica: “Em sua recente resposta a uma questão parlamentar, o vice-chefe do Ministério da Defesa polonês, Wojciech Skurkiewicz, disse que o financiamento do programa de Harpia está programado para começar a partir de 2020, o que significa que um acordo deve ser assinado com a entrega de novas plataformas a partir de 2024. Este cronograma é bastante ambicioso, considerando a natureza complicada do programa”.

Isso significaria que a partir da finalização da fase analítico-conceitual, até o momento em que o contrato é assinado, deve decorrer menos de dois anos. Considerando os outros programas, e a forma como o progresso é feito dentro deles, isso será difícil de ser alcançado. A título de comparação, no caso do programa Wis?a, as análises conceptuais foram concluídas em 2014, sendo os contratos foram assinados em março deste ano.

Aeronaves Su-22, MiG-29 e F-16 da Força Aérea Polonesa. (Foto: Filip Modrzejewski)

A introdução parcial das plataformas já operadas pela Força Aérea polonesa (F-16V ou M-346FA) poderia ser um meio potencial de acelerar a introdução de uma nova aeronave. A introdução de tais jatos seria um pouco mais fácil do ponto de vista do treinamento e da criação do sistema de apoio operacional que tem sido, pelo menos parcialmente, incorporado na estrutura das Forças Armadas, por enquanto.

O Ministério da Defesa também enfatiza o fato de que a nova aeronave deve ser capaz de trabalhar em um ambiente A2/AD e centrado na rede, e também elevar a qualidade em operações de apoio aéreo / batalha a um nível totalmente diferente. Assim, a aeronave deve ser capaz de executar tarefas SEAD e de trabalhar em condições de negação de área. Deveria também poder trabalhar diretamente com os aliados, no âmbito dos sistemas conjuntos de comando de nova geração. A nova geração do programa MRCA tem sido uma das prioridades da Revisão Estratégica de Defesa e sua versão pública, no Conceito de Defesa da Polônia.

4 COMENTÁRIOS

  1. Mais um pássaro que, de tão anacrônico, é bonito: o Su-22. Num paralelo maluco com automóveis, me lembra um Lamborghini Countach LP400S, 1978, todo cafonão, com interior vermelho e aerofólio, mas uma obra de arte, clássico.

    Para a OTAN, o valor militar do Su-22 é mínimo — os estrategistas deixam esse tipo de aeronave lá no fim da fila dos vetores úteis, um bicho analógico a ser utilizado quando a "festa" já está acabando, sob controle, pois quase não tem o que bombardear — se tiver…

  2. Tanto MiG-29, quanto Su-22 ainda irão operar por vários anos nessa Força Aérea. Como o texto diz, a retirada não pode ser repentina. A Polônia vai seguir com certeza em 1 ou 2 direções no futuro: ou o F-16V aproveitando grande parte da infraestrutura dos 48 F-16C/D Block 52+ já operados ou na direção do F-35 se a OTAN/EUA quiserem jogar pesado na vizinhança dos Russos, ou as duas opções.

  3. Faria todo sentido para a Polônia um Mix de F-35 – Master ou mais F-16.
    Vejo algumas chances para Gripen, e nenhuma para Typhoon, apesar do Gripen caber como uma luva substituindo os vetores solicitados no ambiente requerido.