A Boeing demonstra mais flexibilidade para fechar acordo com a Embraer.

Executivos da fabricante americana circularam ontem por Brasília e Rio para tentar acelerar operação; entre sinalizações estão a garantia de autonomia da Embraer em projeto de caças com a Saab e a criação de um polo de produção de componentes no País.

A Boeing sinalizou que Embraer teria autonomia em projeto de caças, transformação do País em polo de produção e manutenção do poder de veto do governo.

O governo brasileiro recebeu três sinalizações da Boeing no processo de negociação com a Embraer: garantia da autonomia à parceria entre Saab e Embraer na produção dos caças Gripen; transformação do Brasil em um novo polo de produção de componentes dos aviões Boeing fora dos Estados Unidos; e manutenção, como exigem as autoridades brasileiras, do poder de veto do governo na empresa de São José dos Campos (SP).

Jato Embraer E195-E2.

Os esclarecimentos tentam captar o apoio do governo e diminuir preventivamente a resistência que poderá surgir nos setores políticos, na opinião pública e eventualmente no Judiciário, num momento em que o Palácio do Planalto e área econômica já enfrentam batalhas pela reforma da Previdência e pela pulverização das ações da Eletrobrás – que o governo se recusa a chamar de privatização.

A intenção da Boeing é acelerar conversas, principalmente nos ministérios da Defesa e da Fazenda e no BNDES, para evitar que as negociações se estendam até o início oficial da campanha eleitoral. A empresa americana não quer virar alvo dos palanques, para não reavivar o imbróglio do FX-2, programa de renovação dos caças da FAB vencido pela sueca Saab em detrimento da Boeing e da francesa Dassault.

Presidente da Saab.

Ontem, a presidente da Boeing para a América Latina, Donna Hrinak, ex-embaixadora dos EUA no Brasil, circulou por Brasília, enquanto quatro representantes da empresa faziam reuniões no BNDES, no Rio, para esclarecer que serão protegidos interesses do Brasil em temas como a transferência de tecnologia na parceria SaabEmbraer para produção dos caça Gripen no Brasil, alvo de questionamento dos parceiros suecos (leia mais abaixo).

A mensagem é que a Boeing concorda com a blindagem do projeto Gripen, que permaneceria autônomo mesmo com eventual negócio entre as duas empresas. Um dos argumentos para a autonomia do projeto Gripen é que Boeing e Saab têm parceria desde 2013, nos EUA, no desenvolvimento e fabricação do T-X – avião para treinos militares – e que o projeto não gerou conflito entre as empresas.

Boeing e Embraer já participam em conjunto de desenvolvimento de biocombustíveis.

A empresa também sinalizou que aceita manter o poder de veto do governo brasileiro – por meio da chamada golden share – sobre o futuro dos negócios da empresa brasileira. Não está totalmente claro em que termos, já que o desenho do negócio entre Embraer e Boeing ainda está no início e nem chegou à cúpula política do governo.

PEÇAS

Para angariar apoio às negociações, houve indicação de que, se a transação for fechada, o Brasil poderá ser o quarto polo de produção de componentes da Boeing, ao lado de Austrália, Canadá e Reino Unido. A inclusão do Brasil abriria horizontes para a indústria aeroespacial brasileira, que atualmente passa pela conclusão de três ciclos: desenvolvimento do KC390 na área de defesa, lançamento da segunda família de jatos de médio porte E-Jets e maturidade da linha de jatos executivos Legacy.

A Saab e a Boeing são parceiras no treinador avançado T-X.

Os americanos defendem que engenheiros e técnicos que trabalham nesses projetos ganhariam poderiam atuar em projetos da Boeing – que, segundo fontes, tem enfrentado envelhecimento do corpo técnico.

Procurada, a Boeing não respondeu até o fechamento da edição. A Embraer não se pronunciou. A Saab não comentou as negociações, mas a assessoria frisou que a empresa não tem intenção de cancelar qualquer cooperação com o Brasil.


Fonte: O Estado de São Paulo – Eliane Cantanhêde / Fernando Nakagawa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Esqueça Boeing. Vc está um pouco atrasada.
    O mercado de aviões regionais estará em breve saturado.
    A parceria da Bombardier com a Airbus, a entrada da Sukhoi, da Mitsubishi e principalmente da COMAC chinesa devem acirrar em muito a competição.
    Segundo li, o ARJ-21 da COMAC já tem centenas.principalmente no mercado do mundo. A China.
    É Boeing.
    Infelizmente, vc está um pouco atrasa para a festa.

    • O mercado de aviões regionais não está de forma alguma saturado, pelo contrário, o que tem de aviões esperando pra dar baixa não é pouca coisa, inclusive as versões mais antigas dos Boeing 737 e dos A320s vão acabar sendo substituídos em grande parte por aviões menores… Nós não vemos muito isso mas em regiões mais densas e com maior número de voos, a competição está tendendo a um maior número de voos contra maior capacidade de passageiro por voo.

      Quanto mais competitivo fica o setor aéreo, mais necessidade de aviões menores haverá, essa é a tendência, inclusive se vc olhar bem a grande maioria dos jatos produzidos por Boeing e Airbus, vai ver que a maior parte são de A320 e 737.

  2. O tato concreto é que a Boeing foi pega de surpresa pela manobra inteligente da Airbus com a Bombatdier.
    Agora, tenta correr atrás do prejuízo.

  3. O tato concreto é que a Boeing foi pega de surpresa pela manobra inteligente da Airbus com a Bombatdier.

  4. A Boeing quer os E-2, depois que tiver transferido sua linha para suas dependencias a linha militar é o que menos interessa.

  5. Não é bem uma salvaguarda, a Boeing sabe que o setor militar da Embraer é insustentável, por isso ela só foca onde compensa.

  6. Estou torcendo para que esse negócio se concretize. A Boeing chegou atrasada com relação a que? A fusão anterior impediria o desenvolvimento das concorrentes?
    Dessas, a China é a que mais preocupa pois só a demanda interna já justifica o investimento.
    Transferir e concentrar a linha de montagem e ir na contramão de tudo que está acontecendo no mundo e dentro da própria Boeing?
    Embraer tem muitos anos de mercado, Osires Silva inegavelmente tem todos os adjetivos para avaliar de forma serena esta fusão e se mostrou favorável. Saab não se opôs de forma enérgica. Nada justifica qualquer tipo de histeria até o momento.
    Mais fácil para o Brasil produzir algumas partes de um produto global e chancelado pelo governo dos EUA, que é quase o dono do mundo, do que enfrentar sozinho este desafio que cada dia se mostra mais arriscado, para dizer o mínimo.
    Só o fato de possibilitar o financiamenro dos produtos com o selo da Embraer através do crédito americano, já dá um impulso grande para essa fusão.

  7. Vai sair mais barato terem nos roubado nessa ToT de 36 gripens do que manter a Embraer via BNDES e esse acordo criminoso fab/embraer, então vende logo, leva tudo para os states! lol

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