Embraer KC-390 taxia no Paris Air Show 2019. (Foto: Embraer)

O Ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, disse na abertura do Paris Air Show (17/06) que a decisão sobre a compra das aeronaves KC-390 deverá ser anunciada “durante as próximas semanas” e sublinhou que o modelo de médio porte conta com tecnologia portuguesa.

“Estamos próximos de uma decisão sobre essa matéria. Hoje foi publicada a Lei de Programção Militar de maneira que eu espero durante próximas semanas, mês a mês e meio estaremos em condições de anunciar algo sobre isso”, declarou João Gomes Cravinho.

O governante falava aos jornalistas junto ao ‘stand’ de Portugal no Paris Air Show, uma das maiores feiras de aeronáutica do mundo, realizada de dois em dois anos nos arredores da capital francesa.

Entre reuniões com diversas empresas do setor da defesa e da aeronáutica, o ministro da Defesa enalteceu o papel de Portugal na construção do KC-390, que acontece, em parte, na OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A, com peças fabricadas em Portugal e tecnologia desenhada por engenheiros portugueses.

A primeira demonstração comercial do avião de transporte tático e estratégico fabricado pela Embraer KC-390, foi realizada na abertura do Paris Air Show.

Demonstração do KC-390 no Paris Air Show 2019. (Foto: Embraer)

Em dia de publicação da Lei de Programação Militar, o ministro não quis alongar-se sobre outros possíveis negócios para as Forças Armadas, afirmando que a sua presença visou “reforçar a Força Aérea Portuguesa” e o “malha econômica empresarial” portuguesa, mostrando-se ainda confiante no desenvolvimento do setor da aeronáutica em Portugal.

“Ainda é um setor jovem em Portugal e muito dinâmico, que foi criado na última década e é um setor com futuro. É um setor em expansão, muito promissor e são os cursos de engenharia aeronáutica com maior média de entrada nas universidade portuguesas e há boa razão para isso. Os nossos jovens engenheiros saem das universidades e têm logo empresas à espera para os recrutar”, disse o governante.

Num curto discurso no stand português, e ao lado do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, o ministro da Defesa Nacional sublinhou que o setor da aeronáutica já ultrapassou o setor do vinho a nível de exportações.

O ministro da Ciência, da Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, também marcou presença no certame, que junta em Paris mais de 2.000 expositores de 48 países e onde passam mais de 300 mil visitantes, com demonstrações de novos modelos de aviões e helicópteros, comerciais e militares.

A Lei de Programação Militar, que define os investimentos para as Forças Armadas de Portugal até 2030, prevê a substituição das aeronaves C-130 por novos aviões de transporte tático, com uma dotação de 827 milhões de euros.


Fonte: Notícias ao Minuto – Edição: Cavok

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6 COMENTÁRIOS

  1. Que noveleta. Conseguiram o desconto e agora estão enrolando pra dizer se querem ou não. Ou é muita soberba ou estão na míngua, sem cash. Acredito que são as duas coisas e não me surpreenderei se mandarem alguma desculpa esfarrapada desistindo da compra. Eles estão vendendo seus F-16 e não tem planos para nada novo. Parece que querem manter apenas o básico para cumprir com suas obrigações com a OTAN.

    • Portugal recebeu como doação um lote de caças já com objetivo de moderniza-los para venda. Os americanos volta e meia fazem uma graça com Portugal pelo uso da Base dos Açores, mesmo que o negócio em si não faça parte diretamente do acordo.

    • A sua resposta revela alguma ignorância e algum preconceito também.

      827 milhões de euros (mais de 900 milhões de dólares) por cinco unidades do KC-390 é um valor demasiado salgado, para um avião que procura penetração no "mercado NATO", para um avião que é maior desafio tecnológico do fabricante e sobre o qual não existe ainda sequer um simulador de voo – mas que já estará orçamentado nesta compra.

      É simplesmente um preço demasiado elevado, ainda para mais face à concorrência, que está firmemente implantada no mercado, com um produto mais barato e com ampla experiência nas mais difíceis latitudes – C-130(J) – além de disponibilidade peças, simulador de voo, etc.

      O produto da Embraer precisa ganhar mercado. É o KC-390 que precisa de provar o que vale.

      Não entendo quando afirma que o governo do meu país revela soberba aquando da negociação de uma aquisição militar, pois qualquer governo, em qualquer parte do mundo, quer sempre o melhor produto, ao melhor preço possível. Chama-se a isso negociar.

      Quanto a estarmos à míngua, relembro que os 827 milhões de euros fazem parte de um programa de investimento militar (de cerca de 5 mil milhões de euros), porque de facto o meu país está a crescer economicamente e vai reformar as forças armadas.

      Mas sobre crescimento económico não me queria alongar mais.

      Quanto a manter o básico no cumprimento das obrigações NATO. O meu país está bem acima dos "mínimos olímpicos" que outros países fazem, como por exemplo a Hungria, ou a República Checa, que na força aérea mantêm uma diminuta esquadra de 14 caças (Gripen) em Leasing, e nem Marinha (que é a arma que mais recursos requer) têm.

      Saudações

      • O preço já foi baixado, resta aos seus líderes serem claros e objetivos em relação aos seus reais interesses.
        Ficar enrolando para anunciar uma compra em relação a qual já conseguiram o que queriam, dá margens para desconfianças.

    • Penso que deveria estar mais satisfeito pela Embraer estar prestes a assinar a primeira venda internacional do KC-390, e não o contrário, ficando reclamando do comprador.

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