O McDonnell YF4H-1 Phantom II “142259” foi usado no projeto Top Flight. Esta aeronave, o primeiro protótipo, foi perdido num acidente em outubro de 1959. (Foto: U.S. Navy)

O jato de combate bimotor F-4 Phantom II, da fabricante McDonnell, que atingia velocidades máximas superiores a duas vezes a do som, e foi um dos caças mais versáteis já construídos. Para o Projeto Top Flight, um dos protótipos do Phantom II, YF4H-1, foi especialmente preparado para quebrar um recorde de altitude.

O F-4 serviu na primeira linha de mais forças aéreas ocidentais do que qualquer outro jato. Apenas 31 meses após seu primeiro voo, o F-4 foi o caça que voou mais rápido, mais alto e que tinha o maior alcance da Marinha dos EUA. Voou pela primeira vez em 27 de maio de 1958 e entrou em serviço em 1961.

A décima segunda aeronave a sair da linha de produção (BuNo 145311) foi oficialmente dedicada ao teste de desempenho da aeronave e de seus motores. Na prática, isso definia o programa World Speed ??Record. Estimulada pelos resultados da segunda etapa da NPE (Avaliação Preliminar da Marinha) de julho de 1959, a Marinha naturalmente queria colocar o espetacular desempenho do protótipo YF4H-1 nos livros de recordes.

Tragicamente, a primeira tentativa de um recorde mundial de altitude, no Projeto Top Flight, custou a vida de um piloto de testes da empresa, Gerald Huelsbeck, quando no seu 295º voo, o primeiro protótipo do Phantom (142259) perdeu um porta de acesso do motor em uma alta altitude, voando acima de Mach 2, e o fogo subseqüente destruiu a aeronave. “Zeke” Huelsbeck ficou preso no cockpit por enormes forças G.

Como explicado por Peter E. Davies, em seu livro Gray Ghosts, U.S. Navy and Marine Corps F-4 Phantoms, o segundo protótipo (BuNo 142260) foi equipado com injeção de água e foi voado pelo Comandante Lawrence Earl Flint Jr., da Marinha dos EUA, em uma série de doze voos balísticos subindo para 50.000 pés na potência máxima entre outubro e dezembro de 1959. A aeronave foi desprovida de radar e outros itens não essenciais, incluindo o banco traseiro. A rotação do motor, as taxas de fluxo de combustível e as configurações do bico de pós-combustão foram todas ajustadas para maior empuxo. Flint alcançava velocidades de até Mach 2,41 antes de subir como uma foguete na Base Aérea de Edwards, e colocando o jato numa subida direta, atingindo 3,5g e cinquenta graus de inclinação.

Em direção ao ponto mais alto de cada subida vertical, o fluxo de combustível era cortado momentos antes para evitar o superaquecimento, pois os pós-combustores “explodiriam” pela falta de oxigênio acima de 65.000 pés. Na atmosfera pura e não poluída, a escuridão era tão intensa que quando a sombra de Flint ficava sobre o painel de instrumentos, ele não conseguia ver os mostradores. No topo do voo, quando os motores General Electric J79 eram desligados, a velocidade recuava para cerca de 45 mph e a aeronave entrava em um mergulho até os 45.000 pés, onde posteriormente os motores eram religados e o jato voltava ao voo controlado.

O YF4H-1 “142260” foi o segundo protótipo do Phantom, e atingiu o recorde de altitude no final de 1959. (Foto: U.S. Navy)

Quando a aeronave aterrissou em um dos voos, grande parte de sua tinta laranja tinha sido removida pelo calor gerado no início do voo em baixa altitude de Flint. Os painéis exteriores do pára-brisas também foram distorcidos pelo calor.

Em um voo, Flint não conseguiu desligar o motor direito quando se aproximou do ápice de sua subida, ultrapassando em 120 por cento da RPM. Felizmente, o jato de manteve íntegro e, na inspeção pós-voo, descobriu-se que havia fundido até meia polegada da extremidade externa de cada pá de turbina.

O Comandante Flint voou doze subidas balísticas entre outubro e dezembro de 1959, cinco vezes subindo acima de 95.000 pés (28.956 metros). Durante a primeira semana de dezembro, com o pessoal da National Aeronautic Association em Edwards para monitorar e certificar o registro da FAI, ele voava três voos por dia.

A aeronave YF4H-1 Phantom II estabeleceu o novo recorde mundial para a altitude de aeronaves no dia 6 de dezembro de 1959, quando atingiu uma altura de 30.041 metros (98.559 pés). Inicialmente Flint acelerou sua aeronave para Mach 2,5 (2.660 km/h) até 47.000 pés (14.330 m) e depois subiu para 90.000 pés (27.430 m) em um ângulo de 45°. Ele então desligou os motores e deslizou para a altitude máxima. Quando a aeronave voltou para os 21.000 metros, Flint reiniciou os motores e retomou o voo normal.

A marca, pouco abaixo dos 100.000 pés (30.480 metros) que delineavam o início do espaço na época, foi submetida à Federação Aeronáutica Internacional para aprovação, superando o recorde oficial anterior de 28.852 metros fixado em julho de 1959, pelo Major Vladimir Sergeyevich Ilyushin da URSS, em um Sukhoi Su-431 (um Su-9 modificado). Este foi o primeiro dos três recordes mundiais da FAI estabelecidos pelo F-4 “142260”. Este recorde de altitude foi posteriormente quebrado por um F-104C da USAF antes do final do ano.

O Comandante Lawrence Earl Flint, Jr, após bater seu recorde de altitude no dia 6 de dezembro de 1959, usando um traje de pressão B.F. Goodrich Mark IV para proteção em altas altitudes. (Foto: U.S. Navy)

Para um inimigo em potencial, esses voos espetaculares foram uma prova dramática do potencial da nova aeronave como um interceptador de alta altitude.

Larry Flint, que havia comandado o VF-11 Red Rippers na Guerra da Coréia, era piloto de testes desde 1944 e se tornou o chefe de teste do programa espacial Apollo e gerente do programa F-14 Tomcat para treinamento das tripulações da Marinha dos EUA e da Força Aérea Iraniana (IRIAF). O comandante Flint foi premiado com a Distinguished Flying Cross pelo voo em que alcançou o recorde.

Em 1962, o Phantom II também participou da Operação High Jump, uma série de recordes de tempo para atingir determinadas altitudes: 34,523 segundos para 3.000 metros, 48,787 segundos para 6.000 metros, 61,629 segundos para 9.000 metros, 77,156 segundos para 12.000 metros (39.400 pés), 114,548 segundos para 15.000 metros (49.200 pés), 178,5 segundos para 20.000 metros (65.600 pés), 230,44 segundos para 25.000 metros (82.000 pés) e 371,43 segundos para 30.000 metros (98.400 pés).

2 COMENTÁRIOS

  1. O F104 em 1963 atingiu 36Km de altitude.

    A matéria desse link é otima, fica a dica pra algum editor traduzir.

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