Já imaginou um avião tão perigoso para seus pilotos nas mãos dos indianos?

Após a curtíssima guerra de 1962 com a China, a Força Aérea da Índia sentiu a necessidade de um moderno interceptador supersônico. Imediatamente a liderança da IAF concluiu que as aeronaves que atendiam aos requisitos eram o Eletric English Ligthning, o Lockheed F-104 Starfighter e o Mikoyan-Gurevich MiG-21.

De longe o F-104 Starfighter parecia a escolha mais óbvia, pois além de rápido, a sua aviônica era a melhor. Além disso, a sua construção era de primeira qualidade em comparação com o MiG-21 desenvolvido pela União Soviética.

O Lightning era rápido, muito rápido, mas seu armamento foi fator decisivo na para desclassificá-lo. O escolhido foi o Lockheed F-104 Starfighter.

Desde que o F-104 foi fornecido à Força Aérea do Paquistão um ano antes, em 1961, o governo indiano supôs que os EUA aceitariam o pedido dos indianos logo após a guerra de 1962 com a China e concordariam com a venda do F-104 Starfighter para a índia. Mas não, o governo dos EUA, então sob administrção de John F. Kennedy, concluiu que a venda do Starfighter à Índia seria vista como uma grande traição ao governo paquistanês.

Os EUA negaram a venda do Starfighter, mas para compensar, oferecem o Northrop F-5 Freedom Fighter. O governo indiano tomou aquilo como uma ação deliberada para envergonhar a Índia, oferecendo um produto considerado de “baixa qualidade” (anos depois, Anwar Saddat chamaria o F-5 de lixo – N.E).

Para os indianos, oferecer o Northrop F-5 Freedom Fighter em resposta a um pedido para o F-104 Starfighter foi visto como uma maneira americana de dizer “que eles eram pobres e o avião era ideal para países pobres do terceiro mundo”. Como resposta, a IAF encomendou 12 jatos MiG-21 no final de 1962 e os soviéticos entregaram em meados de 1963, mas a Índia manteve a porta aberta para os americanos esperando que a exportação do Starfighter fosse liberada, mas isso acabou se revelando um estratagema muito ruim. Em 1965 eclodiu uma nova guerra, desta vez contra o Paquistão e a IAF não tinha MiG-21 suficiente em sua frota para usá-los efetivamente na guerra.

Após o término da guerra, a Índia correu para a União Soviética para comprar mais MiG-21. O cronograma de entregas da União Soviética era excelente (em parte pela baixa qualidade do produto) e a frota cresceu num curto período de tempo.

Quando a guerra com o Paquistão em 1971 veio à tona, a IAF tinha vários esquadrões de MiG-21 prontos para o combate, com pilotos altamente treinados e motivados, resultando nos primeiros combate aéreos entre caças Mach 2, algo que o mundo esperava para ver.

Na segunda guerra contra o Paquistão (03/12/71 – 16/12/71), os MiG-21s da IAF abateram 4 Starfighters. Analistas militares em todo o mundo logo declararam que o MiG-21 foi o grande vencedor daquele conflito. A verdade é que os soviéticos capitalizaram com maestria as vitórias indianas, exaltando que um produto soviético várias vezes menos custoso era melhor que o melhor e mais caro produto que a indústria americana podia produzir. Houve um boom na vendas do MiG-21 ao redor do mundo .

O fato é que o governo dos EUA salvou a IAF. O F-104 mostrou-se um avião perigoso, recebendo o triste apelido de “fazedor de viúvas”. Metade da frota da Alemanha Ocidental foi perdida em acidentes. O Japão também teve um altíssimo índice de perdas. Todos os operadores do Starfighter tiveram perdas. A USAF retirou o caça muito antes da sua baixa prevista e assim foi ao redor do mundo, com o F-104 sendo prematuramente retirado de serviço. O governo dos EUA salvou a IAF. Salvou os indianos de perderem todos seus aviões muito antes do tempo, pois e com o MiG-21 eles já tem um elevado índice de perdas, imagina voando com o F-104…


– Giordani –

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65 COMENTÁRIOS

  1. É bom lembrar na função de interceptador o desempenho do F-104 era absolutamente impressionante ( até p/ o caças atuais ), ele obteve os recordes de altitude velocidade e o que mais me chama a atenção velocidade ascensional: 25,000 metros em 266.03 segundos, ou seja quase 100 m/s em 1958! O problema é que ele foi tão otimizado p/ chegar nesses números ( chegou a ser apelidado de 'Míssil Tripulado' ) que não dava p/ transformá-lo num caça p/ combate a curta distância, no máximo ele deveria chegar rápido no seu adversário, lançar seus mísseis e sair do mesmo jeito que chegou: a toda velocidade. É como tentar transformar um corredor de 100m rasos em maratonista, não vai dar certo.

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