Recentemente, os Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA – USMC – realizou um translado do Arizona até o Japão e provocou um debate dentro do Pentágono: quantas vezes o furtivo caça precisa reabastecer durante uma viagem sobre o mar?

Levou sete dias para que os dez F-35B do USMC voassem de Yuma, EUA, para sua nova casa em Iwakuni, Japão, num voo que um avião comercial costuma levar menos de 24 horas. Muitos fatores contribuem para o tempo que leva um avião militar a ir do ponto A ao ponto B:

  • Tempo;
  • Terreno;
  • Fadiga do piloto;

Isso só para citar apenas alguns. Mas nesta viagem em particular, o modo de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos – por sonda e não cesto – exigiu que os aviões da Marinha só reabastecessem com os aviões-tanque que os acompanhavam, num total de 250 contatos, um número considerado demasiado alto para uma eficiente passagem oceânica.

O F-35B usa o tradicional sistema de sonda, no caso, retrátil.

O F-35B tem maior alcance do que um F-18 com tanques subalares, então por que estamos tendo tanto contato com os aviões-tanque tão freqüentemente? Não precisamos fazer isso“, disse o Tenente-General Jon Davis, Comandante da Marinha para a aviação. “Estamos ‘tanqueando’ muito mais do que devíamos, talvez o dobro. Podemos ser muito mais eficientes do que isso“.

Davis diz que o modelo para REVO do F-35B/C é “de uma forma excessivamente conservadora“, ao contrário do F-35A da Força Aérea.

Uma parte freqüentemente negligenciada da logística aérea é o reabastecimento do avião-tanque, uma capacidade crítica para as operações ao redor do mundo. Os caças são aviões sedentos e, o F-35, não é exceção, disse o porta-voz da Força Aérea, coronel Chris Karns. Durante a travessia de 18 a 25 de janeiro a Iwakuni, nove aviões-tanques voaram com os dez F-35B, transferindo um total de 351 toneladas de combustível.

O USMC possui aviões-tanques KC-130, mas apenas os aviões-tanque da USAF apoiaram o voo oceânico.

A Força Aérea estabelece travessias oceânicas assumindo o pior cenário possível, de modo que se qualquer aeronave não consegue combustível a qualquer momento durante a viagem, seja por causa do tempo ou por mau funcionamento técnico, todo o grupo tem combustível suficiente para aterrar em segurança. Por exemplo, os F-35B voaram com suas sondas de reabastecimento estendidas durante toda a viagem, o que aumenta significativamente o arrasto na aeronave, para simular um cenário no qual o operador não consegue retrair a sonda.

Já o F-35A usa o sistema de receptáculo, o que permite um volume muito maior de transferência de combustível.

Então, quando planejamos essas coisas, tomamos os piores ventos, tomamos a pior configuração do avião e dizemos: no pior momento, o que aconteceria?“, Disse Pleus, um ex piloto de F-16. “O uso de sonda é muito conservador e a razão pela qual somos tão conservadores é porque é uma decisão de vida ou morte“.

Tradicionalmente, a Força Aérea reabastece “quase continuamente” ao atravessar uma grande massa de água, tantas vezes a cada 30 ou 40 minutos. Um F-35B, que carrega 2 270 kg menos combustível do que o F-35A, provávelmente precisa ‘tanquear’ mais freqüentemente.

Pleus rechaçou a crítica de que estender o tempo entre reabastecimentos durante uma travessia oceânica significaria mais risco para os pilotos.

Durante um cenário de combate, no entanto, a Força Aérea teria um cálculo diferente. Numa missão típica, algo em torno de 6 horas de duração, um piloto contataria um avião-tanque apenas duas ou três vezes, de acordo com um oficial da Força Aérea. É importante completar (o tanque) antes da missão porque os aviões-tanques são muito vulneráveis para voar ao lado dos combatentes durante a ação.

Os caças estão freqüentemente no centro das atenções, mas o avião-tanque é peça igualmente importante para a defesa nacional – sem ela, o alcance global do F-35 é impossível”, disse um oficial.

O F-35 e futuros requisitos de caças e bombardeiros só reforçam a necessidade da capacidade da próxima geração aviões-tanque para garantir uma rápida resposta global, aonde os segundos e minutos são importantes. À medida que a força de caça aumenta, é evidente que a demanda por petroleiros globais e potenciais ameaças futuras impulsionarão um aumento para a próxima geração desses essenciais aviões“.


FONTE: Aviation Week

 

6 COMENTÁRIOS

  1. O F-35 é uma caça bombardeiro complementar, e não um interceptador de longo alcance, no aspecto de voo em longas distâncias.

  2. Reabastecimento aéreo é uma operação bem, bem delicada. Mesmo sendo conservadora 250 é bem alto.

  3. É bom que seja furtivo mesmo, pois caso seja detectado, dependendo do local, não vai ter combustível pra escapar, muito menos para ligar a pós-combustão.

  4. Este caça não foi feito pra atravessar grandes distancias…alias..nenhum jato de combate é projetado para isso.

    • Pois é, não entendem que a razão por qual houveram tantos contatos, é por segurança.

      Sempre mantêm os tanques cheios, não deixam nem chegar a bingo. A razão disso, é pra caso algum problema ocorra, podem ter combustível o bastante para um pouso de emergência.

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