Dassault Rafale (12)
Dassault Rafale / © Dassault Aviation, em caráter ilustrativo

No dia 15 de abril, vários sites do Brasil e do exterior, baseados em informações publicadas pela imprensa indiana, noticiaram que o tão negociado acordo para aquisição de 36 unidades do caça Rafale para a Força Aérea Indiana (IAF) finalmente tinha chegado à sua etapa final e que o contrato, no valor de US$ 8,8 bilhões, seria assinado em 3 três semanas, prazo que vence hoje.

Na ocasião, muitos dos nossos leitores nos questionaram a respeito do fato de não estarmos noticiando, como outros sites do meio, as tais boas novas. Não é novidade, já há algum tempo, que nós do Cavok temos sido céticos e cautelosos quando se trata da negociação envolvendo a aquisição do Rafale para a Índia, e, aparentemente nossa posição tem se demonstrado acertada.

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Dassault Rafale / © Dassault Aviation, em caráter ilustrativo

No mais novo capítulo dessa tragicomédia, o renomado site de assuntos de defesa Defense News publicou ontem um artigo dando conta de que o acordo para a compra dos 36 caças Rafale provavelmente será adiado devido a um escândalo de suborno envolvendo a AgustaWestland e o governo indiano.

No dia 3 de maio, o ministro indiano da Defesa, Manohar Parrikar, em alusão às negociações com os franceses para a aquisição dos caças, afirmou que “o Ministério da Lei e da Justiça de seu país fez algumas observações (sobre a aquisição do Rafale), e que o assunto seria considerado durante a finalização do Acordo Inter-Governamental (IGA), entre Índia e França, que ainda está em fase de negociação”.

Manohar Parrikar, portanto, deixou claro que as negociações bilaterais sobre o negócio do Rafale não foram finalizadas, como muita gente noticiou há exatas três semanas.

Um funcionário do Ministério indiano da Defesa, falando em condição de anonimato, afirmou que eles atualmente estão trabalhando nas observações indicadas pelo Ministério da Lei e da Justiça, e que não é possível definir um cronograma para a conclusão do processo.

Já no parlamento indiano, o Comitê Permanente para Assuntos de Defesa manifestou o seu descontentamento com a não conclusão da aquisição dos Rafale, embora um tempo considerável tenha sido consumido durante todo o processo, “sem que houvesse, entretanto, um final lógico para o mesmo”.

A “lógica”, aliás, é um vocábulo cujo significado precisa ser revisto quando estivermos tratando da Índia, haja vista, ao que parece, os indianos tem uma perspectiva da realidade bastante peculiar.

O jornal indiano The Financial Express publicou hoje um artigo no qual é claramente afirmado que um dos pontos levantados pelo Ministério da Lei e da Justiça, e que segue em desacordo com os interesses indianos, é a cláusula de responsabilidade, que deve ser diluída entre o governo francês, a Dassault Aviation e a MBDA (principal fornecedor de armas do contrato). Outro ponto que segue sem definição são as sanções financeiras a serem impostas à Dassault Aviation caso o desempenho do Rafale não seja considerado satisfatória pela IAF.

Ainda de acordo com o The Financial Express, o Ministério indiano da Defesa ainda está avaliando se há necessidade de encomendar todas as peças de reposição que o Rafale vai precisar para um período de cinco ou dez anos. Sendo este um item de enorme criticidade, ninguém pode sequer afirmar que se chegou, de fato, ao valor final para a aquisição das aeronaves, haja vista ainda não existe definição real quanto aos itens a serem adquiridos.

Por fim, o Ministério da Lei e da Justiça também se recusa aceitar Genebra como o destino de arbitragem em caso de qualquer disputa entre as partes, querendo que ela seja substituída por Nova Deli, capital da Índia, algo que o lado francês se opõe veementemente.

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Dassault Rafale / © Dassault Aviation, em caráter ilustrativo

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EDIÇÃO: Cavok

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14 COMENTÁRIOS

  1. Quem diria que o fx2 sairia antes dos indias ahahah, talvez até o primeiro gripen br pouse aqui antes de os indias assinarem ahahah.

  2. Países pouco desenvolvidos são assim por uma razão. Brasil e Índia são bons exemplos, nesse sentido. Nunca vi tanta confusão! Não dá pra levar a sério…

  3. E nos tais sites brisileños que noticiaram isso, hoje estão fazendo cara de esfinge…não foi comigo…não vi nada…não sei…

    • Os indianos estão levando os gauleses em banho maria por causa da modernização do Mirage, mas na boa, esse vento do norte da África não vai vingar no Himalaia.

  4. Oo

    Os entusiastas de lá devem não estar aguentando mais essa novela. Palhaçada total. Tá caro? Vai de Gripen NG ou F-16 Viper.

    []'s

  5. Estou começando a pensar como o Giordani, os indianos estão enrolando os franceses até terminar a modernização dos Mirage. Nada nessa compra faz sentido.

    • E convenhamos, essa modernização do M2000 está saindo os olhos de Surya, por isso a Dassault está levando na "boa". Tanto os hindus quanto os gauleses sabem que essa rajada de vento já era.

      • Eu até entenderia a compra como era no MMRCA, 126 aeronaves que cobririam as necessidades operacionais da IAF e ajudariam a dar um pouco de lógica nessa balburdia que é a calda logística indiana. Agora, 36 caças? Esse número para as necessidades indianas não resolvem nada. Na realidade só aumenta a zona logística que é a IAF. Pode até ser que essa compra saia (com a India nunca se sabe), mas que está parecendo enrolation não tenho dúvidas.

  6. Fui olhar na Wikipedia e vi que a Índia ultrapassou recentemente o número de 1.288.000.000 de habitantes. Sem qualquer controle populacional, está quase alcançando a China. Só que é quase três vezes menor que a China em área geográfica. Isso me dá um medo danado, qual será o final dessa história? Um país assim não tem como ser organizado. Talvez isso explique uma certa bagunça generalizada, inclusive nos assuntos de defesa.

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