A Rússia fornecerá à Síria “o moderno sistema de mísseis terra-ar S-300” dentro de duas semanas, disse o General Sergei Shoigu, Ministro da Defesa da Rússia.

A informação foi divulgada durante uma transmissão televisionada na segunda-feira (24), uma semana depois que 15 russos perderam suas vidas. A aeronave Il-20 foi derrubada acidentalmente por uma bateria de defesa aérea síria. Ele acrescentou que os centros de comando e controle do braço de defesa aérea do Exército Árabe Sírio receberão “sistemas de controle automatizados“, que até agora “nunca foram fornecidos” a nenhum cliente estrangeiro de Moscou. Nas palavras do ministro, “Isso permitirá um controle centralizado sobre todos os meios e equipamentos do sistema de defesa aérea sírio, assim como a vigilância do espaço aéreo sobre o país”.

Além de reequipar o Exército do presidente Bashar Al-Assad, Shoigu também anunciou medidas adicionais relativas às águas do Mediterrâneo na província síria de Latakia, onde a Força Expedicionária russa está estacionada. Elas incluem a interferência na navegação auxiliada por satélite, radares a bordo e sistemas de comunicação em uso em “aeronaves de combate que cometem ataques a alvos no território sírio”. Ele explicou que essas medidas são necessárias “para acalmar os impetuosos” e impedir ações que ameaçam a segurança dos militares russos.

O Ministério da Defesa da Rússia intensificou seu envolvimento na guerra síria sob as ordens do presidente Putin, após suas consultas com Al-Assad. Durante a discussão, os dois líderes concordaram com a “normalização de longo prazo da situação na Síria, sua soberania e integridade territorial”. Moscou e Damasco concordaram com a entrega do sistema de mísseis terra-ar S-300PMU-2 em 2011, mas dois anos depois, Putin cancelou este e outros acordos que envolviam armas avançadas (notavelmente o míssil de ataque terrestre Iskander), após um pedido de Israel e em vista do levante contra o governo de Al-Assad. O Kremlin agora reviu sua decisão após o abate do avião espião Ilyushin Il-20 da Força Aérea russa no dia 17 de setembro.

De acordo com Shoigu, o Il-20 estava sobrevoando Idlib, reunindo informações sobre rebeldes anti-Assad naquela província, quando os russos receberam o aviso da Força Aérea israelense sobre ataques em curso contra alvos no “norte da Síria”. Os israelenses teriam emitido o aviso apenas um minuto antes do ataque e não teriam fornecido a localização exata de seus alvos. Nisso o avião espião abortou sua missão e voltou para a base na costa do Mediterrâneo. A manobra colocou o Il-20 entre os caças israelenses F-16I Sufa e o 49º Regimento de defesa aérea síria em Masyaf, com o último atingindo a aeronave russa com um SAM S-200 (SA-5 “Gammon”). O Il-20 caiu no Mediterrâneo a 27 km a oeste do porto de Banias, matando todos os 15 tripulantes a bordo.

Moscou acusou os pilotos israelenses de usar o Il-20 como um escudo contra o S-200. Israel twittou uma série de respostas dizendo que seus F-16 estavam de volta ao espaço aéreo israelense no momento do lançamento do S-200, ao qual a Rússia respondeu publicando dados de sua própria bateria S-400 para reforçar suas alegações. Independentemente dos F-16 terem sido um fator na derrubada, a tragédia destacou a incapacidade das defesas sírias de discriminar uma aeronave aliada de possíveis alvos hostis.

Ainda não há certeza de qual versão da família S-300 será fornecida ao Exército de Assad. A versão PMU-2 Favorit que Damasco encomendou em 2011 não está mais em produção. Os últimos embarques foram feitos para o Irã e eram, reconhecidamente, de uma variante que emprega elementos do S-400 mais recente que está em produção desde 2007.

Shoigu referiu-se ao S-300 que será enviado ao Exército sírio como “moderno, capaz de interceptar alvos aéreos a uma distância superior a 250 km e engajar vários alvos simultaneamente”. Tal descrição leva alguns especialistas a acreditar que pode muito bem ser o S-300V4E, também conhecido como o Antey-2500. Esta versão usa mísseis 9M82/83 duas vezes mais pesados que o 48N6E2 desenvolvido para o Favorit. O míssil é capaz de interceptar mísseis balísticos e aeronaves.

S-300V

Outra opção pode ser S-300P/PS/PM redundantes de ações russas. Antes do embarque, passariam por atualizações por meio de inserções de tecnologia de versões posteriores da família. Para cumprir com o alcance de tiro anunciado de “mais de 250 km”, eles precisam empregar modernos mísseis 48N6E2 ou 48N6DM, ou até mesmo os mais novos mísseis da família 40N6 adotados recentemente para uso nos sistemas S-400 e S-500.

Devido à complexidade do S-300 e à velocidade com que tais sistemas estão sendo prometidos a Damasco, os operadores provavelmente serão uma mistura de militares sírios e russos, já que levaria vários meses para o Exército sírio dominar a arma.


FONTE: AINonline

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21 COMENTÁRIOS

  1. Os IL-20 vão poder ser abatidos à distâncias maiores agora.

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