Mikoyan 144 (6)
Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation

Pela primeira vez na história, durante o Salão Internacional de Aviação e Espaço – MAKS, que ocorrerá em Moscou entre os dias 25 a 30 de agosto de 2015, o caça demonstrador de tecnologia de 5ª geração Mikoyan 1.44 MFI (Mnogofunktsionalny Frontovoi Istrebitel – Multifunctional Frontline Fighter) será exposto ao público. Até então, para a grande maioria das pessoas, a existência da aeronave era conhecida apenas através de fotos, relatos, e artigos publicados pela imprensa especializada.

Desenvolvido no início da década de 1980 como uma resposta ao programa americano ATF, do qual surgiu o caça F-22 Raptor, o Mikoyan 1.44 foi concebido para ser uma aeronave à frente de seu tempo, incorporando uma série de soluções, então, inovadoras, no intuito de reduzir sua detecção por radares, garantir uma alta manobrabilidade, e com a capacidade de se manter em voo supercruzeiro.

A variante de produção, que se chamaria Mikoyan 1.42, seria equipada com um radar de pulso Doppler N-014, desenvolvido pela NPO Fazotron, com capacidade BVR. A expectativa é que o caça também seria equipado com um compartimento interno de armas, que não chegou a ser desenvolvido, entretanto, para o único protótipo construído. A aeronave teria uma velocidade máxima de Mach 2,35, sendo propulsionada por dois motores Lyul’ka Saturn AL-41F.

Com o colapso da URSS em 31 de dezembro de 1991, os repasses financeiros ao programa MFI praticamente cessaram, mesmo com o protótipo praticamente finalizado, atrasando, assim, todo o cronograma.

A primeira exibição pública do Mikoyan 1.44 foi agendada para ocorrer 20 anos atrás, durante a MAKS 1995, que ocorreu entre 22 a 27 de agosto daquele ano. A aeronave chegou a receber uma nova pintura para o evento, entretanto, o Ministro da Defesa da Rússia, num último momento, cancelou a exposição estática do caça.

Dois anos mais tarde, durante a MAKS 1997, que ocorreu entre 19 a 24 de agosto daquele ano, uma nova tentativa para expor publicamente a aeronave foi, sem sucesso, realizada.

A cerimônia de apresentação (roll out) do Mikoyan 1.44 foi realizada no aeródromo de Zhukovsky, próximo de Moscou, em 12 de janeiro de 1999, com a presença de jornalistas de todo o mundo. Abaixo, algumas imagens da época:

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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation

Com 9 anos de atraso, num esquema de segurança que relembrava os momentos mais tensos da URSS, e com poucas testemunhas, além dos militares e agentes do governo, o primeiro voo do Mikoyan 1.44, com a duração de 18 minutos, ocorreu em 29 de fevereiro do ano 2000, com o piloto de testes Vladmir Gorboonov no comando da aeronave.

Mikoyan 144 (primeiro voo) - 29 de fevereiro de 2000
Primeiro do Mikoyan 1.44, em 29 de fevereiro de 2000 / Ministry of Defence of the Russian Federation
Mikoyan 144 (segundo voo) - 27 de abril de 2000
Segundo voo do Mikoyan 1.44, em 27 de abril de 2000 / Ministry of Defence of the Russian Federation

O segundo voo, com 22 minutos de duração, ocorreu no dia 27 de abril do mesmo ano. Poucos meses mais tarde, em 2001, o programa foi cancelado, abrindo espaço para uma nova competição, com requisitos atualizados, entre os fabricantes Sukhoi, Mikoyan, e Yakovlev. Em 2002 o programa PAK FA foi estabelecido, com a Sukhoi tendo sido selecionada para projetar a nova aeronave.

Desde então, o Mikoyan 1.44, esteve armazenado em Zhukovsky, tendo passado boa parte do tempo em área externa, e participou de alguns eventos fechados para o público, em exposição estática.

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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation
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Mikoyan 1.44 / Ministry of Defence of the Russian Federation

O programa MPI representou uma das tentativas do governo soviético/russo em desenvolver uma aeronave de 5ª geração para rivalizar com o F-22 Raptor. O caça, que era visto como promissor, foi vítima do hiato tecnológico e financeiro que sucedeu ao colapso da URSS. Considerando o fato de que apenas um protótipo foi construído, sem que o mesmo tivesse tido efetivamente testado, e sem que a aviônica pretendida para a aeronave sequer estivesse disponível, nunca saberemos ao certo até que ponto o Mikoyan 1.44/42 MFI teria logrado êxito.

Praticamente 15 anos após o seu voo inaugural, durante a MAKS 2015, o Mikoyan 1.44 será, pela primeira vez, exposto ao público, ao lado de outras lendas da aviação da URSS e Rússia.

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TEXTO: Anderson LaMarca

FONTE:

  • MAKS 2015
  • Sukhoi S-37 & Mikoyan MFI – Russian Fifth-Generation Fighter Technology Demonstrators by Yefin Gordon

IMAGENS: Créditos indicados individualmente

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40 COMENTÁRIOS

  1. Pelo jeitão, ele seria um Typhoon com baias internas. Algo intermediário entre um 4.5 e um 5ª geração. Uma pena esse projeto não ter ido à frente.

    []'s

  2. Na nona foto da pra ver pq os americanos tiraram os Canards dos seus por causa do RCS…. Aquilo ali é uma parede inteira pra refletir!!
    E tb temos mais uma prova de que não é motor nem asa que faz o avião voar, é o $$$$ mesmo! Sem $$$$, sem voar!
    Agora, não sei qual é o tal "segredo" pra deixar esse avião (que pelas fotos não tem nada de mais) guardado por 20 anos…. A não ser que ele guarda a tal "arma de plasma que deixa invisível ao radar".

    • No máximo… sendo muito gentil!

      Se o PAK FA é questionável, imagina esse aí…

  3. Sem contar na impertinência deste caça pra nossa época ( pois seria um homólogo em capacidades ao Su-35) mas olhando pelo aspecto de ele ter sido criado na década de 80 não tenho dúvidas que ele seria o caça mais avançado de sua época, pois as características são únicas e superiores a de muitos caças de última geração de hoje.

  4. Finalmente uma matéria com bom senso e não as "sputinicies" veiculadas sem critério por aí e pela aviação (abandonada) inimiga! E o pior que alguns tratam como uma 'ameaça capaz de rivalizar' com o F-22! Quer sputinice maior?!?!

    • Chega a ser patético ler tanta asneira na internet. Ontem parece que foi o dia internacional das sputinices, e tem gente engrossando esse coro!

      Sobre o Mikoyan 1.44, esse artigo não estava nos planos (pelo menos, não nos meus), mas diante de tantas INsanidades publicadas sobre o jacto, creio que as pessoas mereciam um posição realista a respeito do assunto.

      • Isso era Typhoon piorado! Nem os soviéticos gostaram do resultado. Cara, cada vez mais eu tenho certeza de que as pessoas tem preguiça de pensar. Olha como essa sputinice está sendo apresentada! Como algo novinho em folha!

        • Pois é…
          E arma secreta russa, para rivalizar com o Raptor, voou apenas 2 sortidas, não tendo passado mais que 40 minutos no ar, já considerando o tempo combinado de ambas.

          Em termos práticos, o Mikoyan 1.44 não foi à frente porque, além de sua aviônica e motor não estarem prontos, ele não faria, no futuro, nada que o Flanker, àquela altura, já não o fizesse. Não é à toa que, desde então, a Mikoyan/RAC MiG foi relegada a tentar manter o MiG-29 viável, coisa que eles tentam até hoje. O MiG-35 ainda não emplacou. Tudo o que existe é uma promessa de que em 2018 a VKS vai comprar algumas unidades de caça.
          Já a Sukhoi, muito mais competente, foi encarregada dos projetos mais importantes, que incluem as mais novas variantes do Flanker (incluindo o Su-30SM e o Su-35S), além de, obviamente, o PAK FA.

          • Saiu mais uma sputinice, que a Russia vendeu o…para a…

            Vamos ver quem vai ser o primeiro blog a 'sputinikar'!

            • Quando a Rússia se der conta que é justamente por conta do Sputinik que a credibilidade de seus meios de imprensa foi pelo ralo, será tarde demais…

              • Eles não ligam pra isso. Dá uma olhada na Voz da Rússia. Eles não levam imprensa a serio – o RT que fica de fora é a única coisa que sobra.

  5. Ma que bichão bonito em? Eu sinceramente n sei se ele teria mesmo as baias internas ou se seu nivel de RCS era tão baixo quanto um 5G — sinceramente, duvido. Agora o interessante é "notar" o quanto o MIG 1.44 ainda está vivo: debaixo do J-20

  6. Talvez se a URSS não entrado em colapso, esse projeto teria sido aprimorado com os próximos protótipos, refinando a superfície frontal e lateral, para melhor dispersão de radiação de radar. Mas isso é só um "e se".
    Mas esse, do jeito que estava, na minha opinião, não ofereceria vantagens frente aos aparelhos fabricados até então pela Sukhoi.

    • Por isso mesmo preferiram encostar ele e focar nos Su 27-32-34-35.

  7. A performance deve ser boa como em todos os caças russos, mas a furtividade passou longe desse aí.
    Isso é um alvo para os padrões de 2020. Sorte dos russos que abandonaram esse desenho da década de 70.

    A Mikoyan basicamente faliu e foi salva pelo governo russo.

    • se ele cumprisse os requerimentos de projeto, mesmo hj daria um excelente interceptador, mas não serviria pra cumprir dominação aérea

      • Por isso que o Flanker se consolidou como a grande aeronave da VVS, atual VKS.

        Eu sou da opinião que, caso na URSS, não houvesse separação entre VVS e PVO, o MiG-29 e Su-27 teriam competido entre si, e apenas um teria seguido em frente. Vou ainda mais longe, de repente, nem seriam esses caças… as nomenclaturas poderiam até ser as mesmas, mas fatalmente teríamos uma situação onde designs alternativos seriam apreciados. O PAK FA é um grande exemplo disso. Tem o DNA do Flanker, mas é menor, incorporando um RCS reduzido (em comparação com as demais aeronaves de combate russas), e por aí vai.

        • La marca

          Qual sua avaliação das perspectivas do Mig 35 ??

          Será que ele vai para a frente ??

          • Wagner…
            Há algumas semanas, eu li um artigo na TASS onde era informado que a VKS deve colocar um pedido para 30 unidades do caça, em 2018. Sinceramente, a coisa começa a ficar embaçada, porque esse pedido, há muito aguardado, já havia sido anunciado para 2014, e depois postergado para 2016. Eu acho uma pena que o MiG-35 ainda não esteja em operação, haja vista melhorias incríveis foram implementadas na aeronave. O argumento utilizado é que os comandantes militares ainda não aprovaram o caça. Da mesma forma que a VKS tem sido relutante em fazer novas aquisições do MiG-29SMT e MiG-29M/M2.

            Dizem que o Egito pode adquirir uma quantidade de aeronaves, MiG-29M/M2 ou MiG-35, mas até agora só existem rumores.

  8. Uma coisa que sempre me chamou a atençao,sobre o Pak-fa é o seguinte:
    "-Se olharmos,a historia veremos que sempre existiu o pesado,e o mais leve ou seja um sukoy e um mig,e sempre um lembrando o outro!
    Por exemplo mig-29 e su-27,e é interessante observar que desta vez isto não aconteceu!
    So tivemos o su-50,!"
    So sei de uma coisa,e posso esta enganado:
    "-Se não é o fim da URSS,o Estados Unidos e a Otan estaria com um tremendo pepino e abacaxi nas mãos!
    Pois os sovieticos não iam estar para brincadeira!
    Mig 1.44, Yak 141 mais as versões do mig 29 e da familia Franker, Tio Sam ia estar apavorado!"

    • Roberto…

      Sempre se via um Sukhoi e um MiG porque na URSS havia 2 forças aéreas independentes, a PVO e a VVS, e cada uma tinha requisitos distintos para suas aeronaves. O Flanker foi desenvolvido, a pedido da PVO, para atuar na arena ar-ar (caça de superioridade aérea). O MiG-29 foi desenvolvido como uma caça multifunção, a pedido da VVS, privilegiando de forma enfática suas características ar-superfície. Muitas vezes, os designs das aeronaves eram parecidos por pura falta de opção.

      Para o Flanker ser introduzido na VVS, foi necessário criar variantes capacitados a atuar na arena ar-superfície. Essa adaptação, que o tornou em um caça multifunção, basicamente, deu origem ao Su-30, que, além de ter demonstrado ser uma excepcional aeronave, praticamente jogou uma pá de cal sobre o MiG-29, que custa quase o mesmo para ser adquirido, entretanto é igualmente caro de se manter.

      Para entender a razão de ser de muitas aeronaves soviéticas/russas, é importante compreender as atribuições da PVO e da VVS, que eram, inclusive, bastante distintas.

      De forma resumida, cabia à PVO a defesa do espaço aéreo da URSS, contra aeronaves intrusas, e a escolta dos bombardeiros estratégicos soviéticos nas missões de longo alcance. Já a VVS tinha como objetivo prover apoio aéreo às tropas, a realização de eventuais campanhas aéreas no exterior (missões expedicionárias), e apoio aéreo ao Pacto de Varsóvia, além da questão logística. Quando as missões no exterior envolviam a negação do espaço aéreo, geralmente, nesse caso, quem atendia era a PVO.

      Lembre-se que ainda tem a aviação naval (AVMF), que também tem um cunho defensivo.

      Fazendo uma rápida analogia com o Tio Sam, lembre-se que operam aeronaves de combate a USAF, US Navy e USMC, cada uma com suas atribuições e requisitos distintos. Como a US Navy e USMC realizam, basicamente, operações embarcadas, fica mais fácil identificar o requisito de suas aeronaves. No caso da URSS/Rússia, isso não se aplica por completo.

      Sds!

      • LaMarca… acredito que a VVS estava para a USAF e a PVO para a ANG, fazendo analogia entre os pares Soviéticos e Americanos. Não na estrutura (já que a ANG faz parte da USAF), mas nas atribuições.

        • Caros LaMarca e Kekosam,

          A PVO era a força de defesa aérea soviética, cuja função era salvaguardar o espaço aéreo soviético. Reuniam basicamente os interceptores de longo alcance, como os Mig-31, Mig-25, e por aí vai. Era uma força completamente autônoma, com uma estrutura com comandos próprios e infraestrutura própria, operando totalmente independente da VVS. Era basicamente uma segunda força aérea com um foco mais específico na defesa do espaço aéreo soviético. Por outro lado, a VVS levava a responsabilidade de transporte, aviação de longo alcance ( bombardeiros ), interdição aérea e CAS, reunindo as aeronaves específicas para essas missões.

          Já as unidades da Air National Guard funcionam basicamente como componente das guardas nacionais, com ramificações próprias em cada Estado americano, em apoio a operações para garantir a ordem interna ou de interesse federal, estando a princípio subordinada aos governadores de cada Estado. Em caso de guerra ou outra situação bastante específica, ela atua integrada a USAF.

  9. Daqui a pouco vão ressuscitar o Stalin e falar que é a versão 5º Geração da desgraça.

  10. Uma coisa que nunca tinha percebido nesse MiG são os elevons entre os motores e as derivas!

  11. Não sou nenhum engenheiro aeroespacial, mas percebi que esse avião tem muitas superfícies reflexivas.
    Mas o que me chama mais atenção, é o fato de que as asas não serem integradas à estrutura principal, como uma extensão da fuselagem. Notem que os principais caças de 4°g e 5°g tem asas integradas, como f-15/16/18/22/23/32/35, Su-27/30/33/35/50 ou mesmo o Mig-29/35.
    Isso demonstra que esse avião não era muito avançado ou só era uma montagem provisória para testes.

  12. Quem falou que o MiG-1.44 não foi ou esta em fase de desenvolvimento?? Ele só mudou de nome… Quem se vendeu ou se foi acordo entre Governos, nunca saberemos, mas ele ainda é e foi o protótipo do J-20 sem tirar nem por, tanto em dimensões quanto soluções aerodinâmicas e capacidade militar. Apenas para uma base tosca de comparação entre elas temos esse desenho. http://www.zone5aviation.com/wp-content/uploads/2

    • Vejo a semelhança e também vejo muitas diferenças.

      A configuração é parecida e podem ter tirado muito do Mig-1.44, mas eu diria que um não é o protótipo do outro. ( só minha opinião, nada mais)!

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