O primeiro Gripen E brasileiro na linha de montagem de Saab de Linkoping, Suécia. (Foto: Saab)

O último ano foi produtivo para o Programa Gripen brasileiro, com vários marcos importantes. Entre outras conquistas, o destaque da produção final da primeira aeronave brasileira (foto em destaque), em Linköping, assim como os grandes resultados do desenvolvimento do Gripen E/F em conjunto entre a Suécia e o Centro Projetos e Desenvolvimento do Gripen (Gripen Design and Development Network – GDDN), em Gavião Peixoto-SP. Saiba como anda o programa, além dos destaques ocorridos em 2018.

Desde o início do Programa de Transferência de Tecnologia, em outubro de 2015, mais de 120 engenheiros brasileiros participaram de treinamentos teóricos e práticos (on-the-job) na Suécia, em diversas disciplinas técnicas relacionadas ao desenvolvimento, produção e manutenção da aeronave. Esses engenheiros retornaram ao Brasil e, sua maioria trabalha atualmente no GDDN.

Protótipo do Gripen E.

No total, mais de 350 especialistas brasileiros (engenheiros, técnicos e operadores de montagem) serão treinados na Suécia até o final do Programa de Transferência de Tecnologia, que envolve mais de 60 projetos de compensação (offset). A partir de agora, na Suécia, o ‘on-the-job training’ estará focado em teste de voo, verificação e produção.

Hoje, 115 engenheiros brasileiros e 18 expatriados da Suécia trabalham no GDDN. Eles estão envolvidos no trabalho de desenvolvimento do Gripen E/ F em áreas como sistemas veiculares, engenharia aeronáutica, projeto de fuselagem e instalação e integração de sistemas, aviônica, interface homem-máquina e comunicações.

“O Programa Gripen continua progredindo de acordo com o cronograma e as expectativas são altas, uma vez que a primeira aeronave brasileira vai dar início à campanha de ensaios em voo, em Linköping, este ano”, diz Mikael Franzén, head da unidade de negócios Gripen Brasil e vice-presidente da área de negócios Aeronautics na Saab. “O esforço conjunto de brasileiros e suecos me deixa confiante para mais um ano de grandes resultados no desenvolvimento e produção da aeronave brasileira”, conclui o executivo.

Painel WAD da AEL.

Outra grande conquista em 2018 foi o aceite da Força Aérea Sueca para equipar os 60 caças Gripen E com as mais modernas telas de cockpit, desenvolvidas pela AEL Sistemas, harmonizando os programas sueco e brasileiro. Os três monitores – Wide Area Display (WAD), Head-Up Display (HUD) e Helmet Mounted Display (HMD) – foram inicialmente desenvolvidos para atender às necessidades operacionais da Força Aérea Brasileira (FAB). Este acordo transforma a empresa brasileira AEL Sistemas, uma das mais importantes beneficiárias e parceiras do Programa Gripen, em um dos principais fornecedores globais da Saab. Essa conquista supera as expectativas da Força Aérea Brasileira em aumentar a capacidade da indústria nacional, um dos grandes objetivos do Programa Gripen no país. Este é um fruto de intensa transferência de tecnologia e colaboração técnica entre a Saab e a AEL.

Campanha de ensaios em voo do Gripen E

Desde o primeiro voo com a aeronave de teste Gripen E (39-8), em 15 de junho de 2017, um período de intensivos ensaios de voo foi executado com sucesso. O teste da Fase 1 consistiu em realizar uma expansão inicial de envelope e verificação de sistemas gerais de aeronaves, incluindo o novo conjunto de aviônicos. A aeronave mostrou desempenho e comportamento esperados, com alta disponibilidade e confiabilidade. Um período de testes de manutenção e solo seguiu os ensaios da Fase 1. A aeronave realizou testes de vibração do solo com armazenamentos externos e, desde então, novos ensaios em voo aconteceram em 2018 e estão previstos para 2019.

Preparação para o voo com o segundo protótipo do Gripen E.

Em julho de 2018, a aeronave de teste Gripen 39-8 realizou vários ensaios bem-sucedidos de separação de cargas externas (míssil IRIS-T e tanque de combustível externo) enquanto em outubro do mesmo ano, ocorreu o primeiro disparo com o IRIS-T na Suécia.

Em novembro, o Gripen E também carregou o Míssil Meteor BVRAAM (Beyond Visual Range Air-to-Air Missile ou Míssil Ar-Ar Além do Alcance Visual, em português) pela primeira vez. Essas etapas fazem parte do progresso das atividades de integração de armas para o Gripen E. No mesmo mês, a Saab concluiu, com igual sucesso, o primeiro voo da segunda aeronave de teste do Gripen E. Designada 39-9, a segunda aeronave decolou para o seu primeiro voo às 09h50 do dia 26 de novembro de 2018. O voo foi operado a partir do aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia, com o piloto de ensaios em voo do Gripen na Saab, Robin Nordlander, no controle.

Hoje em dia, existem duas aeronaves de ensaios em voo (39-8 e 39-9) executando testes bem-sucedidos. Com a aeronave 39-9, as atividades experimentais se expandiram, uma vez que a Saab passou a testar as funcionalidades com sistemas on-board, como o teste de sistemas táticos e sensores.

Voo do Gripen E armado com míssil ar-ar Meteor.

Atualmente, as aeronaves para a Suécia e o Brasil estão em fase final de montagem. Elas seguem o caminho certo para cumprir os acordos com os clientes. A verificação conjunta e a validação da primeira aeronave de produção em série para o cliente sueco acontecem este ano e as entregas de produção em série vão continuar em 2020. A primeira aeronave para o Brasil será entregue para iniciar a campanha de ensaio em voo em Linköping, em 2019. Os outros caças serão entregues ao Brasil a partir de 2021.

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15 COMENTÁRIOS

  1. É só eu que acha que a quantidade de protótipos voando desta aeronave é baixa? Os Russos não são parâmetro de nada, mas se não me falha a memória haviam 10 protótipos do Su-57! E as entregas do Gripen E/F se darão antes das entregas do caça Russo, ou seja, na minha opinião deveriam ter muito mais aeronaves voando, pois é assim que são descobertos os erros de projeto.
    No computador tudo é muito lindo, nada falha, mas é voando que as falhas aparecem e pontos fracos são notados para serem corrigidos.

    • Creio que isso indica um grande sucesso no projeto, não necessitando de muitos protótipos e em breve estará operacional.

    • Já fui criticado por falar isso, mas para mim esse cronograma foi escrito por Jó (Personagem Bíblico).
      É a única explicação.
      Tudo bem que os fórevis são eternos, mas não precisavam abusar tanto..

    • Não sei se a comparação com o Su-57 seria válida. No caso do Su-57 é um projeto muito ambicioso e partindo do zero, com todos os sistemas, armas e motor tendo de ser projetados em novos parâmetros. No caso do Gripen, é uma atualização de um projeto já muito testado, sem muitas e complexas mudanças do original. Agora que esta muito atrasado para um projeto relativamente testado, creio na minha ignorância que está. A vantagem imensurável e a capacitação do pessoal e a transferência de tecnologias.

    • O Gripen E é muito parecido aerodinamicamente com o modelo anterior .Foram feitos inumeros voos com o Gripen Demo ,onde ali tinha varias caracteristicas do novo caça .O resto ja esta sendo teestado nos 2 prototipos nos ensaios em voo.
      O SU 57 é um projeto totalmente novo ,com tecnologia Stealth …bem diferente de seu antecessor ,com motor novo e etc…Sde o motor ja existisse ,o caça ja estaria na linha de produção .Sem contar que nem todas as tecnologias do Su 57 estavam totalmente no dominio dos russos.
      Poderia fazer uma comparação com o F-18 Hornet e o Super HOrnet ,acho q seria uma comparação mais justa.

  2. Realmente este desenvolvimento do painel do Gripen E brasileiro também ser adotado nos 60 Gripen E suecos é um fato até então inusitado e imprevisível. É mais que positivo….
    Só falta mais adiante a Suécia mudar ainda mais sua política e encomendar para si algumas unidades de Gripen F e desistir da economia porca de manter seu adestramento e conversão operacional para o Gripen E mantendo e atualizando os velhos Gripen D biplaces suecos…

    Apesar da DEMORA quase inaceitável do ponto de vista militar do programa na aquisição das aeronaves FX-2, as capacidades adquiridas e a parceria REAL obtida no programa com os suecos, no final, parece que pode compensar a quase DÉCADA que a FAB vai operar só o venerando F-5 na sua aviação de combate supersônica…

  3. Mas para a fab tudo está nos conformes, afinal se ela quisesse uma plataforma testada e com entrega expressa ela teria escolhida o F18, agora abraça.

  4. Nosso Gripen E, será imortal na FAB, se pensarmos que o F-5 voa até hoje em condições de combate, não obviamente páreo para tudo o que se voa por ai; Agora imagina o nosso futuro cenário de fabricarmos o Gripen E no Brasil, se o F-5 ainda vai longe sem ser fabricado, imagine uma aeronave fabricada por aqui…

    • A imortalidade dos caças na FAB vem do voar pouco. O Mirage III eram seminovos quando foram aposentados. A aposentadoria se deu por obsolescência e falta de peças.

      Em outras forças que mantém o nível de adestramento adequado, os caças atingem o limite de horas da célula. Daí ou se faz um programa de extensão (que não sai barato) ou se substitui.

      • Sim, realmente voam pouco e isso certamente tem influencia nessa longevidade.
        .
        Mas acredito que a principal razão é, e sempre foi a politica mesmo. (Falta de vontade).
        Se aviação de caça desse voto, a coisa seria diferente.

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