Nos os anos 80 e 90, um duo dinâmico simbolizava o poder aéreo militar dos EUA. A USAF tinha seu poderoso caça de superioridade aérea McDonnell Douglas F-15 Eagle. Por sua vez, a Marinha tinha o sofisticado Grumman F-14 Tomcat, de geometria variável, glamourizado pelo filme Top Gun.

No entanto, se os eventos tivessem funcionado de forma diferente, a aeronave que Tom Cruise voou poderia ter sido um F-15N?

Envolta em problemas insolúveis com o famigerado F-111B, a Marinha dos EUA realmente considerou uma versão embarcada do Eagle. O F-15N, ou “Sea Eagle“, como foi extraoficialmente apelidado, foi proposto pela McDonnell Douglas em 1971, de acordo com o autor Dennis Jenkins em seu livro “McDonnell Douglas F-15 Eagle: Supreme Heavy-Weight Fighter“.

O Sea Eagle exigiria algumas modificações, como asas dobráveis e trem de pouso reforçado. Mas a posição da McDonnell Douglas era que “devido à sua excelente relação empuxo/peso e boa visibilidade, o F-15 poderia ser facilmente adaptado para as operações em porta-aviões“, escreve Jenkins.

O início da década de 1970 foi um momento oportuno para a McDonnell Douglas (agora parte da Boeing) fazer seu discurso. O F-14, lançado pela primeira vez em 1974, estava sob fogo devido aos incômodos e pouco potentes motores Pratt & Whitney TF30 instalados inicialmente no caça. Nem o preço ajudou: Para poder mensurar, um F-14 custava US$ 38 milhões em dólares de 1998, contra US$ 28 milhões do F-15A.

O F-15N provavelmente teria sido mais rápido e manobrável que o F-14, além de ser mais barato. Mas as modificações para uma versão naval teria tornado o Sea Eagle 1.360 kg mais pesado que a versão terrestre. Talvez mais importante, o projeto inicial do F-15N era armado apenas com mísseis ar-ar Sidewinder e Sparrow, bem como um canhão, desconsiderando o poderoso míssil AIM-54 de longo alcance que a Marinha contava para deter os bombardeiros soviéticos bem antes que eles pudessem atacar a frota.

Um estudo sobre caças da Marinha surgiu com outra estratégia: um F-15 armado com mísseis Phoenix associado ao radar AN/AWG-9 de longo alcance. Mas o Sea Eagle-Phoenix teria pesado 4.500 kg a mais que o F-15A, o que significava na pratica que não teria oferecido nenhum ganho sobre o desempenho do Tomcat. A McDonnell Douglas e a Hughes, fabricante do Phoenix, responderam com o projeto F-15(N-PHX), que manteve os mísseis Phoenix, mas abandonou o radar AN/AWG-9 para uma versão melhorada do radar AN/APG-63 do F-15A da USAF.

Um subcomitê do Senado começou a examinar o F-15N em março de 1973. “Nesse ponto, o programa do F-14 estava tendo dificuldades, e o subcomitê queria ver possíveis alternativas, indo do cancelamento do Tomcat a construção de uma versão melhorada do F-4. O senador Eagleton chegou a sugerir um ‘fly-off‘ entre o F-14 e o F-15, mas isso nunca aconteceu.

No final, a Marinha ficou com o Tomcat. Mas algo saiu do projeto Sea Eagle. As audiências do Senado, juntamente com algumas outras considerações, levaram à formação do Grupo de Estudo de Combatentes da Marinha IV, do qual nasceu o programa que deu origem ao F/A-18 Hornet, escreve Jenkins.

O Sea Eagle era um conceito viável?

O problema é o que estamos vendo com o F-35 de hoje: uma aeronave que deve servir a mais de um mestre inevitavelmente sacrifica o desempenho em alguma área. De forma franca e direta, o F-14 nasceu após a tentativa frustrada do Pentágono de tentar fazer exatamente isso com o F-111, uma aeronave dedicada a uma necessidade da Força Aérea sendo obrigada a cumprir requisitos da Marinha.

Transformar o F-15 em um interceptador baseado em porta-aviões como o F-14 exigiria tantas mudanças de projeto que a besta híbrida provavelmente teria sido inferior ao F-15 ou ao F-14.

O que aponta para o problema real: a Força Aérea e a Marinha sempre tiveram exigências diferentes. Na década de 1970, a USAF queria um dogfighter poderoso e altamente manobrável para evitar uma repetição do que aconteceu quando seus Phantoms enfrentaram os pequenos e mais ágeis MiGs sobre o Vietnã. Ironicamente a Força Aérea chegou a considerar o F-14 como um substituto para o interceptador F-106.

Mas a Marinha precisava de um interceptador puro, que pudesse deter os bombardeiros soviéticos e os mísseis antinavio. Isso significava uma aeronave com um radar de alta potência, bem como grandes mísseis ar-ar de longo alcance. Como o F-35, tentar usar a mesma plataforma para missões dissimilares significa um círculo tão quadrado que se torna irreconhecível.

E, claro, houve política. A Força Aérea e a Marinha só comprarão as aeronaves umas das outras se os políticos as obrigarem a fazê-lo. O Sea Eagle provavelmente não era uma boa ideia para começar, mas certamente o programa estava condenado sem um poderoso patrocinador no Pentágono ou na Casa Branca.

Felizmente, no final, a Força Aérea e a Marinha conseguiram os caças que eles queriam, simplesmente os dois primeiros super Caças da história.


FONTE: National Interest


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14 COMENTÁRIOS

  1. Imagino a viabilidade de um Super Tucano naval por exemplo. Na luta contra os piratas e até mesmo contra insurgência próximas do litoral.

    • Sim
      Pousando e decolando do São Paulo rebocado por navios.
      Também poderíamos colocar dois ou três baterias de astros no Bahia e viraria um Destroyer
      Quem sabe colocar uma catapulta no Atlântico e fazer todas as modificações necessárias para lançar A-1,A-4 e F-5
      Não seria uma má ideia de colocarmos vários Howtizer em nossas futuras corvetas e também alguns lança chamas para atacar navios piratas

      • Piadas a parte o egipcios estão usando Humvees armados com Stingers no convôo de seus navios classe Mistral para suprir a falta de defesa de ponto. O problema é que quando as tropas desembarcam, eles vão junto para dar apoio e a embarcação fica desprotegida. E os franceses encomendaram um estudo a Airbus sobre a viabilidade adaptar o MLRS M-270 nos Mistral com o objetivo de limpar a área de desembarque em terra antes das tropas chegarem.

        • Jovem gafanhoto

          Não temos nem dinheiro para 4 corvetas direito vamos ter dinheiro para um tucano naval + porta aviões?

          É muito fantástico mundo de Bob nessa cabeça

          • Oh Grande Mestre!! nao estou apoiando esta ideia de Tucano naval e Nae, o que fiz foi apenas e tao somente compartilhar informaçoes interessantes pelo fato de ter voce ter feito piada sobre usar o Astros no Bahia, Oh Infalïvel Mestre!!!

    • Sim

      Vamos gastar bilhões em um porta aviões + milhões em um tucano naval pra jogar bombas burras e metralhar uns piratas

      É cada pérola somos obrigados a ler aqui kkkkk

  2. O F-14 foi desenvolvido em torno do AWG-9 e Phoenix, e tinha o melhor desempenho possível com os TF-30 (que mudou radicalmente com os GE F-110), equilíbrio que jamais seria alcançado pelo F-15 adaptado.

    • Uma pena o F-14 não ter tido uma continuação igual o F-15,F-16 e F-18 ainda hoje seria uma senhora aeronave de respeito em porta aviões.

      • A Grumman fez a proposta de uma nova versão que concorreu com o SH. O SH venceu por ser bem mais barato de adquirir e de manter. 25% da estrutura do F14 é de titanium que é bem difícil de usinar.

  3. Artigo excelente. Daí entendemos as dificuldades da LM no F35. Requisitos diferentes.

  4. ainda bem que o F-15N gorou. Agora é a era do drones e pelo visto do F-35C e B vão ter vida curta.

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