Panaria Tornado da Luftwaffe.

Um dos maiores sindicatos de empregados aeroespaciais da Alemanha alertou o governo do país de que pode arriscar toda a indústria de defesa europeia se selecionar um caça construído nos EUA para substituir a frota de jatos de combate Panavia Tornado da Luftwaffe.

Atualmente, Berlim está avaliando opções para uma aeronave sucessora, com uma decisão prevista para o início de 2020. O Super Hornet F/A-18E/F da Boeing e o Eurofighter estão ambos em disputa.

No entanto, a aquisição é complicada pelas múltiplas funções desempenhadas pelos Tornados da Alemanha: além de missões de ataque ao solo, guerra eletrônica (EW) e dissuasão nuclear também são realizadas.

Embora o Eurofighter seja um sucessor natural do papel de ataque, atualmente não possui capacidade de EW e as bombas nucleares fornecidas pelos EUA que seriam transportadas por aeronaves alemãs não foram integradas no jato multinacional, potencialmente abrindo a porta para o jato de ataque Super Hornet ou a variante de guerra eletrônica E/A-18G.

Super Hornet da Marinha dos EUA.

Embora o Super Hornet não tenha armamento nuclear, o trabalho de integração levaria muito menos tempo do que no Eurofighter, segundo relatos, se os EUA permitissem.

Mas em uma carta aberta aos ministros de defesa e economia da Alemanha, além do chefe da chancelaria, o sindicato IG Metall adverte contra a seleção do F/A-18E/F, mesmo como parte de uma compra dividida.

A IG Metall diz que 25.000 empregos na Alemanha e 100.000 na Europa como um todo dependem apenas da produção da Eurofighter; uma decisão contra esse programa “compromete o futuro de nossa força de trabalho”, diz.

O desenvolvimento de novas capacidades para as aeronaves construídas na Europa, como EW ou sensores avançados, também é essencial para fornecer trabalhadores adequadamente qualificados para o programa do Sistema Aéreo de Combate Futuro Franco-Alemão, afirma o sindicato.

Eurofighter da Luftwaffe.

“A compra do F-18 não apenas levaria bilhões de dólares em dinheiro dos impostos alemães para os Estados Unidos, mas também poria em risco o futuro do setor aeroespacial militar na Alemanha. Uma solução dividida não pode ser a escolha preferida. Uma decisão contra empresas alemãs e europeias não pode ser explicada a nossos funcionários e contribuintes alemães”, escreve o sindicato.

A IG Metall representa os trabalhadores da Airbus Defense & Space, o especialista em sensores Hensoldt, o fabricante de motores MTU e o fornecedor de aerostructures Premium Aerotec.


Fonte: Flightglobal

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12 COMENTÁRIOS

  1. A Alemanha dorme em berço esplêndido no assunto defesa nos últimos 20 anos, felizmente a Polônia não se deu este luxo fazendo com que já em atraso a opção de um 4g+ seja viável em Berlim!
    O mundo da voltas!

    • Devido ao ocorrido na 2GM (especificamente da morte em massa de civis) o povo tem muito medo e desconfiança das forças armadas alemãs, eu entendo essa posição.

      Concordo pois como pode ser visto nos dias atuais, seja um povo rico e instruído ou pobre/rico e analfabeto como nosso, o povo tem medo até da sombra, é histérico…

      Discordo pois estamos em 2020, eu e boa parte do mundo na época do ocorrido aprovava a Alemanha reagir frente ao crime que era o tratado de Versalhes, mas depois descobriram os campos de concentração, aquela barbaridade qual não tenho palavras, ai não tinha o que defender…

      Emfim, passou muito tempo mas ao contrários dos japas safados, a Alemanha mantém vivo nas escolas e imprensa a historia do seu passado.

  2. Qual a melhor aeronave? Na minha opinião, o Eurofighter Typhoon.Os Europeus devem prestigiar os seus produtos. A grana que eles dariam para o Tio Sam, pode ser utilizada para o programa do Sistema Aéreo de Combate Futuro Franco-Alemão.
    Empregos na Europa.

  3. EUA "ishperto", criando um problema para vender a solução…

    Uma decisão salomônica resolverá tudo: o governo da Alemanha contratará, por centenas de milhões de dólares (mas bem menos do que o valor de compra de jatos americanos novos), uma Lockheed-Martin ou uma Boeing — para que os engenheiros, técnicos e pilotos da empresa "integrem" e ensinem a usar os novos sistemas do Eurofighter nuclear "ao gosto da OTAN"…

    • Essa solução foi pensada, mas de acordo com um artigo que li aqui mesmo no cavok, não ficaria pronto a tempo da baixa dos tornados.

      Vão acabar comprando um esquadrão de caças americanos ou se fazendo de trouxas.

      • Caro Eduardo,

        Os EUA criaram o procedimento e o dono da bola manda no jogo, não tem conversa. Vai tentar roubar a bola? 😀

        Interessante é o prazo de "três a cinco anos", que não é imutável — se não conseguirem forçar a compra dos caças americanos vão perder o aliado na função? Valeria a pena? Montanhas de dinheiro, mesmo menores, podem alterar isso.

        E "de três a cinco anos": eles não estão tratando de culturas de bactérias ou crescimento de corais, para demorar tanto para fazer simulações práticas. Parece mais pressão descarada, tipo Dassault.

        É aquela história já dita: quem criou a "brincadeira" tem todo o direito de ditar as regras, só se associa ao meu clube se eu deixar. Eu faria exatamente o que os EUA estão fazendo: forçar uma aquisição do que eu vendo, para trazer divisas ao meu país, manter empregos na minha terra, controlar os aliados que lidam com material que eu inventei ou é meu. Normalíssimo.

    • Quem segura a bucha na Otan são os EUA, a Alemanha se colocou nessa situação por não investir adequadamente em defesa e lógico que os EUA vão tirar uma casquinha!
      Veja se a França passa por problema semelhante?!