Como a Força Aérea russa poderia se aproximar dos EUA?

O recente cessar-fogo na Síria, negociado entre os EUA e a Rússia, abriu o caminho para a cooperação militar na luta contra elementos terroristas na Síria, aparentemente colocando um fim a uma janela de tempo onde caças russos e americanos estavam voando o suficiente para se arriscarem num potencial conflito entre as potências mundiais.

Mas como a Força Aérea russa poderia se aproximar dos aviões dos EUA?

Durante o período da Rússia na Síria, quatro de seus mais recentes e maiores jatos Su-35 Flanker voaram sortidas a poucos quilômetros do único jato de caça de quinta geração operacional do mundo, o F-22 Raptor dos Estados Unidos.

Dadas as diferenças fundamentais entre estes dois jatos de superioridade aérea, vamos dar uma olhada nas especificações técnicas e descobrir qual caça ganharia num hipotético e clássico Dogfight.


F-22 especificações

Velocidade Máxima: 2 700 km/h

Alcance máximo (combustível interno): 2 900 km

Dimensões: Envergadura: 13,56 metros; Comprimento: 18,89 metros; Altura: 5,09 metros

Peso máximo da decolagem: 37 toneladas

Motores: Dois turbofans F119-PW-100 com bocais bidimensionais de vetoração e gerando 15 800 kg de empuxo com pós combustão cada um.

Armamento: Um canhão de 20 milímetros M61A2 com 480 projéteis; baía interna de armas: nas duas baias laterais transporta dois AAM AIM-9X Sidewinder (guiagem por infravermelho) e na baía principal (ventral) transporta 6 AIM-120 (guiagem por radar) ou duas bombas JDAM GBU-32 de 453 kg e dois mísseis AIM-120.


Su-35 especificações

Velocidade máx.: 2 400 km/h

Alcance máximo (combustível interno): 3 100 km

Dimensões: Envergadura: 15,30 metros; Comprimento 22,21 metros; Altura 5,91 metros

Peso de decolagem máximo: 34 toneladas

Motores: Dois turbofan Saturn 117S com bocal direcional (TVC) e gerando cada um 14 500 kg de empuxo com pós combustão.

Armamento: Um canhão (orgânico) GSh-30 de 30mm com 150 projéteis, 12 estações sob as asas e sob a fuselagem para até 8.000 kg de armas, incluindo mísseis ar-ar, mísseis ar-terra, foguetes e bombas.


Manobrabilidade

A Rússia baseou o Su-35 na sólida plataforma do Su-27, de modo que seu status como um caça super manobrável é uma realidade.

Pilotos russos, familiarizados com as gerações anteriores das capacidades de vetorização de empuxo da família de jatos Sukhoi, realizaram proezas espetaculares de voo acrobático, como a “Cobra de Pugachev“.

Por outro lado, o F-22 tem uma grande relação peso/empuxo e bocais dinâmicos nos motores. Estes bocais móveis, mesmo tendo de serem desenhados de forma a manter uma borda que não comprometesse a ‘furtividade’, dão ao caça americano uma real capacidade de empuxo vetorado.

Em tese, o Su-35 manobra melhor que um F-22 em um clássico dogfight.


Guerra eletrônica

Tanto a Rússia quanto os EUA mantém em segredo as informações sobre suas capacidades de guerra eletrônica, mas deve-se supor que elas são, tanto no estado da arte, como quase iguais em eficácia.

No entanto, a capacidade stealth do F-22 permitiria que ele começasse a interferir no jato russo muito antes do Su-35 ter alguma noção da presença do Raptor.


Poder de fogo

Ambos os aviões são equipados com mísseis no estado-da-arte. A necessidade do Su-35 de levar as armas penduradas é uma ligeira desvantagem, mas, em geral, o primeiro avião que avistar e disparar vai ganhar.

O Su-35 pode carregar 12 mísseis, enquanto o F-22 leva apenas oito, mas o Su-35 normalmente dispara salvas de seis mísseis com um misto de buscadores (por infravermelho e radar), o que significa que dos do 12 mísseis, só dois realmente podem representar uma ameaça.

O F-22 poderia abater o Su-35 de uma grande distância, pois é mais difícil de detectar devido à sua vantagem stealth, por isso poderia potencialmente fazer melhor e mais econômico uso de seus mísseis.


Furtividade

Este é o lugar onde as coisas ficam interessantes: Na arena stealth, o F-22 está acima de qualquer outro jato operacional da atualidade.

A seção transversal de radar do Su-35 (RCS – radar cross-section/área visível ao radar) está entre 1 e 3 m². O RCS do F-22 é um segredo militar, mas analistas militares estimam que seja de 0,001 m².

Embora o Su-35 tenha a capacidade hipotética de detectar o F-22 a curta distância usando seu IRST (Infa-Red Search and Tracking) e potencialmente o radar Irbis-E, ambos os sensores teriam que ser orientados para se concentrarem exatamente numa determinada região do céu para ter uma chance de capturar um alvo. Em contraste, o F-22 saberá exatamente onde o Su-35 está em uma escala extremamente longa e pode, enquanto o Su-35 varre o céu, posicionar-se para uma solução de tiro.


Conclusão: Raptor vence o Su-35

O F-22 e o Su-35 provam ser dois aviões de Eras significativamente diferentes. O Su-35 carrega mais mísseis, pode voar mais longe e é, significativamente, mais barato. O Su-35 é um retrabalho sobre uma plataforma já existente da família Sukhoi Su-27, que têm a eficácia provada em dogfighting tradicional, enquanto o F-22 é o primeiro jato verdadeiramente de 5ª geração.

Em combate visual, a balança parece pender para o jato russo, no papel, mas o treinamento e apoio que os pilotos dos EUA recebem é inigualável. Assim, uma luta de um contra um, entre um F-22 e um Su-35, seria essencialmente um lance que se resume à habilidade particular do piloto.

Mas, o F-22 não foi feito para a arena de dogfight tradicional. O Raptor foi feito para abater o seu inimigo muito antes que o inimigo saiba da presença dele.

Um único Su-35 simplesmente tem pouca chance contra um F-22 porque o jato americano emprega tecnologia stealth muito superior. Enquanto um Su-35 poderia potencialmente encontrar um F-22 à distância, usando imagens térmicas, as limitações desses sistemas se sobrepõem aos pontos positivos.

Os pilotos de F-22 não precisam se preocupar com o agilidade do Su-35, pois podem encontrar e alvejar a aeronave de muito mais longe e terminar o combate antes que ele comece.

Historicamente, os aviões fabricados pelos EUA têm vencido os russos, e a nova geração de aviões norte-americanos reinventou o combate aéreo de tal forma que os futuros pilotos nem sequer terão de suar para dissuadir ou derrotar o inimigo.


FONTE: Warrior

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58 COMENTÁRIOS

  1. Um mano a mano é imprevisível, mas se os F-22 ou F-35 invadirem o território protegido pela Rússia eles terão uma resposta bem amarga.
    Algumas fontes dizem que os radares de terra da Rússia já pode detectar os "invisíveis". O que preocupa os americanos é o novo sistema de defesa Russo chamado S 400 e S 500, estes sim, de quinta geração. Mísseis com ogivas múltiplas e de velocidade de até 17 vezes a velocidade do som.
    Talvez os russos não ganhem pela qualidade e sim pela quantidade dos caças e pelo poderoso sistema de defesa russo.

    • Aí a gente foge do assunto, então seria Rússia contra F-22 e não Su-35 contra F-22.

      De qualquer forma, ninguém supõem que uma guerra com a rússia, seus S-400 e tudo mais seria fácil.
      Na verdade não dá nem para tentar prever o resultado.

      Ao mesmo tempo imagine os sukhois, não furtivos, tentando bombardear alvos na Europa.

    • Quais fontes ?

      Um SAM com MIRV ?! Esta eu não conhecia..

      A única coisa poderosa, não nuclear, na prática que a Rússia tem contra forças americanas são os russófilos de fórum.

      O resto são só "fontes"

  2. E o Allahu Akbar comeu solto nessa matéria! Gente que não sabe separar ideologia de uma situação hipotética…que vá debater estratégia com as 72 virgens!

    • Já vi isso, na verdade há inúmeros erros.

      O que mais me irritou é usar a taxa de acerto de um AIM-120A como exemplo e não um AIM-120D. Tendecioso demais…

  3. Só em um combate real que se vai descobrir quem leva a vantagem de fato. As informações dessas aeronaves são confidenciais, logo não se pode afirmar um vencedor.

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