O lançamento bem sucedido do foguete Falcon Heavy teria causado mal estar na liderança da NASA.

À medida que o Congresso dos EUA e a Administração do país pesam opções e estratégias para investimentos críticos na exploração Espacial profunda e na órbita baixa da Terra, é preciso distinguir o que é ficção da realidade.

Infelizmente, algumas manchetes recentes e editoriais de opinião mal informados sugeriram que o sucesso do lançamento de teste do foguete Falcon Heavy da SpaceX causou problemas para a NASA – que, de alguma forma, o próprio foguete da Agência, o poderoso sistema de lançamento espacial (SLS), seria desnecessário. Nada poderia estar mais longe da verdade. Sem tirar nada do desempenho impressionante do Falcon Heavy, é importante ter em mente as principais diferenças importantes do SLS.

De acordo com a SpaceX, o Falcon Heavy não está programado para levar seres humanos ao Espaço. Isso significa que não exigirão muitos dos recursos de segurança que devem ser incorporados no SLS. Além disso, o veículo da tripulação (Orion) que irá montado no topo do SLS possui um sistema de cancelamento de lançamento que será fortemente testado para reduzir ainda mais os riscos para a equipe enquanto estiver na plataforma de lançamento e durante os estágios iniciais potencialmente perigosos da subida.

O Falcon Heavy pode ser perfeitamente aceitável para o lançamento de satélites grandes, de bilhões de dólares ou grupos de satélites menores, mas simplesmente não requer o tipo de engenharia rigorosa necessária quando vidas humanas estão em jogo.

Em segundo lugar, há uma diferença significativa no poder entre o Falcon Heavy e o SLS. Simplificando, o Falcon Heavy pode levantar cerca de 64 toneladas e o SLS pode levantar 130 toneladas para a órbita baixa. Essa diferença realmente aumenta quando você está falando sobre ir além da órbita baixa (cerca de 350 km da Terra) para destinos como a Lua (cerca de 386.000 km da Terra) e Marte (cerca de 55 milhões de km da Terra).

Enquanto o SLS pode lançar a Orion e 10 toneladas de carga para a Lua, o Falcon Heavy não. O SLS também oferece uma capacidade de volume incomparável. A grande carenagem que será usada para lançamentos de carga no SLS pode levar o volume equivalente 6.115 m², enquanto o Falcon Heavy carrega o equivalente a 1.207 m².

A combinação de potência e volume de elevação significa que o SLS pode transportar grandes segmentos ou peças de infra-estrutura para o Espaço em um lançamento, em vez de ter que criar elementos menores que devem ser então montados no Espaço.

Como resultado, o uso do SLS reduz a complexidade, tanto no solo como no Espaço. Redução da complexidade significa uma menor chance de erro e dificuldade de montagem – se estamos falando de infraestrutura espacial ou de um carro esportivo. Nem o Falcon Heavy, nem nenhum outro foguete existente aproxima as capacidades das missões SLS para o Espaço profundo.

Em última análise, existe uma verdade simples que ressalta as diferenças entre o Falcon Heavy e o SLS: o Falcon Heavy pertence a Elon Musk e o SLS pertence ao povo americano. O SLS reafirma a posição de liderança dos Estados Unidos, aumentando o Soft Power de um jeito que um foguete comercial nunca poderia. Além disso, o uso do SLS para missões em Espaço profundo garante que futuras descobertas estarão disponíveis para todos, e não exclusivamente para uma empresa.

Quando o Congresso direcionou a NASA para desenvolver o SLS e continuar o desenvolvimento da Orion como um veículo de tripulação multifuncional, o fez para garantir que os Estados Unidos, atuando por meio de seu governo, tivesse a capacidade de lançamento que poderia garantir a sua contínua liderança no Espaço à medida que a humanidade começa a longa jornada para a Lua e além.

Essa não é uma empreitada que poderia – ou deveria – ser realizada por entidades totalmente privadas, mais do que o país deveria manter uma força militar permanente por meio de empresas privadas. De fato, o Espaço real constitui uma arena importante em que a segurança dos EUA deve ser mantida. O acesso garantido a esse domínio deve ser uma prioridade para o país, usando todas as capacidades disponíveis, incluindo recursos governamentais, privados e gerados por parcerias.

Concepção artística do SLS

Hoje a NASA permite que muitas empresas comerciais, incluindo a SpaceX, realizem missões inovadoras e excitantes. Em aproximadamente dois anos, o SLS será lançado pela primeira vez, abrindo uma nova Era de exploração espacial. Com o SLS, os EUA poderão viajar mais profundamente no Espaço do que nunca.


FONTE: The Hill

14 COMENTÁRIOS

  1. A NASA é muito mais do que uma lançadora de foguetes. Participa de vários projetos conjuntos e tem vários outros próprios.

  2. O fato é que a entrada de empresas como a SpaceX acaba por beneficiar à NASA que, livre da responsabilidade de executar missões corriqueiras de colocação de cargas em órbita terrestre, agora pode voltar seus esforços para explorar o espaço profundo.

    • Além de libera a NASA para projetos maiores, A SpaceX vira forte concorrente para russos e franceses, consolidando a supremacia aos EUA no setor.

    • Pois é, sem ter que realizar tarefas "sempre do mesmo" agora podem se dedicar a "algo maior" dedicar os gênios e o $$$.

      Rumo a Marte?

  3. Eu acho esse Elon Musk admirável. O sujeito é visionário e arrojado.
    Mas, é melhor ir com calma para não colocar a carroça na frente dos bois.

  4. Tem um canal chamado Space Today no youtube, o cara simplesmente esgotou o assunto. Recomendo pra quem tiver interesse….

  5. O problema é que a Nasa tem um número restrito de motores pro SLS se não me engano 16 oriundos dos estoques dos ônibus espaciais e cada foguete utilizam 4, enquanto o motor Merlin do Falcon Heavy encontra-se em produção. E o FH não é o problema para a Nasa mas o BFR será.

    • E por acaso a NASA visa algum lucro com suas pesquisas?

      Uma coisa é uma empresa e outra é uma agencia que tem por finalidade fomentar a pesquisa espacial e o desenvolvimento aeroespacial de uma nação, ela conta para isso de um orçamento governamental de quase U$ S 20 Bi… Quando o BFR estiver ativo e se provar seguro, a NASA vai é ficar muito contente em contratar a SpaceX para poder usa-lo, de certa maneira ele só será possível graças a ela. Não é concorrência, é missão cumprida!

  6. Excelente texto! A NASA é uma agencia governamental e ainda que seja civil, ela não visa o lucro e sim o desenvolvimento e a pesquisa científica, sem ela e seu orçamento bilionário o que seria da Space X, ULA, Orbital ATK e tantas outras?

    O que a NASA faz é contratar empresas privadas para atender suas necessidades e conta também com a ajuda de outras instituições de ensino e pesquisa como o MIT e outras universidades. A NASA só desenvolve aquilo que não existe no mercado e o SLS é o exemplo mais típico, um foguete que põe no chinelo até mesmo o Falcon Heavy, embora a Space X tenha planos para desenvolver um foguete com capacidades semelhantes, ainda está longe de faze-lo (ainda que Elon Musk alardeie o contrário)… Então o negócio é desenvolver boa parte da tecnologia através de seu Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) e parceiros para depois passar o resto para empresas privadas e já acostumadas com a "lida".

    Porque alguém neste país de merda não pensa em usar do mesmo modelo? O orçamento da AEB e outras instituições de pesquisa é tão risível que dá até pena, o que é mais decepcionante é que o povo não só acha que a Space X seja melhor que a NASA, mas também acha que investir em pesquisa aeroespacial é desperdício de recursos.

  7. Bem coerente o artigo.
    A NASA possui a função de exploração científica e essa nobre atividade não pode ser privatizada. Se o programa espacial tripulado parece sem rumo, isso se deve mais a uma falta de foco nas últimas administrações que qualquer outra razão.

  8. A NASA é uma agência administrativa, o trabalho em conjunto com LM, Boeing, Rockwell dentre outras menores levaram milhares de toneladas a Lua.

  9. Discordo do texto. Acredito sim que a SpaceX é o caminho natural da exploração espacial. A Nasa, estatal, pesadona devria se dedicar a pesquisa pura e deixar de lado os lançamentos militares e comerciais. Os engenheiros da SpaceX não foram formados na Bolívia, vieram da Nasa, e quanto a segurança dos vôos tripulados, é uma questão de colocar o desafio ao Elon Musk. Ele deseja colocar pessoas em suas naves, e terá que criar meios para isso, senão vai a falência. O Falcon Heavy é uma realidade e o SLS está no papel. Se uma empresa privada consegue ser mais eficiente e competitive que uma estatal, para que manter esta estatal com as mesmas funções que uma empresa privada? Ela que fique como agente regulador e de pesquisa pura na área. Deixe o risco e custos para a empresa privada.

    • A NASA não faz lançamento militar não jovem, e a SpaceX não quer saber de fazer pesquisa espacial coisa nenhuma, ela quer é lucrar com lançamento de carga e talvez com o turismo espacial, se marte é um potencial destino, eles vão depender de dados colhidos através de décadas de pesquisa e explorações feitas é claro pela NASA.

      Você disse que os engenheiros da SpaceX vieram da NASA… Pois é, aí é que esta uma das funções dela e se o que ela precisa já está no mercado, ela usa sem medo mas se o que ela precisa não existe (SLS), ela vai desenvolver a tecnologia e quem vai se beneficiar vai ser a ciência e as empresas contratadas para a construção do aparelho.

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