Linha de montagem do Sukhoi Superjet 100.

Após uma série de consultas com autoridades, fornecedores e clientes, a Sukhoi Civil Aircraft (SCAC), parte da United Aircraft Corporation (UAC), iniciaram o projeto em uma versão completamente nacional do jato regional Sukhoi Superjet. As empresas empreenderam o desenvolvimento no âmbito de um amplo programa de substituição de importações encomendado pelo Kremlin.

Embora a SCAC ainda não tenha encontrado proibições relacionadas a sanções contra o recebimento de componentes fabricados nos EUA e na UE, o aperto das sanções ocidentais à Rússia poderia, um dia, levar à ruptura da cooperação internacional estabelecida sobre o projeto. O conteúdo ocidental agora representa entre 55% e 60% do custo unitário do jato SSJ100.

Até agora, o programa Superjet avançou ininterruptamente apesar do esfriamento nas relações entre Moscou e o Ocidente, que começou com a guerra civil na Ucrânia no final de 2013 e piorou com a anexação da Criméia em março de 2014. Acordos de longo prazo assinados antes os eventos permaneceram em vigor, fornecendo ao fabricante uma cadeia de fornecimento ininterrupta.

O primeiro teste sério em que o programa não passou envolveu o envio pretendido de cerca de 40 aviões para companhias aéreas iranianas. No Eurasia Airshow 2017 em Antalya, na Turquia, a SCAC assinou cartas de intenção com as companhias iranianas Airtours e Iran Asman que pediam entregas entre 2020 a 2023. Na época, a SCAC acreditava que removendo peças dos Estados Unidos na fabricação do SSJ100 e substituindo-as por peças russas ou europeias retirariam a aeronave do escopo regulatório do Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA. Em particular, a SCAC relatou planos para substituir a navegação inercial feita pelos EUA, a unidade de potência auxiliar e o interior da cabine.

No decorrer do verão, vários parceiros europeus do SCAC informaram ao fabricante que não correrão o risco de perder o mercado dos EUA como resultado da possível retaliação à Casa Branca por sua não conformidade com a nova política do presidente Donald Trump em relação a Teerã.

Tendo reconsiderado a situação, Moscou decidiu prosseguir com a nacionalização do Superjet em uma extensão maior do que o inicialmente planejada. Depois de 2021, quando a SCAC introduzir uma versão do avião sem partes dos EUA conhecidas como SSJ100R, os planos da companhia buscarão uma versão desprovida de todos os componentes ocidentais, de acordo com fontes da UAC.

O pacote aviônico integrado da Thales seria substituído pelo fabricante local KRET. Os motores PowerJet SaM.146 da aeronave seriam substituídos pelo Aviadvigatel PD-9, efetivamente uma versão em escala do PD-14 desenvolvido para o jato MC-21 da Irkut. Além da nacionalização, isso, juntamente com uma nova asa composta, reduziria a queima de combustível entre 5% e 8%.

No entanto, a criação de um Superjet totalmente russo representa um desafio, dado o fato de que a maioria dos sistemas embarcados do avião vem do Ocidente. Em teoria, a SCAC poderia considerar peças chinesas, mas a República Popular da China produz poucas peças apropriadas para instalação no Superjet.

O SSJ100 voou pela primeira vez em 2008. Desde que entrou no serviço comercial em 2011, o modelo registrou mais de 300.000 voos comerciais com duração de 460 horas. Em agosto de 2016, 133 aeronaves estavam em operação, com oito companhias aéreas, além de cinco organizações governamentais e de aviação executiva.

Mais recentemente, a Aeroflot e a UAC assinaram um acordo preliminar pedindo a entrega de 100 Superjets de 2019 a 2026. O anúncio de 10 de setembro não mencionou se alguma das entregas envolveria o SSJ100R ou um Superjet de conteúdo totalmente russo.


Fonte: AIN Online

5 COMENTÁRIOS

  1. Só as vendas pata o Irã ja justificam este desenvolvimento, o MS-21 já foi programado para ter uma versão só russa porque será platafoma afpara operações militares, ASW, AEW, Elint/Sigint, Comando

  2. Mercado garantido…na Russia, Coréia do Norte, Cuba, Irã e algumas nações da AL, sem contar algumas republiquetas espalhadas por aí. Creio que sem turbulência para a lider Embraer.

  3. Infelizmente, a troca de motores não pode comprovar o aumento de eficiência – de fato tende à ser o contrário.
    Já quanto aos demais compinente, além do motor, matará de vez o Superjet para a maioria dos mercados.

  4. Já que foi levantada a questão de possíveis sanções e vetos dos EUA, me pergunto agora se a Decisão da Interjet não teria levado esse cenário em conta, precavendo-se contra dores de cabeça ainda maiores no futuro, para manutenção de seus SSJ-100.

  5. Era o que faltava para ficar uma porcaria. Impressionante a dificuldade da Rússia (URSS) em transferir o conhecimento tecnológico da área militar para a sociedade como um todo. Não conseguem produzir nada que presta . Carro, avião, eletrodoméstico, computadores, etc…

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