Em dezembro de 2010, o Ministério da Defesa da Índia (MoD) assinou um acordo para financiar o estágio preliminar de design do que foi chamado Future Generation Fighter Aircraft (FGFA). O desenvolvimento desta aeronave, originalmente destinada a ser uma variante biplace do Sukhoi T-50 de 5ª Geração, deveria ser adaptada para satisfazer os requisitos indianos.

O T-50, agora conhecido como Su-57, seria o seguimento lógico para – e eventualmente substituir – algumas das missões de combate da variante desenvolvida para a Índia, o Su-30MKI. O acordo de 2010, no entanto, apenas comprometeu a Índia a pagar US$ 295 milhões, que foi o financiamento para o projeto inicial e fase de definição de conceito

No entanto, desde então, a Índia não deu o próximo passo no processo, que é comprometer-se a um esforço de vários bilhões de dólares para avançar no desenvolvimento de uma variante da aeronave para atender aos requisitos da Índia.

Esta reticência dos indianos para avançar é devido a uma coleção de fatores, uma das quais é a questão dos compromissos financeiros que seu envolvimento no programa obrigaria a cumprir.

Um executivo da indústria dos EUA diz que o problema é que os indianos tem muitos programas ao mesmo tempo, mas sem realmente cortar o cordão umbilical com os russos. Atualmente, o Ministério da Defesa indiano tem os seguintes novos e principais projetos em andamento:

  • Aquisição de 36 caças Dassault Rafale sob um pacote envolvendo compensações industriais. O custo total do programa é estimado em US$ 9 bilhões.
  • Um novo projeto sobre o processo de licitação Medium-Multirole Combat Aircraft (MMRCA) que resultou na seleção do Rafale, mas desta vez, no entanto, o programa seria para 100 ou mais caças monomotores. A maioria dos observadores espera que isso termine com a escolha recaindo sobre o Saab JAS-39E Gripen e uma variante do Lockheed F-16, o último dos quais foi referido como “Bloco 70”. Ambas as aeronaves seriam equipadas com radar AESA.
  • Compra de 83 HAL Tejas M.k1A (73 mono e 10 biplaces). Essas aeronaves são uma variante melhorada equipada com radar AESA, suíte de guerra eletrônica e sonda para REVO.
  • Criação de uma variante modificada do Su-57 que inclua a participação local da indústria indiana.
  • Aquisição de uma aeronave capaz de ser lançada por catapulta para a próxima geração de porta-aviões da Marinha Indiana. Os EUA já concordaram em vender a tecnologia EMALS.

No entanto, quase todos os analistas – tanto os especialistas ocidentais como os da Índia – declararam que é quase impossível ver todas essas iniciativas avançar sem que uma ou mais delas sejam sacrificadas.

A razão pela qual os analistas em Moscou e em Nova Deli estão analisando o programa Su-57 como o candidato mais provável entre aqueles acima para ser cortado é que o Su-57 tem muitos patrocinadores e muitos problemas associados a sua aquisição. Oficialmente, tem havido uma parceria entre a Rússia e a Índia no desenvolvimento do PAK-FA desde 2007.

Este é o primeiro de muitos problemas, de acordo com observadores aeroespaciais militares indianos, porque durante este período de 10 anos, o programa Su-57 teve um “progresso bem lento”. Outra dificuldade do lado indiano foi que o número deste modelo inicialmente projetado para ser produzido foi de cerca de 800. Esse número agora encolheu para algo entre 300 a 400, que inclui 127 unidades a serem adquiridas pela Índia. Isso faz com que quase 50% dos custos iniciais dos indianos não sejam recuperados.

Isso coloca a estimativa de custo total para a IAF em mais de US$ 30 bilhões.

O público indiano olha os números entre o Rafale e o Su-57 e pensa que a opção russa é uma pechincha“, disse um especialista em aeronáutica indiana. “Eles não percebem que US$ 9 bilhões serão por 36 Rafales, mas apenas quatro Su-57 custarão US$ 6,7 bilhões, com o custo total do programa mais de três vezes o da aquisição do Rafale“.

Além disso, o custo unitário real de uma versão indiana do Su-57 continua sendo desconhecido. Uma equipe da IAF que examinou os protótipos T-50 do programa Su-57 descobriu dúzias de mudanças de projeto que eles solicitariam antes de considerar que a aeronave era compatível com seus requisitos, muitas das quais envolvendo problemas de radar (RCS) ou outras caras modificações.

De positivo, o protótipo T-50 #2 finalmente voou em dezembro de 2017 com um novo motor de 5ª geração instalado em um dos berços. Este, que foi comumente denominado de “izdeliye No.30”, é considerado como uma grande melhoria em relação ao motor Saturn/Lyulka 117/AL-41F1 que propulsou todas as aeronaves no programa.

Além de oferecer um empuxo maior que o motor modelo 117, o izdeliye tem um consumo de combustível específico menor, menos peças em geral no seu projeto e um maior número projetado de horas de voo em sua vida útil.

O motor tem sido um esforço cooperativo por várias agências de design de motores de combate, todas as quais foram concentradas na Unified Aeroengine-Building Corporation (ODK). A produção em série do motor terá lugar na mesma fábrica, na Rússia, que atualmente constrói os motores da série 117.

O primeiro voo do novo motor é considerado uma prova positiva de que a indústria de aviões militares da Rússia é capaz de lançar uma nova aeronave que possui um complemento de subsistemas atuais da 5ª geração. Durante algum tempo, o programa Su-57 foi criticado por ser o mesmo motor, radar, aviónica do Su-35, mas instalado em uma estrutura dita stealth.

Em outras palavras, disse um analista aeroespacial russo: “Por fora, uma aeronave de próxima geração, mas por baixo do revestimento era menos do que parecia. Mas esta crítica não se aplica agora, pois tem uma aeronave voando com um novo motor e outros componentes de última geração“.

No entanto, os especialistas russos afirmam que talvez o maior obstáculo para o programa Su-57 seja que ele não tem pedidos firmes. Parece as Forças Aeroespaciais Russa (VKS) não tem um especial interesse em receber o quanto antes o Su-57, apesar de ter o potencial de ser uma nova aeronave por direito próprio, pois não estão dispostos a deixar de lado a grande frota de Su-35.

A vantagem do Su-35 é, em primeiro lugar, um avião maior que pode transportar mais armas do que o Su-57 e, em segundo lugar, há pedidos de exportação para o Su-35 que potencialmente reduzem o custo unitário e criam a escala necessária para manter a linha de produção para peças sobressalentes e upgrades.

No passado, o desenvolvimento de um novo projeto inovador atuava como uma “locomotiva de tecnologia” que teria benefícios colaterais em todo o setor aeroespacial. Este foi o argumento usado há mais de 20 anos quando havia aqueles que defendiam a conclusão do programa Mikoyan Multi-Role Fighter (MFI) 1.44, apesar do fato de que a missão inicialmente projetada para ele não existir mais.

Este não é o caso do Su-57, dizem vários observadores aeroespaciais russos. A maioria das principais inovações a serem utilizadas nesta aeronave seria desenvolvida de qualquer maneira e provavelmente será adaptada a outros caças do modelo anterior.

Por enquanto, a VKS tem apenas doze Su-57 firme em contrato. De acordo com o plano atual, os primeiros 10 serão propulsados com o motor 117 e os dois últimos utilizarão o novo 6izdeliye 30. O desempenho dessas aeronaves, especialmente aqueles que voam com o novo motor, podem muito bem determinar o quão longe o programa poderá ir e se atrair o interesse de outras nações, pode muito bem se tornar viável.


FONTE: AINonline

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23 COMENTÁRIOS

  1. Certanente, é o caminho natural para a India. Avião de excelência. Com um bom porte, será uma excekente plataforma.
    Conselho para a Índia: Una-se ao melhor.

      • São equivalentes , mas de porte maior que o F-35. Russos e chineses não gostam de aviões mirrados. Maiores, mais pesados e com maior capacidade de transporte de armas.
        O único problema será os russos acalmarem o gigante amarelo. Mas, no final, tudo se ajeita.

        • Tem que ser grandes pra não se despedaçar quando explodem. O coitado do piloto merece uma chance.

          • "… não gostam de aviões mirrados…"

            kkkkkkkk Nem vou comentar.

        • Não tem a nada a ver com gostar. Primeiro, a Rússia não tem dinheiro para projetar um monomotor e segundo o Mig tem custo benefício ruim se comparado ao Sukhoi por isso compram poucos, apenas para manter a fábrica funcionando.

          E a china possui o J-10 e estão trabalhando no J-31 que são menores. Aviões de tamanhos diferentes ocupam espaços diferentes.

  2. Parece que os indianos não estão muito empolgados e os russos precisam de alguém para pagar as contas.

      • Em resumo:
        1) China J-20;
        2) India : Su-57;
        3) Russia : Su-57;
        4) Indonésia: Su-35.

        Três bilhões de pessoas muito bem protegidas .

        • Sendo que Índia espera comprar 200 caças monomotores ocidentais e mais meia centena de caças embarcados que, possivelmente, também serão ocidentais, visto que a satisfação com Mig-29k é tão baixa quanto a sua disponibilidade.

        • Protegidas dos caças russos caindo como vemos aqui quase todo dia.

  3. Qual a necessidade do Tejas se comprarem Gripen ou F-16? E mais Rafale, SU-30, Mig-29K, Jaguar, Su- 57 ou F-35 ou F-18. Enquanto todo mundo busca implantar estratégias operacionais enxutas e objetivas, os hindis parecem crianças desnorteadas querendo colecionar um monte de brinquedos, um samba do crioulo doido.

    • Deve ser alguma preocupação excessiva em ficar na mão de apenas um país fornecedor.

      • Creio que estão tentando bater algum recorde de cair com o maior número de aeronaves possíveis kkk.

      • E o custo operacional de tudo isto, cada qual com suas necessidades especificas de doutrina operacional, logistica, infra estrutura, programas de treinamento e manutençao, etc, etc e etc.

    • Paulo, pelo que eu entendi, não é Gripen OU F-16 é Gripen AND F-16 ou seja ambos!
      Realmente um samba do crioulo doido!

  4. Meu deus essq índia é uma torre de Babel de armamentos

    Russos
    Migs 21/25/29 e versão naval do Mig29
    Su 35

    Indiano
    Tejas

    Inglês/Americano
    Harrier
    Jaguar

    Francês
    Mirage 2000
    Rafales

    Possíveis
    F-35
    Gripens
    Su-57

    A única coisa que falta para os indianos completarem a lista deles são
    Typhons
    F-35B
    F-16/18

    Pronto teriam todos os caças do mundo kkkkk

  5. Também não entendi qual o motivo desse projeto de aquisição do F-16 e Gripen..
    Ambos são basicamente equivalentes e mesmo com a premissa de não ficar na mão de um único fornecedor, ao meu ver não faz muito sentido, afinal eles já têm muitas outras opções disponíveis no arsenal.

    • Acho que o amigo se equivocou, o processo de licitação é para escolher um dos dois e não comprar ambos, os indianos são malucos mas nem tanto.

      Com uma compra prevista de 100 caças monomotores, a Lockheed Martin e a SAAB estão muito empenhadas em tentar fechar a venda bilionária.

  6. Eu saltava fora desta barca furada…

    Investia o máximo possível no Rafale e depois compraria alguns F35

  7. Que loucura, a Índia opera coisa de mais. Tinha que se desfazer de toda essa tranqueira, limpar as bases e começar de novo, Hi-Lo com o Rafale e o Tejas e 5ª Geralção de F-35 e ponto. Aposenta e vende o resto, larga de frescura de make in india e padroniza. Querem 42 esquadrões, são 750 caças. 250 Tejas, 250 Rafale e 250 F-35. Padroniza as 3 frotas, otimiza custos, amplia cadeia logística, melhora a manutenção e treinamento, é a chava do sucesso. Daí preferem ficar gastando dinheiro com tudo que é porcaria e programa loco. Americanos e Franceses não vão deixa-los na mão.

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