160407 F CP692 111 - Super Tucano para a Nigéria?
A-29 Super Tucano – Força Aérea Afegã (AAF) / © Capt. Eydie Sakura – USAF, em caráter ilustrativo

O governo dos Estados Unidos busca aprovar a venda de até 12 aeronaves de ataque leve A-29 Super Tucano, da Embraer, para a Nigéria como auxílio no combate ao grupo extremista Boko Haram, disseram autoridades norte-americanas, em um voto de confiança à reforma conduzida pelo presidente Muhammadu Buhari para mudar o manchado histórico militar do país africano.

Washington também está dedicando mais ativos de inteligência, vigilância e reconhecimento para a campanha contra militantes islâmicos na região, e planeja providenciar mais treinamentos para as forças de infantaria nigerianas, disseram as autoridades à Reuters, falando sob condição de anonimato para discutir os planos do governo Obama para a Nigéria.

A possível venda dos Super Tucano – que autoridades dizem ser apoiada pela administração dos EUA, embora seja assunto de revisão pelo Congresso – destaca o profundo envolvimento norte-americano na ajuda a países do norte e oeste da África na luta contra grupos extremistas.

O Congresso dos EUA ainda não foi formalmente notificado sobre a possível aprovação da venda das aeronaves à Nigéria.

Os Super Tucanos podem ser usados para treinamento, vigilância e ataques. Os aviões podem ser armados com metralhadoras e carregar até 1.550 quilos de armas.

Uma linha de produção do Super Tucano fica na Flórida, onde a aeronave é fabricada em parceria com a empresa norte-americana Sierra Nevada Corp. As aeronaves que seriam vendidas à Nigéria vêm com “uma configuração armada bastante básica”, disse uma das autoridades dos EUA.

A venda pode oferecer à Nigéria uma aeronave que pode permanecer no ar por longos períodos para atingir formações do Boko Haram. As autoridades não revelaram o custo dos aviões para serem vendidos para a Nigéria. No entanto, um contrato para vender 20 aeronaves similares para o Afeganistão teve custo de 428 milhões de dólares quando foi anunciado em 2013.

A ampliação da ajuda militar dos EUA é uma vitória política para o presidente nigeriano Buhari, que tomou posse no ano passado prometendo reprimir a corrupção desenfreada que tem minado as Forças Armadas no país mais populoso da África.

“A administração Buhari, eu acho, tem realmente reenergizado a relação bilateral de uma forma fundamental”, disse um oficial dos EUA.

O governo nigeriano anterior de Goodluck Jonathan tinha desprezado os Estados Unidos por bloquear a venda de armas, em parte devido a preocupações com os direitos humanos.

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A-29 Super Tucano – Força Aérea Afegã (AAF) / © Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

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FONTE: Reuters

EDIÇÃO: Cavok

NOTA DO EDITOR: Se confirmado o fornecimento dos A-29 à Nigéria, este será o terceiro negócio realizado no âmbito do programa LAS (Light Air Support) da Força Aérea dos EUA (USAF), depois do Afeganistão e Líbano.

 

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14 COMENTÁRIOS

  1. Levando em conta uma aeronave como o ST que tem componentes de alguns países….

    1) Um país interessado no ST deve pedir aos EUA permissão para comprar o ST do Brasil, ou o país entra em contato com a Embraer e essa cuida dos tramites (das permissões)?

    2) Se a Nigéria queira comprar ST dos EUA (montados lá), o Brasil tem que em algum momento permitir o negócio?

    3) Quando eu cito "Brasil permitir o negócio" imagino que a fab tenha algum controle, ou a Embraer vende a quem ela quer sem necessitar de permissão..?

    • Tomo a liberdade de acrescentar outra pergunta a essas que o amigo elencou: Será que algum outro país financia essa venda? Porque pela situação econômica da Nigéria fica difícil imaginar que tenham condições para isso.

      • E o parça (Brasil) amigo de genocidas, comunas e falidos não tem mais condições de fazer um agrado né ahaha.

        Mas o valor é "baixo", o tio-san da uma ajudinha…

    • 1) Quem está vendendo e financiando é o governo americano, acertam e coordenam o treinamento, implantação e dão apoio. Para o cliente é mamão com açúcar. Basta pagar o financiamento que é de pai pra filho.

      2) Sim, a exportação das partes fabricadas no Brasil precisam ser aprovadas. Propriedade intelectual é do GF e é necessário OK.

      3) A propriedade intelectual é da FAB. Exportação de itens de defesa exige licença.

      • Perfeito, Zeabelardo….

        Em linhas gerais, cada país é responsável por aprovar a venda dos itens que controla, e isso ocorre em todos os segmentos, não apenas na aviação militar. Por exemplo, o Irã ainda não conseguiu efetivar sua aquisição de aeronaves comerciais produzidas pela Airbus porque os americanos ainda não liberaram a licença de reexportação dos itens que compõem as aeronaves e são produzidos nos EUA.

        Situação semelhante ocorre com o Gripen, que apesar de ser um projeto da Saab, requer aprovação dos países fornecedores de subsistemas para que a aeronave seja vendida. E isso também vai ter impacto no caso do Brasil tentar comercializar a aeronave, dentro das regiões que lhe cabe, conforme o contrato.

        Essa assunto já foi exaustivamente discutido aqui no site, sob vários prismas, e essas mesmas regras se aplicam ao Super Tucano, independente de quem o venda. Ainda com relação ao A-29, é preciso lembrar que a FAB recebe royalties por cada aeronave vendida, independente se via Brasil ou EUA.

        A China, por exemplo, é um país que, para algumas de suas aeronaves, são oferecidas alternativas para que seus clientes possam escapar de eventuais vetos. Para exemplificar, o K-8 Karakorum, em sua variante padrão, é propulsado por um turbofan Honeywell TFE731-2A-2A e equipado com assentos ejetores produzidos pela Martin Baker. Ocorre que, justamente por conta de eventuais vetos, existem variantes que são disponibilizadas com motorização ucraniana ou mesmo chinesa, além de assentos ejetores produzidos na China, além obviamente da aviônica.

        Voltando ao Super Tucano, se a Embraer entendesse que é viável (técnica e financeiramente), poderia ser oferecida ao mercado uma variante alternativa, contendo itens de outras procedências, menos suscetíveis a embargos. De qualquer forma, conforme já dito, seria necessário avaliar a viabilidade disso.

        Sds!

    • Galileu, o que existe e uma linha especial de financiamento das forças armadas dos EUA. Essa linha obriga que somente produtos norte-americanos podem ser adquiridos por ela. Por esse motivo que a Embraer teve que montar uma linha de produção em Jackson Ville na Florida para produzir os Super Tucanos que foram comprados com essa linha de financiamento para o Iraque. Nas vendas do Super Tucanos direto pela Embraer os EUA podem barrar a venda como aconteceu com o pedido da Venezuela. Como muitas peças e aparelhos, inclusive os motores são fabricados nos EUA eles tem o direito de barrar a venda.

      • Super Tucano para o Iraque? Não seria Afeganistão?

        Lembrando que o Iraque tentou comprar o Super Tucano diretamente do Brasil, e o governo federal negou, com receio de desagradar o EI.

        Via EUA, em tese até seria possível, haja vista, se fosse o caso, eu não creio que o Brasil vetasse uma venda já aprovada pelos EUA, apesar de ter direito a fazê-lo, mas correria o risco de perder em outros negócios. Ocorre, entretanto, que o Iraque já é operador do T-6C Texan II, da Beechcraft, e o Super Tucano por lá poderia criar problemas indesejados para os americanos.

  2. Arregaça Super Tucano! Deste jeito a matriz nem precisará mais fazer tour…é só deixar os EUA apresentar os resultados obtidos pelos seus aliado que operam o ST.

    Alguém tem notícias sobre a intenção de venda ao Líbano?

    CM

  3. A lateral dos nossos também é reforçada como esses do Afeganistão?

    • RMKawabe,

      Os ST da FAB não dispõe desta blindagem adicional. Mas são vendidos em forma de kit's…é só pagar e ter.

      CM

      • Na verdade, Moreno, a FAB possui as placas de blindagem do Super Tucano. Elas, entretanto, nunca foram instaladas em nossas aeronaves.

        O que eu não tenho certeza é com relação à quantidade adquirida, mas que a FAB as adquiriu, isso é fato.

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