Bombardier Dash 8-200 da Air Greenland, em foto meramente ilustrativa.

A Air Greenland revisou suas considerações sobre o centro de gravidade dos seus Bombardier de Havilland Dash 8-200 após um grave incidente onde uma das aeronaves não conseguiu decolar devido a pesos acima do suposto para passageiros e bagagem.

O turboélice estava realizando sua corrida de decolagem da pista 05 de Nuuk e atingiu sua velocidade de rotação de 88kt, mas quando o primeiro oficial puxou o manche para trás, não houve resposta da aeronave.

Isso levou o primeiro oficial a abortar a decolagem, reduzindo as manetes e aplicando a frenagem antiderrapagem máxima, com a aeronave parando a cerca de 50 metros do final da pista de 950 metros. A superfície estava seca no momento.

Vinte e nove passageiros e três tripulantes estavam a bordo do voo do dia 30 de maio para Kangerlussuaq, o que significava que a aeronave estava totalmente carregada.

Os cálculos antes do voo – usando figuras de peso padrão para os ocupantes – assumiram um peso na cabine de 2.445 kg, distribuído uniformemente, e isso resultou em um centro de gravidade dentro dos limites da aeronave.

Mas o peso real estava mais próximo de 2.740 kg, com as três primeiras filas de bancos particularmente pesadas, com mais de 160 kg adicionais ao valor presumido. O peso dos pilotos também estava mais pesado, e a discrepância geral entre a tripulação, passageiros, bagagem e compartimentos internos de bagagens representou um aumento de 13%.

A autoridade de investigação dinamarquesa HCL disse que a tripulação estava “ciente” de um problema avançado de centro de gravidade antes da partida, e um membro da tripulação que estava de folga deixou o jump-seat na cabine e foi acomodado num assento dos passageiros.

Aeronave Dash 8-200 da Air Greenland. (Foto: Quintin Solovjev)

Mas a investigação constatou que o centro de gravidade – quando calculado usando pesos reais, e não assumidos – ainda estava 6,1cm à frente da limitação operacional da aeronave.

Embora a aeronave tenha atingido a velocidade de rotação durante a decolagem, a tripulação optou por abortar depois de acreditar que a falta de resposta significava uma falha no controle de voo.

“A lógica por trás da decisão de abortar a corrida de decolagem obedeceu aos procedimentos operacionais e potencialmente impediu um resultado mais grave”, disse o inquérito.

Desde então, a Air Greenland revisou seu envelope de centro de gravidade para aumentar o peso dos passageiros e alterou seu método de distribuição de passageiros durante os assentos para obter maior controle do posicionamento extremo à frente ou atrás.

Embora os procedimentos operacionais exijam que o pessoal de terra ou a tripulação de cabine avise o capitão se houver um número significativo de passageiros acima da média, a investigação questiona a eficácia desse método de controle de riscos.

“Tais observações … são afetadas, por exemplo, por cultura, percepção subjetiva, experiência de trabalho e treinamento individual”, afirma.

Dada a gravidade do incidente da Air Greenland, o inquérito instou a Agência de Segurança da Aviação da União Européia (EASA) a revisar seus planos para atualizar os dados padrão dos passageiros, uma tarefa que os investigadores afirmam ter sido priorizada pela EASA.


Fonte: Flightglobal

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