O veículo pessoal de decolagem e aterrissagem vertical (vertical takeoff and landing – VTOL) Workhorse SureFly completou seu primeiro voo sem amarras, marcando um grande passo rumo a certificação planejada da aeronave estilo quadcopter no final de 2019, início de 2020.

O voo, que ocorreu no ultimo dia 30 de abril, durou cerca de 10 segundos e foi testemunhado por oficiais da Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – FAA). Voos subseqüentes duraram até 20 segundos, disse Steve Burns, co-fundador e CEO da Workhorse.

Apresentado publicamente no Paris Air Show em junho de 2017, o design do SureFly apresenta quatro hélices contra-rotattivas no final de cada um dos quatro braços que formam um “X” acima da compacta cabine de fibra de carbono para dois lugares. A aeronave é controlada por meio de um joystick para pitch e roll e botões para guinada e alterar a altitude.

O primeiro voo sem restrições realmente nos provou o que precisávamos saber. A energia usada, o ruído audível, a facilidade de controle com o joystick e os algoritmos de balanceamento”.

Burns descreveu o SureFly como uma aeronave híbrida em termos de fonte de energia, com um gerador de combustível fóssil e duas baterias de lítio de 7,5 kWh que servem como capacitores e backup de emergência caso o gerador falhe. A Workhorse está desenvolvendo o SureFly com um gerador de pistão de 200 cavalos, mas planeja eventualmente oferecer também uma versão com turbina com 300 cavalos de potência.

Desde a apresentação da aeronave em Paris no ano passado, o modelo já sofreu várias mudanças no design. O mais notável deles é a forma de seus braços, que foram arredondados a partir de seu desenho retangular original por causa da vibração excessiva.

A cabine monocoque de fibra de carbono do SureFly também foi refinada, enquanto a bateria e o gerador foram alterados.

Nós íamos com um gerador da Honda, mas a aprovação da FAA para com este teria sido um longo caminho, e não imaginamos outra uma turbina na época”, disse Burns.

O SureFly movido a pistão foi projetado para ter um alcance de 120 km a uma velocidade de aproximadamente 120 km/h, com um peso vazio previsto de 500 kg e um peso máximo de decolagem de 680 quilos.

Burns disse que a versão de turbina será mais cara do que a versão movida a pistão que vale cerca de US$ 200 mil, mas que oferecerá uma carga maior ou melhor alcance.

A Workhorse acredita que o ponto de preço tornará a aeronave atraente para uma ampla gama de clientes, muitos fora dos círculos tradicionais de aviação. A empresa já recebeu depósitos para o SureFly durante o Paris Air Show e, embora não esteja revelando os números, Burns disse que superou as expectativas da companhia.

O que nós aprendemos é que, se você tem uma máquina segura, relativamente barata, de baixa manutenção e fácil de voar, muitas pessoas que nunca sonharam em pilotar um helicóptero escolherão isso“, disse ele. “Pode ser um socorrista de emergência; poderia ser um fazendeiro verificando gado ou plantações; um tomador de decisão; ou um serviço de táxi aéreo…Acho que estamos trazendo a aviação para pessoas que antes não estavam interessadas nela”.

Fazer do SureFly um produto seguro é uma alta prioridade para a Workhorse, disse Burns, com múltiplas camadas de redundância embutidas nos sistemas de voo da aeronave. Cada hélice é impulsionada por seu próprio motor, e se algum motor falhar, a aeronave poderá manter o voo com apenas quatro hélices, disse ele. Se o gerador falhar, a aeronave tem duas baterias de reserva (cada uma alimentando quatro motores) que garantem cinco minutos de voo para um pouso de emergência e, como backup adicional, o SureFly tem um paraquedas balístico, se necessário.

Queremos provar que é mais seguro levar o SureFly para um destino do que dirigir seu veículo para o mesmo destino“, disse Burns. “Estamos tentando fazer disso a máquina de aviação pessoal mais segura já feita”.

De fato, comprovar a segurança da aeronave é uma parte essencial da jornada em direção à certificação e a FAA tem prestado muita atenção ao desenvolvimento do projeto.

Burns disse que a Workhorse fez “muito progresso” com o órgão regulador em avançar para a certificação de tipo e estabelecer que tipo de credenciais seriam necessárias para executá-lo. O primeiro provavelmente exigirá uma nova categoria de certificação, disse ele.

Quanto à pilotagem da aeronave, a Workhorse espera ter “algo semelhante” a uma classificação de aeronaves esportivas leves, exigindo cerca de 20 horas de instrução do tipo.

Eu acho que provavelmente vai ser como os carros autônomos estão indo, ou realmente como o piloto automático é como em qualquer jato que você entra“, disse Burns. “Mas, para obter a certificação neste momento, será como uma aeronave pilotada.

O SureFly é mais uma aeronave concorrente em um campo cada vez mais lotado de aeronaves VTOL, competindo mercado contra o Volocopter 2X e Ehang 184, bem como os esforços altamente financiados da gigante Airbus (CityAirbus) e Bell (Urban Air Taxi). Mas Burns não se diz intimidado pela concorrência, apontando para a experiência da Workhorse na fabricação de picapes elétricas nos últimos 10 anos, na qual tem feito concorrência direta contra alguns dos maiores fabricantes de automóveis do mundo.

A Workhorse planeja levar a aeronave para a feira EAA AirVenture Oshkosh 2018 em Wisconsin, de 23 a 29 de julho, onde espera poder demonstrar a aeronave em voo livre.


FONTE: Vertical Magazine; Workhorse

3 COMENTÁRIOS

  1. Nao tenho dúvidas de que num futuro próximo estes aparelhos serao empregados em larga escala por empresas e particulares, e os responsáveis por controle de tráfego aéreo terao que encontrar soluçoes inovadoras para lidar com um enxame de milhares deles nas grandes metrópoles 24hs por dia.

  2. Esses hélices sem carenagem a 2m do piso, me lembra de umas sábias palavras do Capitão Nascimento.
    Imagino a quantidade de acidentes de pessoas atrasadas ou sob efeito de algum tipo de droga (substância que altere o raciocínio) legal ou não sendo decepadas ao se aproximar do veículo ainda em aproximação.
    Para operar um heliponto, existe todo um processo que vai do licenciamento ao treinamento para operação do mesmo!