O caça soviético Tu-128 Fiddler. (Foto: Airwar)
O caça soviético Tu-128 Fiddler. (Foto: Airwar)

Em 1959 a URSS fazia voar aquele que seria o maior caça jamais posto em serviço. Derivado do bombardeiro de ataque supersônico Tu-98, surgiu o Tu-102, projetado como avião de ataque de múltiplas funções, de reconhecimento e interceptação de longo alcance, dotado de um radar de grande tamanho, sem precedentes, o que lhe rendeu o código OTAN big nose.

Tu-128 Fiddler. Foi o maior caça do mundo em tamanho. (Concepção artística: argc-art.com)
Tu-128 Fiddler. Foi o maior caça do mundo em tamanho. (Concepção artística: Argc Art)

O desenvolvimento continuou e o avião foi reconfigurado para função única: Nascia o Tu-128. Um interceptador de longo alcance para qualquer tempo, maior do que qualquer outro caça no mundo! O Tu-128 era armado com quatro mísseis AA-5 “Ash”, sendo dois por orientação de IR (infra red) e dois por radar semi-ativo (SARH – semi active radar homing), seguindo a risca o padrão soviético. A designação TU-128P para serviço, a letra “P”, significava perekhvatchik (interceptador). Já para a OTAN, ele recebeu o código fiddler.

Com mais de 26 m de comprimento, necessitava de grandes áreas para aproximação, bem como de pistas mais longas do que qualquer outro avião.(Foto: aviapress.com)
Com mais de 26 m de comprimento, necessitava de grandes áreas para aproximação, bem como de pistas mais longas do que qualquer outro avião.(Foto: Aviapress)

O avião era propulsionado por dois turbojatos com pós queimadores, com cerca de 11.000kg de empuxo. A envergadura era de 18,1 m, altura de 7 m e comprimento de 27,2 m. Pesando cerca 40.000 kg, alcançava a velocidade máxima (com os quatro AAMs e alta altitude) de Mach 1,6. O seu raio de combate foi estimado em 1.250 km com um teto de serviço de 15.000m.

Em combate próximo ele seria praticamente indefeso, mas seu radar Big Nose e seu mísseis lhe permitiam atingir alvos até à distância de 48km, algo único na Década de 60! (Foto: farm5.staticflickr.com)
Em combate próximo ele seria praticamente indefeso, mas seu radar Big Nose e seu mísseis lhe permitiam atingir alvos até à distância de 48km, algo único na Década de 60! (Foto: Farm5)

Cerca de trezentas unidades foram construídas, entrando em serviço em meados de 1963. Em 1979 algumas unidades foram modernizadas. O caça ficou em operação até 1990 ,sendo substituído pelo MiG-31. O máximo de ação que o Fiddler viu, foi o abate de alguns balões de espionagem da OTAN.


FONTE: Força Aérea Soviética, Nova Cultural, 1986


NOTA DO EDITOR: Fazia sentido aos pragmáticos soviéticos um interceptador com tais dimensões. Abater os bombardeiros Ocidentais o mais distante possível.


NOTA DO EDITOR²: A designação soviética era Tu-28 e no Ocidente Tu-128.


NOTA DO EDITOR³: O AAM AA-5 Ash tinha um alcance de 21 km no modo IR e 55 km no modo SARH.

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11 COMENTÁRIOS

  1. Mais uma matéria muito boa! Parabéns Giordani!

    Seria uma mistura de Blinder com Blackfire…? As asas lembram muito as do Tu-22 original, mas a fuselagem lembra o Tu-22M posterior. É fato que os soviéticos nunca foram de ficar reinventando a roda e aproveitavam os resultados de experimentos anteriores para seus projetos. Enfim, creio que esse é um "primo" legítimo do Tu-98 e da família Tu-22…

    A adoção dos mísseis de mesmo tipo, mas com orientação diferente, também é bastante interessante. Salvo engano, fazia-se isso mais por total falta de confiança na capacidade dos dispositivos da época. Para garantir o acerto, sempre se fazia o disparo de dois mísseis, um por IR e outro guiado por radar, sempre com o IR disparado primeiro, para garantir que este não perseguisse a cauda do outro míssil… O mesmo faziam os americanos nos primórdios, com o míssil AIM-4 Falcon e o caça F-102.

    • Hehe…obrigado!

      Os soviéticos eram práticos! Se um desenho aerodinâmico se mostrava bom, eles exploravam ao máximo! É só fazer uma pequena pesquisa e verás que o Su-7 e o -22 praticamente não diferem, o Su-15 é um su-7 com tomadas de ar laterais e o MiG-21 só difere (no visual) do Su-7 nas asas! Então chegamos ao melhor exemplo do quanto os soviéticos eram pragmáticos. O Su-27 e o MiG-29 tem suas origens no desenho do Tu-144 Koncordski!

  2. Interessante ver como evoluiu a tecnologia, esse ai tem 40 ton e leva 4 mísseis enquanto que um su-35 pesa uns 35 ton full com 14 pontos duros.

  3. Quando vejo essas matérias da guerra fria me vem a cabeça o quanto era difícil espiões conseguirem algumas fotografias ou melhor algumas silhuetas, alguns até morriam por isso ahahaha, enquanto hoje você entra no youtube e vê um video de como dar partida num F16 ahahahha.

    Pergunta:
    O gigantesco Kh-22, otan codinome AS-4 Kitchen ainda está operante na Russia?
    O Kitchen foi o 1º míssil anti porta avião no mundo?

    • Vários comerciantes civis trabalhavam para a CIA. Mas não eram espiões. Eles só precisavam fotografar os aviões soviéticos. Muitas das primeiras fotos do MiG-23 foram feitas por civis, quando em aeroportos do Leste europeu…
      Eu tenho, em livros, suposições de como se acreditava ser o MiG-29 (talvez até fosse uma boa postar tal assunto), Tu-22 e o Su-27.

      • Verdade amigo, o Mig-29 era tido como o bicho papão dos Aviadores militares ocidentais. Quando eles deram o ar da graça na Finlândia, notou-se que muita coisa era mito e que outras eram reais, como a capacidade de manobra por exemplo.
        Sds.

      • Tai um bom tema para uma postagem, como se imagina algumas aeronaves e como elas realmente eram.

  4. Apesar de não ser delta, eu olho para a concepção artística — e para a foto imediatamente inferior a essa — desse jatão e ouço um hipnólogo do além dizer: “Mirage IV… Mirage IV…”.

  5. Para ele ter ficado em operação ate 1990 a modernização deve ter substituído o radar e a capacidade de misseis não? Ou ele operou o AA-5 até o final da vida? Já na decada de 80 a Rússia já operava o AA-9 “AMOS” com o dobro do alcance do AA-5 que equipou o Mig-31.

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