Os Estados Unidos interromperam a entrega de equipamentos relacionados ao caça furtivo F-35 à Turquia, marcando o primeiro passo concreto dos EUA para impedir a entrega do jato ao aliado da OTAN, por causa da compra de um sistema SAM da Rússia.

Autoridades dos EUA disseram que os turcos que não receberão mais remessas de equipamentos relacionados ao F-35 necessários para a Força Aérea turca se preparar para a chegada do jato furtivo.

O Pentágono confirmou o relatório da Reuters de que a entrega do equipamento havia sido interrompida.

Na pendência de uma decisão turca de renunciar à compra do S-400, as entregas e atividades associadas à capacidade operacional do F-35 da Turquia foram suspensas“, disse o Tenente-Coronel da Força Aérea, Mike Andrews, porta-voz do Departamento de Defesa..

O presidente turco, Tayyip Erdogan, se recusou a desistir da compra planejada do sistema de defesa antimísseis russo S-400 que, segundo os Estados Unidos, comprometeria a segurança das aeronaves F-35.

O desacordo sobre o F-35 é o mais recente de uma série de disputas diplomáticas entre os Estados Unidos e a Turquia, incluindo exigências turcas de que os Estados Unidos extraditem o clérigo islâmico Fethullah Gülen, as divergências sobre a política do Oriente Médio, a guerra na Síria e as sanções ao Irã.

Fontes disseram à Reuters que a próxima remessa de equipamentos de treinamento e todas as remessas subsequentes de material relacionado ao F-35 foram canceladas. Um funcionário do Pentágono havia dito à Reuters em março que os Estados Unidos tinham vários itens que poderiam reter se à Turquia provar aos Estados Unidos que estava falando sério sobre possuir o S-400. A Turquia afirma que receberá a entrega do S-400 em julho.

A decisão dos EUA sobre o F-35 deve complicar a visita planejada do ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, a Washington nesta semana para uma cúpula da OTAN. No domingo, Erdogan sofreu uma de suas maiores perdas eleitorais em décadas nas eleições locais.

Certos sistemas de armas russos são vistos como inerentemente ameaçadores para os Estados Unidos, independentemente de quem os esteja operando e com que finalidade“, disse Andrew Hunter, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Como a Turquia não é apenas um comprador do F-35, mas um parceiro industrial, bloquear a entrega desses sistemas representa uma grande escalada dos Estados Unidos, pois ameaça impor sérios custos em ambos os lados“, disse Hunter.

A Reuters informou na semana passada que Washington estava investigando se poderia remover a Turquia da produção do F-35. A Turquia produz partes da fuselagem, do trem de pouso e do cockpit. Fontes familiarizadas com o complexo processo de produção mundial do F-35 e com o pensamento dos EUA sobre o assunto na semana passada disseram que a Turquia pode ser desligada do Programa sem afetar a produção.

Os Estados Unidos e outros aliados da OTAN que possuem o F-35 temem que o radar do sistema de mísseis russo S-400 aprenda a localizar e rastrear o jato, tornando-o menos capaz de escapar das armas russas no futuro.

Em uma tentativa de persuadir a Turquia a abandonar seus planos de comprar a S-400, os Estados Unidos ofereceram o mais caro sistema anti-míssil americano, Patriot, em um acordo com desconto que expirou no final de março. A Turquia mostrou interesse no sistema Patriot, mas não à custa de abandonar o S-400.

O ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, disse em março que, apesar de alguns problemas, os pilotos turcos continuavam seus treinos em uma base aérea no Arizona no F-35, cada um custando US$ 90 milhões, e que Ancara esperava que a aeronave chegasse à Turquia em novembro.

Legisladores dos EUA também expressaram preocupação com a compra do sistema russo pela Turquia. Na semana passada, quatro senadores dos EUA apresentaram um projeto de lei que proibiria a transferência dos F-35 para a Turquia até que este desistisse do S-400.

Após a notícia da paralisação, a senadora norte-americana Jeanne Shaheen, uma das patrocinadoras do projeto, disse estar feliz por ouvir que a administração “atrasaria a transferência de equipamento F-35 para a Turquia para ajudar a garantir que tecnologia e capacidades militares dos EUA não caíssem nas mãos do Kremlin”.


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6 COMENTÁRIOS

  1. A Turquia investiu algum dinheiro no desenvolvimento do F-35? Porque se investiu, é provável que no contrato tenha uma cláusula prevendo multa ou algo do tipo em caso de falha na contraprestação norte-americana.

    • A cifra provavelmente já é bilionária!

      Coisa de cinco ou seis empresas participam da produção global do F-35. A Turquia previa uma centena de jatos. O prejuízo financeiro e tecnológico será imenso.

  2. Que eles conseguem fabricar as peças que a turquia é responsável por fazer é um fato, o questionamento fica sobre: quanto tempo vai demorar para mudar o local da fabricação dessas partes e qual será o custo para isso?

    Os F-35 não chegaram na turquia e nunca vão chegar.

  3. Mais um país jogando no time do Czar Putin, bem possível.
    Se tudo isso for medo de que os S-400 detectam o F-35, não há propaganda melhor para o sistema da Rússia.

  4. Seria interessante se o Brasil pudesse substituir a Turquia no programa…

    • Seria uma boa idéia, porém precisaríamos de muito 'dim dim' para uma empreitada dessas, MAS…daí faltaria dinheiro para as mordomias das 'castas' públicas brasileiras, onde tudo, ou quase tudo, se torna inviável nessa pobre nação.

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