Por mais “fabuloso” que o McDoneell Douglas F-4  Phantom fosse, há quem sustente que a Marinha dos EUA pode ter escolhido a aeronave errada. Se acaso a USN tivesse optado pelo Vought F-8 Crusader III, teria feito picadinho dos MiGs sobre o Vietnã.

O Vought XF8U-3 voou pela primeira vez em 2 de junho de 1958. O protótipo alcançou Mach 2,39 e demonstrou um teto máximo bem acima de 23.000 m). Fly-offs contra o McDonnell Douglas F4H (o Phantom primitivo) demonstraram que o Crusader III tinha manobrabilidade vastamente superior.

John Konrad, o principal piloto de testes da Vought, observou que“voavam em círculos ao redor do Phantom II!”.

Sua relação entre empuxo e peso (thrust-to-weight ratio – razão T/W) era próxima da unidade (0,97), um número quase sem precedentes para a década de 1950 (o F4H atingiu cerca de 0,86).

O programa F8U-3 foi cancelado depois de cinco aeronaves construídas, mas nem tudo foi desperdiçado: a NASA apreciou o notável desempenho de alta altitude do modelo e ficou com três aeronaves para testes de pesquisas.

McDonnell Douglas F4H Phantom (1960)

É aí que surge um curioso causo. Os pilotos desses Crusaders da NASA rotineiramente interceptavam e derrotavam os Phantom II da Marinha dos EUA em combates simulados não agendados. A Marinha não gostou desse bullying e ordenou que a NASA parasse.

Embora o XF8U-3 fosse um melhor dogfighter, o Phantom tinha uma equipe de dois tripulantes, o que era uma enorme vantagem, considerando o quão difícil era operar radares e mísseis naquele período de tempo, e poderia carregar duas vezes mais armas que Crusader III. O F-4 também tinha a vantagem de ser birreator, uma consideração primordial para quem opera sobre o mar. Ainda assim, há pouca dúvida de que o XF8U-3 teria sido um formidável caça ou interceptador de superioridade aérea. Com o advento da tecnologia dos anos 1970, permitindo operações efetivas com apenas um tripulante, poderia ter amadurecido em um caça excepcionalmente potente.


12 COMENTÁRIOS

  1. Algo notável e diferenciado que a indústria aeronáutica militar dos EUA têm em relaçao a de outros países é o fato de disporem de várias empresas capazes de projetar aeronaves, o que, quando decidem pela necessidade de uma novo projeto, lhes proporciona poderem escolher entre dois geralmente muito bons protótipos, tendo o luxo de descartar um deles que muitos países adorariam ter.

    • Vários países já tiveram essa capacidade ou tem ainda, Alemanha Nazista, Reino Unido, Franca, Império do Japão, URSS/Rússia entre outros! Então não vejo nada de notável e diferenciado.

      • A França só tem a Dassault

        A URSS tem a Sulkhoi meia-boca e a Mig caindo pelas tabelas

        A Alemanha não tem mais capacidade de fazer nada sozinha.

    • Vc errou o tempo de conjugação do verbo: O correto seria 'tinham' do verbo não 'ter mais'. Todas as outras foram incorporadas por Boeing ou LM

      • Northrop Grumman, Rockwell Collins, Textron/Bell, Beechcraft, General Dynamics, dentre outras, nao foram incorporadas por Boeing ou LM. Mais uma vez você errou.

        • Só que não produzem aviões de ponta para as forças armadas há algum tempo. Acho que esse era o sentido da postagem. Correto?

          • Errado de novo e duas vezes. A Northrop Grumman está desenvolvendo o B-21 Raider para substituir o B-2 Spirit, o AT-6 está disputando com o A-29, e os EUA
            utilizam equipamentos de diversos fabricantes, tem fartura de modelos a disposiçao.O sentido da postagem está explicito, os EUA sao incomparáveis em relaçao a liberdade e possibilidades de empreender, por isso há abundância de empresas por lá, por isso sempre terao mais possibilidades de escolha. Mas entendo que para quem defende regimes totalitários a inveja e a birra sempre prevalecerao a aceitar os fatos.

  2. Acho que o "bullying" teria sido maior se a USN tivesse adotado esse atentado ao design aeronáutico. Se bem que o F-4 também não primou pela beleza…

    • "atentado ao design aeronáutico", palavras bem colocadas Rafael_PP! Esse avião soube ser feio (XF8U-3). O F-35 quase se igualou a essa aberração….rsss

  3. Um detalhe, o F-8 foi a aeronave de interceptação e superioridade aérea da marinha francesa, até próximo da entrada do Rafale M F1. Ou seja, se a USNAVY deu mais atenção ao F-4, a Marine Nationale se apoiou no Crusader para defender a frota.

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