Um VANT interessante visto na LAAD 2011 foi o VT15 do Centro Tecnológico do Exército, desenvolvido em parceria com a Flight Solutions. Tem alcance de 15 km e autonomia de 1 hora, transportando câmera CCD com visão diurna. (Foto: Mauro Lins de Barros / Cavok)

O uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) vem crescendo, tanto em operações militares quanto civis. Conhecido em todo o mundo como UAV (sigla para o nome em inglês Unmanned Aerial Vehicle), o Vant é um tipo de aeronave sem piloto que pode voar autonomamente ou ser remotamente controlada, em ações de monitoramento, reconhecimento e vigilância. Sua principal vantagem é realizar ações táticas de inteligência sem colocar vidas humanas em risco. Atualmente voam pelo mundo milhares de veículos não tripulados de diferentes dimensões; do tamanho de um inseto até o porte de um Boeing.

O Carcará II da Santos Lab foi desenvolvido para o Corpo de Fuzileiros Navais para apoio a operações de infantaria. É lançado manualmente e pousa quase verticalmente e com grande precisão, empregando um sistema de “deep stall”. Outros VANT mostrados pela Santos Lab são o Carcará I, o Jabiru e o Azimute. (Foto: Mauro Lins de Barros / Cavok)

Embarcados com câmeras de alta tecnologia e sistemas de inteligência de última geração, os Vants são capazes de gerar imagens em alta definição a altitudes bastante elevadas – voam a até dez mil metros – tornando-se invisíveis a olho nu. Por isso, eles têm se tornado aliados importantes em ações típicas de Estado como o combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e de armas, ao desmatamento e à pesca ilegais e o policiamento de fronteiras. As imagens geradas pelos Vants têm ainda diversas aplicações como mapeamento, localização de pessoas e rotas perdidas, levantamentos topográficos e meteorológicos, detecção e controle de queimadas, inspeção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia.

O VANT Hermes 450 da Elbit Systems atualmente em testes na FAB. (Foto: FAB)

Os Vants também fazem parte das prioridades de defesa do Brasil. O uso dessa tecnologia começou a ser mais amplamente debatida no país a partir das discussões para a elaboração da Estratégia Nacional de Defesa (END), anunciada pelo ex-presidente Lula no final de 2008. O texto indica sua aplicação entre as diretrizes da Força Aérea Brasileira para vigilância – com uso em monitoramento e controle do território nacional – e combate; assim como ara orientação estratégica. Por isso, a END recomenda a destinação de recursos e a transferência tecnológica para a fabricação de Vants, entre outros equipamentos de defesa.

Este é o Avibrás Falcão, com alcance máximo de 2.500 km (SATCOM, ou comunicações via satélite) ou 150 km (LOS, ou line of sight, comunicações em linha direta). O Falcão tem carga paga de 150 kg, teto de 15.000 pés e autonomia de 15 h. (Foto: Mauro Lins de Barros / Cavok)
Apenas como curiosidade, o novo VANT da Avibrás é a segunda aeronave com este nome. A primeira foi o belo Avibrás A-80 Falcão de 1962, visto aqui em um voo de ensaios no CTA, sob o comando de Hugo de Oliveira Piva. (Foto: Mauro Lins de Barros / Cavok)

Por enquanto, os Vants no Brasil só podem ser utilizados em áreas menos habitadas, mediante autorização do Controle de Tráfego Aéreo, que exige alguns dias. Isso porque o país ainda não tem uma regulamentação que permita seu uso em regiões urbanas. No futuro, com novas regras, eles poderão ser úteis em diversas atividades, como levantamento de áreas urbanas de risco.

A Polícia Federal adquiriu aeronaves não tripuladas de Israel para vigiar as fronteiras brasileiras.

De qualquer maneira, já há Vants voando em áreas de difícil acesso, como na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), no sul do país. Lá, a Polícia Federal opera Vants israelenses adquiridos para o combate ao tráfico e ao contrabando. Eles são controlados por satélite, capazes de decolar e pousar automaticamente e têm autonomia de voo de quase 40 horas.

A regulamentação do voo de veículos não tripulados no país é urgente, para que suas aplicações sejam aproveitadas ao máximo. Quando puderem voar em áreas urbanas, os Vants serão certamente uma importante ferramenta na segurança pública, já que poderão monitorar áreas perigosas, como comunidades dominadas por traficantes, e rastrear comboios, entre tantas outras utilidades.

Esperemos que a regulamentação definitiva de sua operação aconteça rapidamente, a tempo de que os Vants, que representam a vanguarda da inovação tecnológica no setor de aviação, possam ser aliados também na segurança do país nos grandes eventos esportivos que o Brasil receberá, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Fonte: Renato Cianflone, diretor de Novos Negócios da EAE Soluções Aeroespaciais

10 COMENTÁRIOS

  1. Já que os militares não tem caças de verdade, agora vão poder brincar com aeromodelos.. rsrs

  2. Caro Symon,

    VANTs são muito mais que modelos rádio controlados, mas o princípio geral é o mesmo. O diferencial é o recheio 🙂

    E são uma tendência. duas das maiores Forças Aéreas(USAF e IAF) vem usando de maneira extensiva esse recurso. São mais baratos de operar, não envolve riscos de perdas humanas e permitem longos períodos de patrulhamento. E os modelos mais recentes são bem furtivos.

    Vamos ver se a Avibrás consegue emplacar seu Falcão, que é um projeto nacional, na FAB. Tem um design bonito, pelo menos.

    []'s

  3. A Avibras deveria remodelar o projeto do falcão como o do predator a toreta com os sensores eletro-opticos deveria ficar a frente da aeronave e não no meio a onde na parte da frente deveria se instalar mais sensores como um radar para
    locaçização de alvos alem de varedura do terreno e suporte nas asas para utilização de armamentos talvez foguetes skyfire 70mm como guiamento a laser

  4. “A grande diferença do VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) e do aeromodelo é o emprego. Dizem os fabricantes.

    Porém, esse tipo de equipamento ainda existe limites de tecnologia, faltam os principais equipamentos de segurança de voo, como equipamentos que evitem colisões.

    E ainda há questões que precisam ser de?nidas, como frequências exclusivas para os VANT.

    "A questão, no entanto, não é exclusiva do Brasil. Este é um desa?o internacional e hoje o DECEA participa de grupos da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) que debatem o tema". “Não existe evento de grande porte no mundo que o DECEA não faça questão de participar para aprender o que estar acontecendo”. Brigadeiro do Ar Luiz Claudio Ribeiro, Chefe de Operações do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA),

  5. Achei este ai de cima (vt15) duma total inutilidade.
    15 km de alcance e camera só diurna é piada, acho que com as ferramentas da minha garagem, faço coisa melhor aqui em casa mesmo.
    Já o Falcão da Avibras parece muito bom, em geral a Avibras sempre tem bons projetos, e com real utilidade.

    • O infeliz disso é que o governo federal raramente da um credito merecido a avibras.

  6. Senhores,

    tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o FALCÃO da Avibras e me pareceu um projeto com vários conceitos, dos mais avançados, utilizados pelos VANT´s atuais.
    Ele possui 3 posições diferentes para a instalação da torreta. Na foto, está na segunda, mas ela pode ser instalada na dianteira (a frente do trem de nariz) quando a aeronave estiver equipada com um radar de vigilância marítima e terrestre (similar aos utilizados nos helicópteros).
    No protótipo apresentado na LAAD, está a versão LOS. Quando ele estiver com os equipamentos de SATCOM (Link Satélite/2500km), ele estará com um canopi alternativo, formando aquela "bolha" na parte superior frontal da aeronave, a exemplo do Predator ou do Heron.
    Fiquei sabendo também que existem "pontos duros" nas asas, com capacidade de carga de 200 kgs, para tanques, pod´s ou lançadores de foguetes.
    Enfim, além de um design muito avançado e bonito, parece que a Avibras e o projetista da aeronave, fizeram a "lição de casa".
    Espero ter contribuído.

    • Contribuiu muito sim "ALB", realmente este Falcão é bem interesante, tomara que o projeto prospere.
      Até bonito ele consegue ser, coisa dificil de acontecer neste tipo de projeto.

  7. Em tempo, só resta saber quando FAB, Marinha, Exército, Polícia Federal ou outras entidades nacionais apoiarão a Avibras adquirindo o Falcão…Alguém tem notícias?

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