Oficiais e militares da Ala 5 em Campo Grande (MS), posam junto ao FAB 8703, o último H-1H a voar com a FAB. (Foto: Sgt. Johnson Barros / Agência Força Aérea)

Após 51 anos, a aeronave multimissão H-1H Iroquois encerrou suas atividades na Força Aérea Brasileira (FAB). A cerimônia de despedida ocorreu nesta segunda-feira (22/10), na Ala 5, em Campo Grande (MS). O FAB 8703, representando todas as aeronaves H-1H da FAB, realizou o último corte de motor, encerrando um ciclo que teve início em junho de 1967.

Durante a cerimônia, o Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, ressaltou a importância daqueles que um dia tripularam a aeronave.

“Todos que um dia tripularam essa máquina, certamente guardam em suas memórias pequenas parcelas, das milhares de emocionantes histórias, das quais este ícone da aviação participou. Esse guerreiro presenciou a coragem e a abnegação de várias gerações de tripulantes. Homens de valor que deixaram guardados no interior dessa aeronave um pouco dos melhores sentimentos que um ser humano pode apresentar”, disse.

O piloto mais antigo do H-1H na ativa, Tenente-Brigadeiro do Ar William de Oliveira Barros, foi homenageado durante a desativação da aeronave. “Foi um helicóptero lendário e muito importante para a FAB. De 1967 até a data de hoje, muitas gerações de tripulantes, mecânicos, pilotos, homens de resgate passaram por este helicóptero. Alguns diriam que a máquina não consegue se expressar e não tem sentimentos, mas se o H-1H pudesse se expressar hoje, ele diria que está muito satisfeito e muito feliz”, afirmou.

Na despedida o Coronel Aviador da Reserva Edmundo Ferreira Messeder Filho (piloto), o Suboficial da Reserva João Sussumo Yoshizawa (mecânico) e o Suboficial da Reserva Benedito Nascimento (operador) receberam honras durante a formatura por serem os militares mais veteranos que tripularam o H-1H.

O primeiro H1H da FAB. (Foto: Sgt. Johnson Barros / Agência Força Aérea)

O homem de resgate da primeira missão operacional do H-1H – busca do FAB 2068 – Tenente-Coronel Médico Reformado Rubens Marques dos Santos, e o tripulante mais voado na aeronave H-1H (6.500 horas), Suboficial da reserva Cláudio Nunes de Almeida Júnior, também receberam agradecimentos e homenagens.

Versatilidade

Um dos helicópteros mais produzidos e versáteis do mundo, o “Sapão” ou “Hzão”, como foi apelidado, realizou pela Força Aérea inúmeras missões, de norte a sul do país e também no exterior.

A história da aeronave começou em 25 de junho de 1967 e hoje encerra as atividades com um currículo de resgates históricos e marcantes. O resgate do FAB 2068, em 1967, foi seu primeiro grande teste. Outras missões vieram, como o auxílio prestado às vítimas do terremoto no Peru, em 1970, onde foram evacuados 577 desabrigados e 211 feridos; o incêndio no Edifício Joelma, em 1974; as enchentes em Santa Catarina, nos anos 1974, 1982 e 2008; o resgate das vítimas do Boeing da Transbrasil; o resgate das vítimas do Varig 254, em 1989, e o resgate das vítimas do Gol 1907, em 2006, completam o currículo da aeronave.

Dentre muitas outras, o H-1H realizou missões de busca e salvamento (SAR, do inglês, Search And Rescue), de emprego armado, operações de vacinação no interior da Amazônia, demarcações de fronteira, apoio à população em catástrofes naturais, apoios à Polícia Federal e ações cívico-sociais.

Ao todo, a FAB recebeu 68 “Hzões”, adquiridos em cinco lotes distintos, entre 1967 e 1997. Atualmente apenas dois H-1H, o FAB 8684 e o FAB 8703, permaneciam em atividade, ambos lotados no Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV), unidade que deu início às atividades da aeronave.

Os H-1H foram substituídos na FAB pelos novos H-60 Black Hawk. (Foto: Sgt. Johnson Barros / Agência Força Aérea)

Os helicópteros Sikorsky H-60 Black Hawk assumiram as missões despenhadas pelos H-1H na FAB.


Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Cristiane dos Santos – Edição: Agência Força Aérea

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10 COMENTÁRIOS

  1. Aeronave realmente lendária. A FAB chegou a dispor de mais de 40 aeronaves em 4 esquadrões. O Black Hawk o substitui mas em quantidades ínfimas, pelas minhas contas são apenas 18 H-60 em três "esquadrões". A FAB só diminui.

  2. Por tudo que já vi em filmes, documentários, reportagens etc.. Sobre a guerra do Vietnam, se eu pudesse eleger apenas uma aeronave para representar essa guerra, seria o H-1H
    E o som dessa máquina voando só quem já ouviu sabe o que é.. Parece uma batida de rock.

    • Lembro-me de quando criança ouvir algumas vezes um elemento de H-1H vindos de Santa Maria sobrevoarem Canoas. O som daquelas hélices é incrível, simplesmente único.

    • Caro Bruno_R,

      E a trilha sonora "oficial" de filmes/séries sobre o Vietnã? É H-1H e Rolling Stones – Paint it, black… 🙂

  3. Fiquei com uma dúvida e se alguém puder ajudar eu agradeceria, bom tínhamos 68 H1H que foram substituídos pelos Black Hawks então ai fica a dúvida de quantos Black Hawks nós temos hoje, foi feita uma substituição de 1 pra 1 ou foi diminuída a quantidade e se foi quantos temos hoje?

    • A FAB operou desde 1967, 68 SH-1D/H-1D/SH-1H/H-1H. Estes últimos 2 operacionais, os FAB 8684 e FAB 8703 foram adquiridos em 1996 como parte de um lote ex-US ARMY. A FAB opera hoje 16 Black Hawk H-60L. Realmente não foi uma substituição de 1 para 1. Porém no inventário da FAB existem outras aeronaves de asas-rotativas. Eu espero que mais H-60L sejam adquiridos e quem sabe algumas versões especializadas justamente para o Esq. Pelicano.

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