O Spartan C-27J é uma aeronave de transporte tático de médio porte de nova geração muito bem-sucedida, com 82 unidades já vendidas para 14 operadores nos cinco continentes. Aeronave manobra no pátio auxiliar do Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez.

A aeronave oferece alta eficiência operacional a custos competitivos, extrema flexibilidade de uso, o melhor desempenho entre as aeronaves em sua categoria em todas as condições ambientais e características únicas de interoperabilidade com aeronaves de transporte maiores.

No dia e horário combinados, comparecemos ao estande da Leonardo para entrevista e briefing geral sobre o voo. Devido ao adiantamento do horário de voo pela organização da feira, tivemos uma pequena explanação sobre a aeronave e o oferecimento de um cofee brake para os presentes. Decidi não “aceitar o cofee”, decisão acertada (entenderão mais adiante).

Estande Leonardo na FIDAE 2018 contou com a exposição de diversas maquetes e equipamentos.

Após breve caminhada, fomos autorizados a adentrar no pátio de manobras da Base Aérea de Pudahuel, localizada próxima ao aeroporto internacional de Santiago. Nossa aeronave estava distante mais alguns metros e já contava com a APU conectada.

Ao olhar o avião de longe, temos a impressão de que a aeronave é pequena. Conforme nos aproximávamos da mesma, podemos perceber sua real dimensão:  28,7m de envergadura, 22,7m de comprimento, altura de 9,64m, peso vazio 17000kg e peso máximo de decolagem de 30.500kg. Uma aeronave realmente impressionante!

Adentramos a mesma pela rampa traseira e nos instalamos nos bancos de lona, dispostos nas laterais. Sistema de bancos e cinto de segurança 2 pontas é muito semelhante ao seu “irmão maior” o C130.

Recebemos o briefing da tripulação e fomos informados de que a rampa de carga traseira seria aberta em voo. Uma oportunidade única!

Tripulação inicia briefing informando manobras, condições de voo e como agir em situação de emergência.

Uma coisa que chamou bastante atenção foi o fechamento das portas. Podemos perceber o quanto a aeronave é bem “vedada” com relação aos ruídos externos. Numa escala de 1 a 10 (minha percepção), o som praticamente cessou com o fechamento: Com portas abertas o ruído da APU externa inundava a cabine (escala 7) e com o fechamento da mesma caiu muito (escala 3)! Algo muito confortável para a tripulação, que contam com fones noise reduction.

Após autorização, acionamos os motores e iniciamos o táxi até o ponto de espera da 17L. Liberados para ingressar na pista, podemos perceber a potência dos motores. Fomos avisados de que faríamos uma decolagem “não convencional”. Ao acelerar as manetes o avião tremia todo, parecia querer saltar a qualquer momento! Finalmente com os freios liberados percebemos a grande potência dos motores, fazendo com que o avião saísse do chão em pouquíssimo espaço. Não bastasse, fizemos uma decolagem com grande grau de inclinação, fato que para os presentes pareceu ser bem maior do que os 15″ “convencionais”. Realmente impressionante!

Estabilizamos em voo e nos dirigimos imediatamente para sobrevoo da Cordilheira dos Andes. Ao nos aproximarmos, a rampa de carga foi aberta, inundando o compartimento com ruído e frio. Algo insignificante pelo que estava por vir: Manobras de subida e descida, curvas fechadíssimas com muita velocidade e inclinação. Em alguns momentos, provavelmente por não estar tão acostumado, perdíamos de vista o horizonte de tão grande inclinação durante as descidas. Nas curvas mais fechadas, que mais pareciam círculos, sentíamos bastante forca G e podíamos ver o horizonte praticamente na vertical! A decisão de não tomar o “cofee” se mostrou muito acertada!

Abertura da rampa traseira em voo. Momento para imagens ímpares.

Após cerca de 30 minutos de voo, retornamos para o Aeroporto, desta vez pousando pela pista 17R. Aterrissagem muito suave e em pouquíssimo espaço, demonstrando mais uma vez grande potência dos motores e sistema de freio. Retornamos para o pátio de manobras e tiramos uma foto da tripulação.

Tripulação Peruana posa pra foto. Profissionais e muito bem familiarizados com a aeronave.

Em seguida, fomos convidados a participar da entrevista, a bordo do outro C-27J da Fuerza Aérea Peruana, que estava em exposição estática. Pudemos conversar com os pilotos e com o Sr. Eduardo Munhos de Campos, diretor de Marketing e Vendas da Divisão de aeronaves. Após breve diálogo em inglês o mesmo nos abordou em bom português: Vocês são gaúchos, certo? Muita coincidência, Sr. Eduardo é gaúcho de Itaqui. Muito gentil e atencioso, obrigado, Eduardo!

Eduardo M. de Campos demonstrando capacidade de carga e alcance a partir de Santiago.

Podemos comprovar a capacidade de operar de maneira segura e eficiente, grande robustez e flexibilidade, potência extraordinária dos motores, capacidade de operar em aeródromos com pouca ou nenhuma estrutura, fator que certamente definiu a escolha do avião pela Fuerza Aérea del Perú.

 


Agradecemos novamente a Leonardo Company, Felipe De Larraechea, Fuerza Aérea del Peru e Fernando Valduga pela oportunidade ímpar em poder registrar nestas poucas palavras e imagens este voo.

Até a próxima.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Grande máquina, pena o preço muito alto, o que obriga muitos países com menos recursos como nós a ir de Airbus C-295 mais barato.

  2. Concordo com Strobel. O Spartan é mais avião é aparenta ter uma estrutura mais reforçada. Deve aguentar pousos duros melhor do que o C-295. Mas fazer o que né o C-295 Tá cumprindo a missão? Tá servindo bem? É mais barato? Então vai ele mesmo. Só não abusar nos pousos com ele né?

    • Além do C295 mais barato, pelo mesmo preço se compra um C-130H usado. Na faixa dos 30 milhões.

      Para uma força aérea pequena, pode ser mais jogo operar um único tipo.

  3. Pessoal, o Peru comprou esse avião, não porque era mais barato, porque era menor ou porque queria algo maior, Não queriam C-130H, não queriam mais carga, nem nada. Os peruanos só queriam algo que voasse sem perda de potencia em aeroportos a grande altitude. Eles testaram o C-295.

    Porém o C-27 provou que não perde tanto desempenho em grandes altitudes. Levou a venda.

    • Boa observação

      Pessoal esquece que o Peru tem a cordilheira/locais muito altos.
      Já nos não sofremos disso e um C-295 da conta do recado tranquilamente

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