Um dos novos A320neo da Lufthansa, já com a nova identidade visual. (Foto: Lufthansa)

A Lufthansa não vende mais a última fila de assentos em seu Airbus A320neos, como uma forma de cautela sobre as limitações do centro de gravidade da aeronave (CG).

A Lufthansa divulgou em um memorando interno que tomou a decisão como uma medida “provisória” para atender às exigências regulatórias – referindo-se a uma recente diretriz de aeronavegabilidade (AD) da EASA que limita o CG no qual a companhia aérea operava os Neos. O AD é baseado nos testes da Airbus e garante que a proteção do ângulo de ataque funcione mesmo durante manobras agressivas.

A companhia aérea está marcando quatro dos seis assentos com sinais de “não ocupe”, outros dois serão marcados como “somente tripulação”, pois serão usados ??quando os “jump seats” não funcionarem. Os cintos de segurança serão retirados. A verificação antes do voo incluirá a validação de que os sinais são visíveis e os cintos foram removidos. A tripulação de cabine também deve verificar se os assentos não estão ocupados antes da decolagem.

O memorando diz que a companhia aérea está investigando várias medidas para garantir que os assentos possam ser vendidos novamente. Ele espera que as limitações de CG permaneçam em vigor até que a Airbus introduza um novo software de controle de voo em meados de 2020.

A medida afeta apenas o A320neo, que a companhia aérea operava com 180 assentos, mas agora voará com apenas 174 assentos. Um porta-voz confirmou a decisão e disse que não houve restrições adicionais aplicadas as bagagem e à atribuição do próprio peso dos assentos.

Segundo fontes do setor, os operadores do A320neo que usam determinados layouts de cabine já enfrentam restrições de CG que impedem a ocupação normal mais do que o habitual. Por exemplo, na Lufthansa, a bagagem do porão da frente só pode ser descarregada quando a maioria dos passageiros desembarcar. No passado, a companhia aérea também decidiu alterar o posicionamento da bagagem dentro dos porões minimizar o risco de a aeronave “empinar”. Ele levantou preocupações de que as equipes de de solo possam não estar familiarizados com os procedimentos mais rigorosos.

A321Neo visto na fábrica da Airbus. Foto Wolfgang Küchler.

O A321neo tem “problemas” semelhantes, de acordo com os memorandos da Lufthansa, embora a companhia aérea continue comercializando todos os assentos da aeronave.

A Airbus diz que “estamos trabalhando com os operadores para identificar as melhores soluções para suas operações diárias”.

Até o final de agosto, a Lufthansa operava 20 A320neos e três A321neos, de acordo com a Airbus. Aguardam mais 64 A320neos e 37 A321neos (pedido firme).

A aeronave é usada nos layouts flexíveis de cabine e flexíveis de espaço, nos quais a cozinha e os lavatórios traseiros são movidos mais para a popa, exatamente em frente à antepara de pressão traseira, para abrir espaço para assentos adicionais na parte traseira da cabine.

A Airbus disse anteriormente que “o layout da cabine é um dos fatores contribuintes para alteração do envelope do centro de gravidade da aeronave, em alguns casos em que o layout da cabine fornece um centro de gravidade mais ao fundo é necessário impor mais limitações no carregamento da aeronave do que nos casos em que o layout da cabine é distribuído mais a frente na aeronave. ”


FONTE: Aviation Week

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7 COMENTÁRIOS

  1. Airbus Neo e Boeing MAX, p/ mim isso é o resultado da corrida insana pela liderança do mercado. Os acidentes fatais da Boeing provavelmente acabaram por evitar mortes nos Airbus devido ao maior rigor das autoridades europeias visto depois das fatalidades do concorrente.

  2. É só vender os assentos de acordo com o peso dos passageiros.
    Os gordos(as) acima de seis arrobas vão do meio para a frente, mulheres magras e crianças atrás.
    Assim daria para se manter os outros seis lugares… kkkk

    Mas falando sério, hoje já é feito coisa meio que parecida, isso não é novidade.
    Tem vídeo no YT sobre isso, não posso mencionar o canal senão meu comentário é censurado..
    Mas essa preocupação da empresa com a aeronave em solo "empinar" é interessante.

  3. Vocês interpretaram mal o problema, o defeito não é necessariamente o avião, mas sim os diferente layouts, cada vez mais enlatados, que as companhias querem adoptar.

    • Negativo, a aeronave tem problema, o chamado passeio do CG é bem mais restrito que as aeronaves anteriores, exigindo cuidado extra no solo e muito mais grave, em voo.

      • Acredito que o passeio de CG, neste caso, afeta mais em solo, pois é quando os passageiros se movimentam e a carga é retirada. Em voo o CG fica mais estático, com o FBW compensando rapidamente as pequenas mudanças.

        • Acontece que esse modelo teve detectado problema também no sistema de controle de voo ref ao ângulo de ataque acentuado, ou seja há problemas dinâmicos e de software jogando o nariz p/ cima, por isso que falei que é mais grave ainda em voo – no solo só dá pouco prejuízo, mas no ar pode até causar a perda da aeronave.

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