civilAeronaves comerciais e helicópteros civis têm muito em comum. Ambos os mercados foram transformados por ondas de crescimento sem precedentes no início dos anos 2000, e ambos passaram os últimos oito anos buscando um crescimento renovado, sem sucesso.

Mas acima de tudo, estes dois mercados estão em queda, em grande parte devido ao declínio dos preços do petróleo e outros fatores. Dada a natureza volátil dos preços do petróleo, as previsões para estes mercados de aeronaves tornaram-se muito menos confiáveis.

A transformação de ambos os segmentos ocorreu entre 2003 e 2008, com taxas de crescimento raramente vistas em indústrias maduras: o negócio de aviões cresceu a uma taxa de crescimento anual composta (compound annual growth rate – CAGR) de 17,1%, enquanto que o segmento de helicópteros civis cresceu a uma CAGR de 18,2%. Ambos atingiram novos picos: o negócio de aviões atingiu US$ 28,1 bilhões em entregas em 2008 (considerando o dólar de 2016), e o negócio de helicópteros civis chegou a US$ 6,6 bilhões. Ambos os mercados duplicaram o seu valor ao longo de cinco anos.

Após esse pico, ambos os mercados deflacionaram, nunca se recuperando de seu pico de 2008. Nos últimos 18 meses, os mercados que ainda estavam em crescimento, como o de grandes jatos e o de helicópteros bimotores têm sido duramente atingidos.

No ano passado, o mercado civil de helicópteros caiu 10,6%, com US$ 5,3 bilhões em entregas contra os US$ 5,9 bilhões de 2014. Para a General Aviation Manufacturers Association (GAMA) os números de entrega de motores no primeiro semestre de 2016 indicam um declínio do mercado de 18,3% a partir do primeiro semestre de 2015. Isso representa uma grave queda, mas muito pior, o valor do mercado sofreu uma queda acentuada de 32,5%. Isso mostra claramente que o mercado para os modelos maiores e mais caros, utilizados principalmente pela indústria do petróleo e gás, está diminuindo a um ritmo muito mais rápido do que o resto do mercado de aeronaves de asas rotativas. A história recente do mercado revela que este segmento também foi o principal responsável pelo crescimento entre 2003 a 2008.

helicoptersA história é a mesma com o negócio de jatos, onde o segmento de aviões de grande capacidade de passageiros, com preços mais elevados, sentiu o golpe. As entregas dos grandes aviões de passageiros caíram 8,2% em 2015, porém, no segmento de aeronaves de pequeno e médio porte aumentou. No primeiro semestre de 2016 as entregas de todos os jatos executivos caíram 11% em valores a partir do primeiro semestre de 2015, de acordo com a GAMA.

Como o mercado de helicópteros, a demanda de jatos executivos já foi ligada a uma grande variedade de indicadores econômicos, especialmente mercados de ações e os lucros das empresas. Desde 2008, estas ligações foram rompidas. Os preços das ações se recuperaram e os lucros estabeleceram novos recordes, mas a maioria dos segmentos de aviões executivos permaneceu estável. Mas, como documentado pelo Bank of America/Merrill Lynch analyst Ron Epstein, há uma estreita correlação entre alta demanda de jatos executivos e os preços do petróleo. Mesmo como outros segmentos entrando em colapso, a alta demanda de jatos executivos aumentou após a crise de 2008, em linha com os preços do petróleo. Ela agora está caindo em linha com óleo.

Estes jatos executivos de alta qualidade se beneficiaram das encomendas de empresas de extração de recursos, mas, os países mais importantes, ricos em recursos naturais, são um componente-chave da procura, nomeadamente no Oriente Médio e na Rússia. Estas economias mundiais e à riqueza individual nesses países, também foram afetadas pelos baixos preços do petróleo. Enquanto isso, a campanha anticorrupção em curso na China afetou a demanda de ser o único país do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) onde a demanda estava se mantendo.

No ano passado, os três produtores de aviões de primeira linha, Bombardier, Dassault e Gulfstream, reduziram significativamente as entregas. A Bombardier caiu para cerca de 50 este ano, contra os 73 de 2015. Em agosto, a Bombardier disse que iria “fazer uma pausa” na produção em 2017, num período, provavelmente, de cerca de 20 dias. Isto implica que a produção vai cair para meados dos anos 1940 do século passado.

aviationCom helicópteros civis e a demanda de jatos executivos ligados aos preços do petróleo, de todos os indicadores macroeconômicos, os preços do petróleo e da energia são os mais difíceis de prever. Números de longo prazo do PIB, os preços das ações, a criação de riqueza individual e os lucros das empresas têm registros muito longos e uma história clara de crescimento em longo prazo. Por outro lado, os preços do petróleo podem ficar em US$ 43 por barril ou inferior ou pode voltar a ficar acima de US$ 100. Seus ciclos são imprevisíveis.

Para fins de previsão, o Teal Group assume que o preço do petróleo deverá ficar entre US$ 80 e US$ 90 por barril antes do final desta década. Mas a realidade é de que o leque de possibilidades é por demais abrangentes e, portanto, esses dois segmentos de mercado de aeronaves enfrentam incertezas muito maiores.

FONTE: Aviation Week

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3 COMENTÁRIOS

  1. Eu não acredito nessa relação entre valor maior do petróleo = + vendas de aviões.
    O que EU acredito é que depois da bolha de crédito de 2008 e dessas vendas todas, o mercado foi abastecido mais que a demanda. E como muita gente grande quebrou deve ter aviões/helis com pouco tempo de uso parados nos hangares.
    Isso faz a demanda por novos cair.

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