“O F-14 sempre “chutava nosso traseiro”. Mas incrivelmente, o Tomcat ficava imediatamente na nossa posição “seis horas” apesar de ter vindo de frente e ter que virar 180 graus para sua aproximação inicial, enquanto os interceptadores da Força Aérea chegavam por trás para começar, uma grande vantagem nossa”, disse Jay Lacklen, ex-piloto do B-52.

Jay Lacklen é um ex-piloto B-52 com 12.500 horas de voo e autor de dois livros, “Flying the Line: An Air Force Pilot’s Journey” e “Flying the Line: An Air Force Pilot’s Journey – Volume Two: Military Ailift Command”. Ele está trabalhando no último livro da trilogia, mas contou um interessante encontro destas duas aeronaves militares que marcaram a aviação.

Dançando com interceptadores

“Uma das poucas vezes em que manobramos com força em grande altitude foi durante interceptações com caças interceptadores do Comando de Defesa Aérea, que incluíam o F-102 e o F-106 da USAF, e o F-14 da Marinha dos EUA.

Mais tarde, voando no C-5, eu tive interceptações vindo até mim, sem manobras, por caças da OTAN que geralmente eram caças F-16 ou Tornados da RAF quando voávamos pela Europa. Eu gostava das interceptações americanas no B-52 porque nós começamos a “dançar” com os “caçadores”. Quando o interceptor checava a frequência, eu dizia a ele que estávamos prontos e que “estávamos com nossos sapatos de dança”.

Um F-102A lança três mísseis GAR-1 Falcon. (Foto: USAF via Robert Sullivan)

Quando a interceptação começava, o operador de EW informava alcance e “posição no relógio” do caça, como “oito horas, dez milhas”, então eu sabia onde ele estava e quando manobrar. Os F-102 e os F-106 provaram ser os mais fáceis de “enganar”. Eles chegavam nos “caçando” em alta velocidade, mas abaixo de Mach 1, e alinhavam-se diretamente atrás de nós em nossa posição de seis horas, que é a posição de lançamento de mísseis ou de tiro de canhão. Eu jogava nossa velocidade para trezentos nós ou mais para mantê-lo em alta velocidade enquanto ele se aproximava. Quando o EW informava sua posição de cerca de três quilômetros e quase pronto para “travar o alvo”, eu colocava o B-52 eu uma curva fechava de quarenta e cinco graus, trazia os manetes para marcha lenta e abria os freios aerodinâmicos. Então eu puxava com força, colocando o bombardeiro em uma curva de desaceleração. Isso invariavelmente fazia com que o F-102 ou o F-106 passassem rapidamente por nós, já que com asas em delta, projetadas para alta velocidade, eles tinham uma capacidade de virar muito degradada. As longas asas do B-52 e a implantação do freio permitiam um giro bem mais apertado do que os caças da série Century conseguiam, e nós invariavelmente os “despistávamos” com essa manobra.

F-14 Tomcat aproxima-se de avião tanque para reabastecimento em voo. O “terror” dos “BUFFs”.

O F-14 da Marinha, no entanto, sempre “chutava nossos traseiros”! O Tomcat podia jogar suas asas para frente a quase setenta graus de sua configuração de alta velocidade e combinar com o meu melhor giro, o que me enfurecia.

A asa de geometria variável do F-14 permitia seguir a manobra do B-52.

Incrivelmente, o Tomcat, do filme Top Gun e da fama do “Maverick”, ficava imediatamente em nossa posição “seis”, apesar de ter vindo em nossa direção e ter que girar 180 graus para sua aproximação inicial, enquanto os interceptadores da Força Aérea chegavam por trás. O Tomcat sempre começava com uma grande vantagem. Quando o F-14 balançava atrás de nós e se aproximava, meu EW avisava sua posição como “seis horas, três milhas”. Indo para a minha manobra, eu jogava o B-52 em uma curva fechada, fazendo o avião “tremer” com a força G colocada no avião.

Canhão traseiro do B-52.

O EW, no entanto, fazia repetidamente um apelo enlouquecedor, “alvo seis horas, uma milha”, a partir do momento que eu entrava em curva até eu sair, derrotado. O Tomcat ficou em perfeita formação comigo a uma milha de distância na posição de tiro perfeita. Neste ponto, se eu tivesse em um B-1, talvez, eu poderia ter acionado ao pós-combustor e deixado o F-14 para trás. A reclamação padrão para o F-14 era uma aceleração fraca a partir de baixa velocidade, quando as asas eram recolhidas para trás para alta velocidade a partir da posição estendida. A relação entre a potência relativamente baixa e o peso relativamente alto da aeronave fazia com que a aceleração se tornasse uma briga diária para os pilotos de F-14. O peso adicional era necessário para fornecer estruturas de trem de pouso reforçadas para aguentar as aterrissagens dos porta-aviões, mas prejudicava a aceleração desde baixas velocidades.

Dois B-52 taxiam com seus paraquedas de frenagem abertos após pouso. Imagem ilutrativa

Mas para os propósitos deste exercício de combate, o F-14 teria nos derrubado facilmente, se nosso artilheiro não tivesse atirado nele primeiro. Se ele usasse um míssil a mais ou menos dez milhas atrás de nós, ele teria nos destruído; se ele tivesse que entrar no alcance do canhão, entretanto, nosso canhão traseiro de calibre .50 poderia tê-lo pego primeiro.”


Fonte: The Aviation Geek Club

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10 COMENTÁRIOS

  1. A suíte de EW do B-52 sempre foi, e creio que ainda é, um espetáculo à parte. Durante a operação Linebaker II na Guerra do Vietnã uma célula de três BUFFs ao juntar suas suítes de EW era suficiente para despistar os SAMs na maioria dos casos tanto que a maioria dos aparelhos que caiu para os SA-2 eram aeronaves que haviam deixado a sua célula. E na mesma operação dois Migs-21 do Vietnã do Norte foram abatidos pelas torres da cauda dos B-52.

  2. Para quem acha que é super trunfo, esse é um relato espetacular!

  3. Impressionante a descrição de como o piloto do Buff conseguia "quebrar" os F -102 e F-106, imagino o esforço na estrutura quando ele fazia estas curvas fechadas e desacelerações. Eu não conhecia estes treinos de combate entre o velho Buff e os caças, essa do F-14 é mais uma pra guardar!

    • kkkkkkkkkkkkk, rapaz esse S-300 é um verdadeiro risco de vida, para os operadores. Nunca tinha visto um míssil que se volta contra seus operadores. Deve dar alívio aos pilotos israelenses saberem que a Siria usa estas coisas com tendências insurgentes e suicidas.

  4. Um F14 ter que se aproximar a 3 milhas pra interceptar e derrubar um b52, pouco inteligente e desnecessário. Numa situação real o b52 teria sido atingido. Com um par de AMRAAM(resistentes a interferencia) e adeus.

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