A Boeing decidiu não continuar sua participação no desenvolvimento de um avião espacial suborbital experimental, no mais recente revés dos esforços de longo prazo da DARPA em acesso ao Espaço.

Em um comunicado no dia 22 de janeiro, o porta-voz da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) Jared Adams, disse que a Boeing havia notificado a Agência de sua decisão de sair do Programa Experimental de Aviões Espaciais “imediatamente”. A DARPA não declarou por qual motivo a Boeing estava deixando o programa.

Após uma revisão detalhada, a Boeing está encerrando sua participação no programa Experimental Spaceplane (XSP) imediatamente“, disse o porta-voz da Boeing, Jerry Drelling. “Agora redirecionaremos nosso investimento do XSP para outros programas da Boeing que abrangem os domínios marítimo, aéreo e espacial.

A Boeing foi selecionada pela DARPA em maio de 2017 para as Fases 2 e 3 do que foi originalmente chamado de programa XS-1. A Fase 2 refere-se ao desenvolvimento do veículo, enquanto a Fase 3 pede até 15 voos de testes, então agendados para 2020.

A Boeing venceu a Masten Space Systems e a Northrop Grumman pelo contrato de US$ 146 milhões. Todas as três empresas receberam financiamento para a Fase 1 em 2014.

O conceito da Boeing, chamado Phantom Express, decolaria verticalmente, propulsado por um único motor Aerojet Rocketdyne AR-22, uma variante do motor principal do Ônibus Espacial. O veículo, com 30 metros de comprimento e envergadura de 19 metros, faria uma trajetória suborbital em velocidades de até Mach 10 antes de iniciar o retorno e pouso numa pista convencional. O veículo foi projetado para transportar um estágio superior descartável para colocar pequenos satélites em órbita.

A DARPA anunciou o programa XS-1 em 2013 como uma forma de apoiar o desenvolvimento de veículos de lançamento de carga reutilizáveis. Um dos principais objetivos do programa era realizar 10 voos do veículo em 10 dias, com pelo menos um desses voos alcançando Mach 10, para demonstrar sua capacidade de reutilização.

Em julho de 2018, a Aerojet Rocketdyne mostrou que seu motor AR-22 era capaz de uma taxa de voo tão alta com a empresa realizando 10 testes de disparo estático do mesmo motor em um período de 240 horas. Naquela época, a DARPA chamou a série de testes de “um marco significativo” para continuar com o programa. Nem a DARPA nem a Boeing forneceram muitas atualizações sobre o status do programa após essa série de testes.

A DARPA citou essa série de testes de motores AR-22 como uma das principais realizações do programa. “As atividades detalhadas de engenharia realizadas no âmbito do Programa Experimental de Aviões Espaciais afirmaram que não há obstáculos técnicos no caminho para alcançar os objetivos da DARPA, e que um sistema como o XSP reforçaria a segurança nacional“, disse Jared Adams. “Por meio do XSP, a DARPA identificou evidências de que os atuais sistemas de foguetes de propulsão líquida são capazes de suportar os objetivos do XSP, permanecem interessantes e podem ser explorados em esforços separados.

A decisão da Boeing, que efetivamente encerra o programa XSP, adiciona outro capítulo à história da DARPA de esforços mal-sucedidos de desenvolvimento de veículos de lançamento. No início dos anos 2000, um programa destinado a estudar o desenvolvimento de um sistema de lançamento aéreo usando uma aeronave de alta velocidade, desenvolvido por uma pequena startup da Califórnia, a Space Launch Corp. foi encerrado  em 2005 enquanto esse conceito ainda estava em suas fases iniciais de design.

A DARPA embarcou no programa Force Application and Launch from Continental (FALCON) para desenvolver um veículo hipersônico e um pequeno sistema de lançamento, onde várias empresas receberam verbas públicas, como a Lockheed Martin, a Orbital Sciences e a SpaceX, para desenvolverem o conceito. Outra startup, a AirLaunch LLC, propôs o desenvolvimento de um pequeno veículo de lançamento que seria implantado a partir de uma aeronave de carga C-17, realizando um teste de queda para demonstrar a viabilidade de seu conceito. A DARPA, no entanto, optou por focar o programa FALCON em um banco de testes hipersônico.

Coincidente com o programa XS-1 foi o Airborne Launch Assist Space Access (ALASA), da DARPA, que buscava desenvolver um pequeno foguete que pudesse ser lançado de um caça com apenas 24 horas de antecedência e ao custo de US$ 1 milhão. A Boeing ganhou um contrato em 2014 para desenvolver um foguete usando um “monopropelente misto” incomum de óxido nitroso e acetileno, chamado NA-7, que poderia ser lançado a partir de um F-15.

No entanto, a DARPA encerrou os planos de realizar uma demonstração de voo com a ALASA em novembro de 2015, depois de descobrir que o NA-7 era muito volátil para ser manuseado com segurança. A Agência continuou testes no solo de algumas tecnologias relacionadas ao programa.

Mais recentemente, a DARPA passou de financiar sistemas específicos para promover a inovação do setor para o lançamento de carga. O DARPA Launch Challenge, anunciado em 2018, ofereceu um prêmio máximo de US$ 10 milhões à empresa capaz de realizar dois lançamentos de um pequeno veículo a partir de dois locais diferentes num curto prazo. A DARPA anunciou em abril de 2019 que selecionou três finalistas para a competição – Vector, Virgin Orbit e uma empresa “furtiva” – para lançamentos agendados para o início de 2020.

No entanto, a Vector desistiu da competição depois de suspender as operações em agosto e, desde então, a empresa pediu proteção contra falência. A Virgin Orbit anunciou em outubro que não participaria mais da competição, preferindo se concentrar nos próximos lançamentos para clientes governamentais e comerciais. A empresa espera realizar o primeiro lançamento de seu sistema LauncherOne no início deste ano.

A DARPA planeja prosseguir com a competição com aquele único concorrente furtivo, que se acredita ser a Astra Space. Em outubro de 2019, a DARPA disse que o primeiro lançamento aconteceria em fevereiro de 2020, mas a Agência não anunciou uma data ou local formal para esse lançamento.


FONTE: Space News

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2 COMENTÁRIOS

  1. Em dificuldades no seu CORE MARKET com os problemas do 737 MAX, a Boeing deve estar concentrando esforços e diminuindo sua exposição a riscos potenciais.
    Claramente este programa requer um tremendo esforço tecnológico e um enorme risco econômico como o histórico da DARPA em desenvolvimento de lançadores espaciais no próprio texto se evidencia…

    Estranho simplesmente a DARPA encerrar o programa ao invés de convidar uma das duas empresas que participaram da fase anterior para continuar o programa…

    Talvez achem melhor começar tudo do zero e desconsiderar os milhões de dólares já gastos… Rico é assim…

    • Concordo Gilberto, a Boeing se meteu no atoleiro sem fim do 737 Max e não vê saída, agora é tentar reduzir as perdas ( que serão enormes ) e cortar gastos.
      Creio que a DARPA vai partir para um novo desenvolvimento já aprendendo com o que a Boeing tinha feito até aqui, ou seja, corrigindo erros e parâmetros na origem do novo projeto.