A Boeing está revisando o design do seu tão aguardado novo avião de médio porte (NMA) devido às mudanças nas necessidades do mercado e maior foco nas funções de controle de voo automatizados após dois acidentes fatais com o 737 MAX.

Em 22 de janeiro, o executivo-chefe da Boeing, David Calhoun, disse que o fabricante dos EUA reiniciaria os estudos sobre o novo avião de médio porte (NMA) e adotaria uma abordagem diferente no design da aeronave desta vez.

“Vamos começar com um projeto totalmente novo, novamente”, disse Calhoun.

O novo executivo-chefe da Boeing também disse que o foco principal da empresa seriam as funções de segurança e engenharia dos produtos existentes, a partir da resolução dos problemas dos jatos da série 737 MAX.

A Boeing começou a trabalhar no programa NMA há vários anos. A aeronave, apelidada pela imprensa de Boeing 797, deveria acomodar até 270 assentos e ter alcance de vôo de 4.000 a 5.000nm (7.400-9.300 km).

O plano inicial da Boeing era introduzir as aeronaves no mercado em meados de 2020, quando as companhias aéreas começarem a eliminar progressivamente seus jatos Boeing 757 e 767 da geração mais antiga em suas frotas.

Mas Calhoun chama que as necessidades do mercado mudaram desde então e o programa NMA exigiu reavaliação.

“As coisas mudaram um pouco… O campo competitivo é um pouco diferente, temos que planejar o mercado da China”, disse o chefe da Boeing.

A Boeing planejava apresentar oficialmente o programa NMA durante o Paris Air Show no ano passado.

No entanto, atualmente não parece ser uma prioridade para a Boeing, pois está difícil recolocar o 737 MAX em serviço.

Calhoun também disse que o design do NMA deve se concentrar no sistema de controle de vôo e como os pilotos interagem com esse sistema.

“Talvez tenhamos que começar com a filosofia de controle de vôo antes de realmente chegarmos ao avião. As decisões de projeto relacionadas aos pilotos que pilotam aviões são muito importantes para o regulador e para que possamos entender o assunto”, disse Calhoun.

A interação Piloto – Sistema de Controle de Vôo se tornou o ponto central das discussões após dois acidentes mortais do 737 MAX causados por um sistema automatizado de prevenção de estol conhecido como MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobras).

Nos dois incidentes, o MCAS assumiu o controle da aeronave por causa de dados incorretos de AOA (ângulo e ataque) de um dos sensores e não permitiu que os pilotos intervissem, forçando os aviões a mergulharem severamente.

Enquanto isso, a Airbus lançou no Paris Air Show no ano passado o programa A321XLR (Extra-Long Range), um modelo que conseguiu conquistar pedidos que a Boeing buscava para o NMA. A aeronave da fabricante europeia rapidamente se tornou popular entre as companhias aéreas, incluindo as principais operadoras americanas, como American Airlines e United Airlines.

Mas o A321XLR não possui a mesma eficiência prevista do NMA (estrutura de alumínio, asa menor, turbofan menos eficiente e com design mais antigo, embora seja bem mais barato.

American e United estavam de olho no NMA para substituir suas frotas antigas do Boeing 757 e 767.

Anúncios

3 COMENTÁRIOS