46606595245 33807c89d2 b 600x409 - Brasil quer negociar venda do KC-390 para Hungria, Itália e Polônia
O KC-390 da fabricante brasileira Embraer. (Foto: Sgt. Bianca / Agência Força Aérea)

O governo brasileiro inicia uma ofensiva para tentar ampliar as exportações nas áreas de defesa com uma viagem, na semana que vem, do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a Polônia e Hungria, informou nesta sexta-feira uma fonte do governo brasileiro que participa da preparação da viagem.

A escolha dos dois países –e também da Itália, incluída nesse primeiro roteiro europeu do chanceler– passa pela afinidade ideológica com nações hoje comandadas por grupos de extrema-direita. Mas, segundo a fonte, inclui a oportunidade comercial em países que precisam ampliar o gasto na área de defesa.

“Hungria e Polônia são membros recentes da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e estão empenhados em cumprir a cláusula de chegar a 2 por cento do PIB em gastos de defesa”, explicou a fonte.

A Polônia já teria chegado a esse valor, mas planeja ampliar o índice para 2,5 por cento, o que representaria um investimento de cerca de 14 bilhões de dólares por ano. Já a Hungria, ainda não alcançou o índice exigido pela Otan. Ao chegar aos 2 por cento, estaria investindo cerca de 3 bilhões de dólares anuais.

Os dois países tem tido um crescimento constante nos últimos anos e tem recursos para investir, explicou a fonte.

Embrar Defesa e Avibras são duas empresas brasileiras que poderiam negociar com os dois países. A intenção da Embraer é negociar com ambos o avião militar KC390 –a negociação também acontece com o governo italiano.

“Há uma forte expectativa em relação a isso. Já na aviação civil, 60 por cento da frota da companhia aérea polonesa LOT é de aviões da Embraer”, comentou.

No caso dos dois países, admitiu a fonte, são visitas praticamente exploratórias, já que os investimentos brasileiros em ambos e mesmo as trocas comerciais são pouquíssimo representativas. Já com a Itália os investimentos são já maiores.

Essa é a primeira visita do chanceler a Europa e deixa de lado parceiros comerciais mais tradicionais do Brasil, como Espanha, Alemanha e até Portugal. A fonte admite que existe não apenas uma motivação comercial, mas também uma questão de afinidade política.

“A escolha dos países está ligada a afinidade de posições políticas. Está atenta a uma visão de mundo, mas também foi motivada por uma visão político-comercial”, disse a fonte.

Há cerca de duas semanas, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) –filho do presidente Jair Bolsonaro e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara– esteve na Itália e na Hungria para encontros com primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e com o vice-premiê italiano Matteo Salvini, com a intenção explícita de “afinar o discurso” da nova direita mundial. O próprio presidente já manifestou a intenção de visitar os três países no segundo semestre deste ano.


Fonte: Reuters

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7 COMENTÁRIOS

    • Né, problema é que quem é de direita compra direto do patrão Trump

    • Eis o comentário mais sem fundamento que eu li hoje… Por ideologia, ninguém vê a realidade econômica do Brasil. A realidade é que exportamos muitos produtos manufaturados para países que atualmente são desprezados por pura burrice ideológica…

      Alguém aí se dá o trabalho para verificar quais são os clientes das grandes empresas nacionais? Pois bem, são em grande maioria países como os que o Jéfferson citou. Ano passado a Marcopolo por exemplo vendeu de uma vez só nada menos que 500 ônibus para Angola, até Cuba figura como grande cliente do Brasil, por lá é comum encontrar implementos rodoviários de empresas brasileiras. Curioso ainda é saber que embora ainda hoje importem pouco, não exigem contrapartidas, a balança comercial tende a ser mais favorável a nós quando comerciamos com estes países e geralmente importam produtos manufaturados, enquanto que países desenvolvidos importam muito mais matéria prima sem muito valor agregado e exportam produtos manufaturados para nós.

      É lógico que devemos buscar por novas oportunidades mercadológicas mas não devemos em hipótese alguma cuspir no prato que comemos. Pra corroborar com tudo isso que falei, segue um link com uma ferramenta do próprio governo onde podemos analisar a balança comercial entre parceiros comerciais do brasil, nele podemos selecionar um país de interesse e ver qual foi o valor de importados e exportados já com o balanço embutido, também podemos ver quais foram esses produtos comercializados… Importante selecionar o período anual para não cair em lacunas de sazonalidades; http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/estatist

      • Muito interessante este link, mostra que negócios estão ai para serem feitos com quem o país desejar e vale uma consulta aos mais diversos parceiros.

    • Caro Jéfferson.

      Acredito que você desconheça alguns pontos sobre as negociações de produtos militares da Embraer, por exemplo Angola é um dos clientes africanos desta empresa que tem em seu inventário aeronaves do tipo:

      EMB-110
      EMB-120
      EMB-312
      EMB-314(A-29)
      ERJ-135

      Sendo assim a negociação de outros modelos uma possibilidade a ser estudada e porque não consolidada, o KC-390 é uma oportunidade para uma nação como Angola de renovar sua aviação de transporte com um vetor moderno e com grande potencial de crescimento ao longo de sua vida operacional.

  1. Promover o KC-390 é uma coisa que o governo + a Embraer precisam fazer para ontem e sondagens do tipo são válidas, acontece que das nações mencionadas acredito que a mais improvável de optar pelo KC-390 seja a Itália e com base na sua renovação da frota de transporte que foi padronizada com o C-130J.

    Hungria e Polônia fazem mais sentido porque estão passando por transições de modelos considerados obsoletos para outros novos e que podem colocar estas nações em um outro patamar de atribuições dentro da OTAN, o KC-390 seria ao meu ver uma bela oportunidade de ampliar capacidades com um vetor novo e extremamente interessante do ponto de vista de aquisição e operação.

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