No final da década de 1970, o projetista soviético de aviões Lion Shchukin, propôs uma aeronave revolucionária, que utilizaria o efeito solo em seu benefício e seria capaz de transportar até 5.000 passageiros ou uma carga de 100 toneladas.

EKIP é um acrônimo para Ekologiya i Progress. O projeto ficou quase duas décadas parado, sendo definitivamente cancelado em 1992 quando o governo, então da Rússia, negou financiamento.

Os construtores juntaram à fuselagem as asas, porém, a própria fuselagem é uma grande e grossa asa. O EKIP pode levantar – como ficou provado no modelo em escala – mais da metade do seu peso, e seu volume interno é 8 a 10 vezes maior do que a área útil de um avião convencional, em forma de fuso.

Graças ao seu trem de pouso singular, o avião pode decolar de qualquer superfície, graças ao uso de uma “almofada de ar”, assim como os Hovercrafts.

Os testes demonstraram que o aparelho poderia ter um longo alcance e alcançar uma velocidade entre 500 a 700 km/h, e um teto de serviço na faixa de 8 a 13 km de altitude. No solo, se necessário voar a poucos metros acima da água, o EKIP poderia alcançar até 400 km/h. Sobre o solo, chegaria a 160 km/h.

Em 1988 começaram os testes num modelo em escala. Mesmo promissor, incrivelmente não chamou atenção das autoridades soviéticas, mas sim do departamento de florestas dos EUA, que vislumbrou uma aeronave capaz de combater incêndios florestais. Até 2003 existiam estudos neste sentido, mas ao que parece, também ficou pelo caminho.

O EKIP não requer um aeródromo especial, Se necessário, o EKIP pode pousar na água. Ao contrário de um 747 que requer uma longa pista, tanto para o pouso quanto para a decolagem, o “disco voador soviético” necessitaria apenas de um trecho com 600 m. Uma outra vantagem do EKIP sobre os aviões convencionais é sua trajetória de descida, bem íngreme, quase como a do Ônibus Espacial, bem ao contrário dos 3-4º necessários para os aviões convencionais. Além de diminuir o nível de ruído que afeta a vizinhança, uma descida íngreme necessita de menos “rampa” e, portanto, espaço.

O uso da “almofada de ar” é graças a estrutura do avião. Localizado sob o corpo do veículo, o fluxo de ar injetado garante que a pressão baixa seja exercida no próprio veículo e na pista (terra, superfície da água) durante a decolagem e aterrissagem.

Esta pressão é equivalente à pressão de uma camada de água de 220-270 mm de espessura.

 O perfil da fuselagem garante um fluxo de ar laminar na camada limite da maior parte das superfícies superiores do veículo, permitindo instalar na parte superior do bordo de fuga o sistema de controle do fluxo de ar da camada limite do vórtice, garantindo assim um fluxo de ar constante em torno da fuselagem do veículo.

O sistema de controle de fluxo de ar da camada limite do vórtice montado na superfície do bordo de fuga assegura um fluxo de ar constante ao redor do corpo do veículo sob todas as condições de vôo, incluindo decolagem e aterragem em ângulos de ataque elevados.

O veículo seria equipado com motores turbofans, o que geraria além da economia, menor nível de ruído. O uso de materiais compósitos no corpo e na unidade traseira do veículo garantiria baixo peso de estrutura, capacidade de manutenção, longa vida útil e alta resistência à corrosão.

O EKIP é mais um daqueles projetos sensacionais que acabaram por não dar em nada. Oficialmente, o interesse dos EUA se encerrou em 2003, mas algumas documentações relativas ao projeto foram compradas. Em 2008, um grupo privado chegou a anunciar que construiria um novo protótipo.

Mas quem sabe o EKIP volte? Empresas russas de mineração no Ártico estão muito interessadas no uso de ekranoplans e o EKIP, segundo fontes do setor, seria perfeito…

 

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11 COMENTÁRIOS

  1. duas coisas em que os russos entendem, ekranoplanos e hovercrafts, unir os dois realmente parece ser interessante

  2. Que budega!
    O futuro das máquinas voadoras é incrível e inimaginável.

    • Caro glaxs7,

      Essa coisinha horrível era fabricada pela AMC (American Motors Corporation), uma fabricante americana de automóveis pouquíssimo conhecida por aqui. Foi sepultada pela Chrysler…

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