O Egito quer mais 12 caças Rafale, com mísseis SCALP, mas um componente no míssil, fabricado nos EUA, está atrapalhando a venda. (Foto: Dassault Aviation)

As negociações para a venda de caças Rafales adicionais entre a França e o Egito foram prejudicadas pelos Estados Unidos. Washington se recusa a exportar um componente americano a bordo do míssil de cruzeiro SCALP que o Egito quer adquirir junto das aeronaves de combate francesas.

Os EUA colocaram empecilhos sérios nas negociações entre Paris e o Cairo para a venda de 12 caças Rafale adicionais para a Força Aérea egípcia, de acordo com fontes relacionadas com o assunto. E isso não é uma questão de financiamento como no passado. De acordo com essas fontes, a França atualmente não pode entregar mísseis de cruzeiro SCALP fabricados pela MBDA para egípcios por causa de um componente americano. Contactados pelo La Tribune, a Dassault Aviation e a MBDA não quiseram comentar.

O míssil cruzeiro SCALP da MBDA. (Foto: David Monniaux)

Paris havia dado a luz verde para exportar o míssil SCALP após a sua passagem perante a comissão interministerial para o estudo das exportações de materiais de guerra (CIEEMG), mas os Estados Unidos bloquearam a venda. Washington segue o Regulamento do Tráfego Internacional de Armas (ITAR). Tudo certo para os americanos. Mas esta situação irrita muito os egípcios, que querem absolutamente os mísseis SCALP, e para a Dassault Aviation que não quer perder uma nova venda do Rafale.

As fontes francesas citadas no relatório afirmaram que o atraso no negócio é devido à escassez do componente americano nos mísseis SCALP e não a uma questão de financiamento como no passado.

Rumo a um novo acordo franco-americano?

Se o fornecimento de Rafale não estiver em perigo, explica a fonte ao Tribune, esta operação será claramente desacelerada apesar das frequentes reuniões entre Paris e Cairo com os negociadores egípcios e franceses nas últimas semanas. E toda a pressão está na MBDA, que está sendo pressionada pela autoridades egípcias, que querem muito o míssil. Tanto que o Egito quer o SCALP… de graça. O que a MBDA se recusa. No entanto, até o final de 2017, tudo parecia estar em vigor para uma assinatura entre o Cairo e a Dassault Aviation no início deste ano, no momento da visita de Emmanuel Macron. E não deu certo.

O porta-voz do exército egípcio, Tamer El-Refa’ai, disse no domingo que a questão do componente americano no míssil de cruzeiro SCALP é considerada como “assuntos internos” franceses.

A MBDA altera esse componente, ou a França e os Estados Unidos encontram um acordo a um nível muito alto. A convite de Donald Trump, Emmanuel Macron também visitará os Estados Unidos nos dias 23 e 24 de abril. Deve-se lembrar que a visita de François Hollande aos Estados Unidos em fevereiro de 2014 já havia resolvido a venda de dois satélites espiões aos Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos então se recusaram a exportar alguns dos componentes “feitos nos EUA” necessários para fabricar esses dois satélites.

Em fevereiro de 2015, a França concordou em entregar 24 aviões de combate Rafale ao Egito no valor de 5,2 bilhões de euros.

A fabricante francesa Rafael Dassault Aviation divulgou em março que enviaria ao Egito oito caças Rafale este ano.

Em dezembro de 2016, o Egito ficou em primeiro lugar entre os países em desenvolvimento que importam armas, de acordo com um relatório do Congresso dos EUA.


Fonte: La Tribune – Edição: Cavok

Anúncios

63 COMENTÁRIOS

  1. Os franceses explodiriam a própria mãe para vender o rafale kkk

    Para que os egípcios querem tantas armas derrepente? suspeito isso?

    • Golpes e contragolpes, primavera árabe, irmandade muçulmana, Isis ao lado, convulsão na Líbia, faixa de Gaza e Israel ao lado.

  2. Se quiserem se livrar do embargo, fabriquem eles mesmos estes componentes! Potencial para tal a França (e suas empresas) também têm.
    Sem frescuras e chorôrô, simples assim! Do contrário, senta e chora….

  3. O Rafale é um excelente vetor
    Na minha opinião, dentre os finalistas do Fx-2, ele é o melhor…
    Mas o preço é proibitivo

    Uma pena

    • O melhor vetor é aquele que você pode pagar e operar….

      Caso o Brasil escolhesse o Rafale (a escolha "político etílica" do heptarréu) iria ter muitos problemas para manter o aparelho em vôo e caças no solo além de não ter serventia alguma são ótimos alvos tal como os americanos viram no ataque a Pearl Harbour e os egípcios na guerra dos seis dias. E tal como os venezuelanos vêem hoje seus Su-30….

      • Na boa. Escolha etílica seria o F-18. Ninguém mais compra. Só bêbado mesmo.

        • A USN e o Kuwait discordam…..

          Quanto ao heptarréu, foi 3×0 viu!? Adeus embargos infringentes….

          • Acabei de ler noticia que a Finlandia vai começar a desatinar sua frota de F-18. Anote aí:: Mais um.

            • Acho que você não se conforma com o fato do segundo maior cliente russo ter se tornado independente. Excluindo a índia, que monta os próprios caças ( tirando empregos russos) são raros os clientes que compram caças russos em grande quantidade.

              • Na verdade, ninguém compra. Como vc lembrou, a Índia monta os caças. Os chineses compraram duas dúzias pra clonar e acabou.

                • O chineses até anunciaram que nem querem mais produzir modelos de origem russa.

                • Coisa mais do que compreensível. Nenhuma força aérea sobrevive as perdas que o equipamento russo tem.

              • Fale isso para o Diretor da area militar da Boeing. Ele já admitiu que é melhor se acostumar com o fim da era de caças da Boeing. Segundo ele, a área miltar deve sobrevivet apenas com manutenção e um possivel drone para a Marinha. Depois, disponibilizo o link da entrevista dele ao WSJ. Já era.

    • Típico pensamento medíocre. Caça de primeira linha é assim mesmo.
      "Ah, mas a FAB não tem dinheiro". Outra mentira que virou verdade.

      • Realmente, o corte nas horas de voo foi por capricho do comandante.

        • Tu já ouvisse falar de decisão de prioridades?! Na FAB, aviação de caça nunca foi prioridade. Daí a mediocridade neste ramo.

      • Wellington, você até que tem boa bagagem intelectual mas se esquece algo chamado orçamento, que é votado no congresso. E também de um outro algo chamado contingenciamento que é comumente efetuado pelo chefe do executivo…

        • Sério?! Não sabia disso, em todos os meus anos trabalhando no serviço público, eu realmente não sei o que seja orçamento. Fiquei bege agora.

          Rsrsrsrs

  4. Isto é normal em se tratando dos EUA.
    A perda de influência deles no Oriente Médio é dramática.
    Só que este tipo de atitude só piora a situação.
    Ao que parece o Egito está indo de Rafale e MIG-35.
    Será um vasto campo para russos e franceses, já que o Egito ainda possui, Mig-21, J7 e vários F-16 já que estão ficando obsoletos

    • A única função dos russófilos na internet é ficar de mimimi. Só isso que vocês fazem. Dizendo que aviões fracassados são soberbos e aviões consagrados são ruins.

      • Da mesma forma que traveco virou mulher e bêbado analfabeto, estadista.

  5. O verdadeiro motivo não seria uma preocupação ligada a Israel?

    O Egito está se armando pesadamente.

    F-16, Rafale, Mig-35 (será? Quantos?), Mistral, Fragatas Fremm, etc.

    • Pois então, esta é uma das justificativas. Entretanto, a venda de armamentos inteligentes, para equipar aeronaves produzida nos EUA, igualmente são disponibilizados a outros países árabes, daí a junção de duas questões. Uma geopolítica, a outra comercial.

  6. Embargo natural. Não existe transferência de tecnologia, ou vc faz ou sempre terá que pedir benção ao Tio Sam. Eu também não venderia o SCALP aos egipcios. Para que diabos os egipcios precisam de um missil de cruzeiro?

    • Não seria você e nem eu quem poderia dizer se o Egito precisa ou não de míssil de cruzeiro. Se eles tem dinheiro para comprar e eu tenho o que eles querem, não há porque não vender.

      • Goes, o Egito é um país instável desde a primavera árabe. Faz sentido os Estados Unidos vetarem tal equipamento que pode comprometer a segurança de Israel. Vc pode falar: bem, hoje Israel e Egito são aliados. Sim, mas isso já aconteceu antes, hoje um país é aliado e amanhã inimigo. Eu acredito que o veto é de Israel e nem tanto dos Americanos.

        • Vejo, eu até porque os EUA veteram a venda deste armamento, que leva embarcado componentes deles, entretanto não acredito que seja apenas para "livrar Israel" de um possível ataque do Egito, vale dizer que o atual governo é mais pró-Ocidente do que foi o anteriormente deposto, então, em tese, essa argumentação não se sustenta por completo. Vejo, tambem, questões comerciais em jogo, afinal seriam mais Rafales vendidos, que atrapalharia, por exemplo, a venda de F-16V.

      • O que o Egito precisa é problema dele.

        O vendedor não está obrigado a vender. Vende se quiser.

    • Claro que não há interesse em vender um míssil furtivo com essa capacidade para o Egito, até porque não se sabe onde a tecnologia vai parar.

  7. Mas se fosse um míssil de cruzeiro estadunidense, para aeronaves deles, com certeza o ITAR. não seria impecílio. A questão é de outra ordem, comercial.

    Azar dos franceses que acreditaram em Papai Noel.

    • Wellington, os EUA já vetaram a venda do Tomahawk para Israel e Espanha, que queriam instalá-los em seus submarinos. Os espanhóis ficaram chupando o dedo e Israel desenvolveu o Popeye Turbo. No final o único país que consegue adquirir tais itens do Tio Sam é a Grã-Bretanha.

      Quanto aos franceses, repetem o seu conhecido "modus operandi" de prometer aquilo que não podem cumprir, basta lembrar das promessas de "transferênfia irristrita di tequinúlugia" do Rafale para o Bananão aqui quando do FX-2, quando todos sabemos que o caça usa muitos componentes com aquela plaquinha "Made In USA"

      • A notícia fala de restrição à venda de mísseis de cruzeiro e não de caças. O F-X2 já acabou!!!

        Rsrsrs

  8. Israel está ali do lado e em se tratando de naçoes árabes muçulmanas, reviravoltas acontecem e nao seria impossível decidirem repetir 1948 e 1973.

  9. Vender um míssil furtivo com essa capacidade para um vizinho de Israel e com o histórico recente do Egito só na cabeça dos franceses.

  10. Tem que fazer como a China que oferece muitos de seus produtos militares com versão com "recheio" ocidental possível de embargo e outra versão com itens chineses, os K-8 de instrução e Y-8 de transporte são um exemplo, a Venezuela comprou o Y-8 livre de embargo sem aviônica Rockwell Collins e motores P&W e os K-8 sem motores Honeywell, ambos com aviônicos e motores chineses de projeto russo.

  11. Qual a soluçao para isso?. Compre mísseis russos e equipe os MIG-35 com eles.
    Problema resolvido e Putin agradece a preferência.

  12. Está faltando uma pecinha ? Conta outra, globalização é isso aí, agora fica na mão do tio Trump. American Fisrt.

    • Como eu disse. Já existe material russo e chinês nelhores e mais baratos no mercado.

        • Algum foquetão que lança toneladas de co2 na atmosfera e uma coluna de fogo vista a trocentos km com um raio de precisão (ou falta de dela) que não acerta o maracanã.

          • O cara vem e diz tudo o que é russo é melhor e não oferece evidência nenhuma. De certo ele sabe mais que a Força aérea da Índia e do Egito….

            Russófilo não se enxerga.

      • Que evidência você oferece? Provas nem se fala…

        Qual míssil melhor que esse os caças russos usam?

          • A opinião dos técnicos e pilotos egípcios e Indianos não vale nada… O que vale é conhecimento errado de internet!

  13. Essa atitude não ajuda, só atrapalha. O Egito está sendo jogado no colo de Rússia e China.

    • Verdsde. Essa é a nova tônica na Ásia e África. Rússia e China avançando direto no mercado. Agora, até a Tailândia comprou tanques e submarinos chineses. Gostarsm e estão encomendando mais. As Filipinas começaram a comprar armas leves chinesas.

  14. Por que pagam 100 milhões por Rafales e Eurofighters quando os fãs afirmam que é melhor comprar migs russos por menos metade do preço?

    Porque falar é fácil, provar que é melhor é difícil, e muito…

    • Os egípcios são antigos usuários de equipamento russo, aceitaram essa doação de migs, mas sabem muito bem que só servem pra fazer número.

Comments are closed.