Congressistas indianos levantaram dúvidas sobre a escolha da parceira da Dassault na Índia.

O ex-presidente da França, François Hollande, alimentou a controvérsia sobre a compra de 36 jatos de caças Rafale da Índia em 2016, dizendo que a França não tinha escolha do parceiro indiano para a fabricante Dassault.

Seus comentários na sexta-feira estimularam o debate sobre um assunto que ganhou força significativa na Índia nas últimas semanas, desde que o partido da oposição do Congresso indiano acusou o primeiro-ministro Narendra Modi de favorecer um conglomerado privado sobre uma empresa pública no negócio das aeronaves Rafale.

O partido do Congresso alega que Modi deu tratamento preferencial ao industrial Anil Ambani, o bilionário presidente do Reliance Group, em detrimento da estatal Hindustan Aeronautics Limited (HAL).

Autoridades na Índia e na França dizem que a Dassault escolheu livremente a parceria com a Reliance, apesar de Ambani não ter experiência anterior no setor de aeronáutica.

“Não tínhamos nada a dizer”, disse Hollande ao site de pesquisas Mediapart. “Foi o governo indiano que propôs este grupo de serviços (Reliance), e a Dassault que negociou com Ambani.

“Nós não tivemos escolha, pegamos o interlocutor que nos foi dado”, acrescentou Hollande, que foi presidente da França entre 2012 e 2017.

A empresa francesa Dassault passou anos negociando um acordo para a fabricação de 126 aviões de combate na Índia com a HAL, mas as negociações haviam parado.

Ao assumir o cargo, o governo de Modi cancelou as negociações e decidiu comprar diretamente 36 jatos fabricados na França.

Hollande negou qualquer conflito de interesse com a Reliance, que financiou parcialmente um filme produzido por sua namorada Julie Gayet em 2016.

Por isso, além disso, esse grupo (Reliance) não precisou me agradecer por nada. Eu não podia nem imaginar que houvesse qualquer conexão com um filme de Julie Gayet.

Falando à AFP à margem de uma reunião no Canadá na sexta-feira, o ex-líder francês insistiu que a França “não escolheu a Reliance de forma alguma”.

Quando perguntado se a Índia pressionou a Reliance e a Dassault a trabalharem juntas, Hollande disse que não sabia e “somente a Dassault pode comentar sobre isso”.

‘O Primeiro Ministro traiu a Índia’

Contactado pela AFP, a embaixada da França em Nova Delhi não comentou.

O Ministério da Defesa da Índia escreveu no Twitter que nem o governo indiano nem o francês “tiveram qualquer influência na decisão comercial”.

O Ministério das Relações Exteriores da França emitiu posteriormente uma declaração dizendo que “as únicas obrigações do governo francês eram garantir a entrega e a qualidade do equipamento”.

Paris não estava “de forma alguma envolvida na escolha de parceiros industriais indianos”, acrescentou.

Pilotos indianos já começaram o treinamento nos caças Rafale na França.

Por sua vez, a Dassault Aviation disse em um comunicado na sexta-feira que o contrato era “um acordo de governo para governo”.

O presidente do Congresso, Rahul Gandhi, que liderou o foco da oposição no acordo, escreveu: “Graças a François Hollande, sabemos agora que ele (Modi) entregou pessoalmente um contrato no valor de bilhões de dólares para o falido Anil Ambani.”

O Primeiro Ministro traiu a Índia. Ele desonrou o sangue de nossos soldados – acrescentou Gandhi.

Os fabricantes estrangeiros que obtêm contratos de armas na Índia são obrigados a reinvestir uma parte dos valores arrecadados na Índia.

Sob o acordo de Rafale, a França deve gastar quantias que totalizam cerca de metade dos oito bilhões de euros (US$ 9,4 bilhões) pagos pelo governo indiano.

A Dassault investiu mais de 100 milhões de euros em sua joint venture com a Reliance.

A Índia, maior importadora de defesa do mundo, investiu dezenas de bilhões na atualização de seu equipamento militar da era soviética para combater as disputas territoriais de longa data com seus vizinhos armados com armas nucleares, incluindo o fortalecimento da China.

Ela pretende usar pagamentos de compensação, como no acordo com o Rafale, para criar uma indústria de defesa local.


Fonte: AFP

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4 COMENTÁRIOS

  1. Fazendo algumas alterações:

    "Não tínhamos nada a dizer" disse Sarcozy "Foi o governo brasileiro que propôs este grupo de serviços (Odebrecht)…"

    E Voilá, está explicado o que ocorreu no Brasil…rs!

    • A Odebrecht não era apenas próxima das forças políticas. Sua relação sempre foi ótima com os militares, bem próxima. Imagino que nenhum oficial general ficou preocupado quando compraram a Mectron ou no projeto de Itaguaí. Quanto ao último, o champanhe deve ter estourado em muitos lugares, já que a essa construtora sempre participou de Angra e suas estratégicas e intermináveis obras.

      • A recente licitação de champagne, caviar, camarão e etc. deve ser para repor o estoque rsrsrsrs

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