Há 31 anos subia ao Espaço pela primeira e única vez o Ônibus Espacial soviético.

No dia 15 de novembro de 1988 às 0300 UTC, os motores do Buran rugiram, despejando  centenas de toneladas de empuxo e lançando ao Espaço o Ônibus Espacial da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A nave decolou do Cosmódromo de Baikonur. O voo não foi tripulado, com a nave voando no modo automático. Para chegar a órbita o veículo fez uso do poderoso foguete Energiya.

O Energiya tinha quatro motores de foguete RD-170 e quatro RD-0120. O RD-170 queimava querosene e oxigênio líquido. Seu empuxo ao nível do mar era de 751.000 kg de empuxo. O RD-0120 queimava hidrogênio líquido e oxigênio líquido. Seu impulso era de 1.516.844 kg. O empuxo total de todos os oito motores foi de 3.626.724 kg.

O Buran pode parecer muito com o Ônibus Espacial dos EUA, mas, apesar de sua aparência, ele decolava de uma maneira bem diferente. Ao contrário dos Shuttles da NASA, que possuíam 3 motores RS-25 para a “perna” final até a órbita, o Energiya levava o Buran até a órbita programada. O Energiya não era reutilizável.

O objetivo do programa Space Shuttle dos EUA era reutilizar o máximo possível o veículo, daí o motivo pelo qual eles recuperavam os caros (e pesados) motores RS-25. Isso significava que o Buran/Energiya tinha uma massa de carga útil maior.

Embora a reutilização também tenha sido um fator para a URSS, a principal razão pela qual os soviéticos perseguiram a tecnologia do Buran foi por seu potencial militar. A capacidade de colocar satélites ou armas poderosas em órbita a partir de seu grande compartimento de carga útil era muito atraente.

O programa Buran começou em 1980, e o primeiro shuttle ficou pronto em 1984. A impressionante semelhança com o ônibus espacial dos Estados Unidos não foi por acaso,  nem tão pouco tratou-se de um caso cópia. A física dita muito bem a forma do veículo, e os engenheiros soviéticos rapidamente perceberam que os EUA fizeram a lição de casa e seguiram o exemplo. Mas, apesar da aparência, eles ainda tinham um grande desafio de engenharia pela frente.

Os soviéticos desenvolveram um sistema totalmente autônomo que poderia realizar todo o voo e aterrissar sozinho. O cosmonauta soviético era apenas passageiro no veículo, ao contrário dos astronautas norte-americanos que podiam pilotar o voo. A industria bélica soviética teve que desenvolver a partir do zero suas próprias células de combustível e sistemas de controle. Isso significava que os soviéticos haviam desenvolvido um sistema mais flexível, tornando o foguete Energiya um elevador de carga mais capaz, podendo colocar em órbita outras cargas e não apenas o Buran.

Acompanhado por um MiG-25U, o Buran retorna à Terra.

Naquele dia longínquo dia 15 de novembro de 1988, após duas órbitas, o Buran retornou à Terra. O voo foi um sucesso. Das 38.000 placas térmicas, a nave perdeu apenas 8, o que contrasta com a primeira missão de ônibus espacial dos Estados Unidos, que perdeu 16 peças e teve 148 danificadas.

O Buran deveria voar novamente em 1993, mas com a queda da URSS e o fim da Guerra Fria, o programa foi abandonado.

A nave foi destruída no dia 12 de maio de 2002 quando seu hangar entrou em colapso, matando oito trabalhadores.


Com informações de Bryan R. Swopes; Every Day Astronaut


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2 COMENTÁRIOS

  1. Os protótipos para testes BTS-001 e 002 se encontram em museus na Rússia..

  2. O Buran é mais um dos "e se tivesse continuado…", uma pena ter tido esse fim.

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