Os mais recentes documentos que a Boeing divulgou relacionados ao design e certificação do 737 MAX apresentam uma imagem sombria das reações dos funcionários aos problemas que surgiram durante o desenvolvimento das aeronaves agora aterradas.

Os documentos incluem e-mails e comunicações internas. Em uma mensagem, os funcionários zombam da Administração Federal de Aviação (FAA) e se gabam de conseguir que os reguladores aprovem os jatos sem exigir muito treinamento adicional dos pilotos.

Em outro documento, um funcionário ridiculariza colegas envolvidos no desenvolvimento do avião problemático, dizendo “este avião é projetado por palhaços que, por sua vez, são supervisionados por macacos”.

Acidentes com aeronaves 737 MAX mataram 346 pessoas.

Algumas das mensagens mais preocupantes envolvem discussões de problemas com os simuladores de voo do MAX da empresa, nos quais os funcionários da empresa sugerem que eles enganaram os reguladores sobre possíveis problemas com o MAX.

“Ainda não fui perdoado por Deus pelo encobrimento que fiz no ano passado”, disse um funcionário em 2018, referindo-se a uma troca de informações com a FAA.

Outra troca de mensagens questiona a segurança do 737 MAX muito antes do avião ser aprovado para transportar passageiros.

“Você colocaria sua família em uma aeronave treinada no simulador MAX? Eu não”, diz um funcionário a outro, que responde: “Não”.

O presidente do Comitê de Transporte Nacional, Peter DeFazio, democrata do Oregon, chamou os documentos recém-lançados de “incrivelmente condenáveis”, acrescentando que “eles pintam uma imagem profundamente perturbadora das obrigações que a Boeing aparentemente estava disposta a fazer para evitar o escrutínio dos reguladores, das tripulações de voo, e do público que voa nas aeronaves, mesmo com seus funcionários soando alarmes internamente”.

Um funcionário da Boeing disse que as comunicações foram escritas por um pequeno número de funcionários, principalmente pilotos técnicos da Boeing e pessoal envolvido no desenvolvimento e qualificação dos simuladores 737 MAX da Boeing. Alguns deles são os mesmos funcionários envolvidos no envio de outros emails e mensagens internas prejudiciais que foram divulgados no ano passado.

O funcionário da empresa disse que o idioma usado e os sentimentos expressos nessas comunicações “são inconsistentes com os valores da Boeing, e a empresa está tomando as medidas apropriadas em resposta”.

A FAA analisou os documentos em busca de implicações de segurança. “Nossos especialistas determinaram que nada na submissão apontava para riscos de segurança que ainda não foram identificados como parte da revisão em andamento das modificações propostas para a aeronave”, afirmou a FAA em comunicado.

A declaração continua chamando o tom e parte do idioma contido nos documentos de “decepcionante, [mas] a FAA continua focada em seguir um processo completo para devolver o Boeing 737 MAX ao serviço de passageiros”.

Anúncios

4 COMENTÁRIOS

  1. No final o barato vai sair muito caro, o prejuízo é tamanho que já deve beirar o custo de um projeto novo.Esse tipo de situação em que a cada dia aparece um escândalo novo a longo prazo tem o poder de destruir a companhia. Se não resolverem isso logo logo, a Air Bus toma conta do mercado e a Boeing entra em uma espiral de queda que pode levar a empresa inteira para o buraco.Se os funcionários que montam o avião dizem que ele é um embuste, qual cliente em sã consciência vai duvidar disso e arriscar o dinheiro num projeto desses. No final a Boeing vai ter de oferecer esse avião praticamente de graça para tentar trazer os clientes de volta, no horizonte só se vê prejuízo….