O governo dos EUA precisa examinar mais de perto o que poderia impedir uma guerra com a China, à medida que o Pentágono muda seu foco para a segurança na região Indo-Pacífico e a concorrência entre as potências mundiais.

Foi o que disseram especialistas em defesa aos congressistas dos EUA no dia 15 de janeiro.

A teoria moderna da dissuasão são idéias aperfeiçoadas a partir da Guerra Fria e se baseia na ameaça que um estoque nuclear representa. Mas com a China cada vez mais dependente de recursos cibernéticos e espaciais, como os EUA, e com motivações diferentes da URSS e  da Rússia no tabuleiro mundial, alguns especialistas dizem que os EUA não podem adotar uma abordagem única para desencorajar uma agressão chinesa.

A dissuasão da China exige contribuições de todo o governo federal, com um pensamento criativo e um olhar sobre como a Iniciativa da China para o desenvolvimento global poderia afetar a segurança“, disse Michèle Flournoy, co-fundadora e parceira administrativa da WestExec Advisors, que atuou como subsecretária de defesa da política de 2009 a 2012.

Ela argumenta que a principal prioridade do Departamento de Defesa dos EUA deve ser traçar linhas claras com Pequim para evitar erros perigosos.

Embora eu acredite que é improvável que os Estados Unidos e a China iniciem deliberadamente uma guerra, dados os terríveis custos envolvidos, ainda assim podemos entrar em conflito se a liderança chinesa calcular mal a capacidade ou a vontade dos Estados Unidos e de nossos aliados em responder a provocações ou agressões diretas”, disse Flournoy ao Comitê das Forças Armados da Câmara dos EUA.

B-2 Spirit e F-22 Raptor (Foto: U.S. Air Force)

Michael McDevitt, do Centro de Análises Navais e Contra-Almirante (aposentado), disse que a estratégia do Pentágono para a China precisa de uma espinha dorsal mais firme. Ele apontou para o Relatório de Estratégia Indo-Pacífico de 2019 do Departamento de Defesa , sugerindo que a assinatura do presidente e o apoio do Congresso dariam mais influência como caminho a seguir.

Essa perspectiva poderia ser uma parte de uma abordagem de todo o governo para estudar e combater a China. “A dissuasão também deve considerar questões como a independência de Hong Kong, um Japão mais forte, uma península coreana unificada e a força econômica das potências mundiais“, disse o congressista Michael Waltz.

Diferentemente das relações EUA-Rússia, as armas nucleares teriam um papel menor no equilíbrio de poder entre os EUA e a China, onde o arsenal chinês é menor do que os ativos norte-americanos“, disse Flournoy. As armas nucleares podem ficar em segundo plano, mas os EUA devem controlá-las por meio de acordos de controle de armas e considerar formas de dissuasão convencional que possam impedir ações beligerantes no Mar da China Meridional ou em relação aos aliados regionais dos EUA. “O Pentágono pode equilibrar melhor seu dinheiro entre a modernização nuclear e o desenvolvimento de outras opções“, disse ela.

Também pode encontrar novas maneiras de medir com que eficácia os EUA estão “contendo” a China.

(Foto: U.S. Air Force)

Dados numéricos como a Marinha tem 355 navios, número X de esquadrões da Força Aérea, são as métricas do passado“, disse Flournoy. “Se nos apegarmos a isso, entenderemos errado. As coisas certas que devemos medir são o tempo e a escala dos resultados que podemos alcançar que contribuem para a dissuasão. Podemos manter a frota chinesa em risco, em escala, em um período de 72 horas?

Isso forçaria os militares a repensar seus papéis e ferramentas“, disse ela.

Flournoy sugeriu que a comunidade de operações especiais poderia assumir um papel maior na zona cinza, na guerra irregular, para aprimorar habilidades que têm sido uma prioridade mais baixa nas últimas décadas. A dissuasão cibernética também é fundamental: “O estabelecimento de normas de comportamento no ciberespaço aumentaria a dissuasão, estabelecendo expectativas coletivas e permitindo a ação coletiva quando as linhas vermelhas são cruzadas“.

A teoria da dissuasão também terá que considerar o uso de tecnologias em desenvolvimento, como armas hipersônicas.

McDevitt disse que a busca do Pentágono por mísseis hipersônicos pode ser intrigante. Essas armas fazem sentido em um nível tático, disse ele, mas os militares não precisam de mais mísseis balísticos intercontinentais, que já viajam cinco vezes mais rápido que a velocidade do som.

Se vamos nos concentrar na hipersônica, devemos nos concentrar no que é taticamente utilizável“, disse ele.

Shenyang J-11 da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF).
Caças J-20.

Andrew Hunter, diretor do Grupo de Iniciativas Industriais de Defesa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que, embora as armas hipersônicas não sejam críticas para uma luta, elas abrem novas opções e fazem com que os adversários pensem duas vezes sobre a rapidez e onde os EUA poderia atacar.

McDevitt acrescentou que as opções de combate do DoD podem incluir o aumento do número de submarinos na região para até 15 e a implantação de mísseis balísticos e de cruzeiro convencionalmente armados no Pacífico ocidental.

O DoD deve ser incentivado a fazer disso uma prioridade, a fim de começar a compensar a vantagem incontestável que a força de mísseis da China atualmente desfruta“.

Especialistas e legisladores também enfatizaram a importância de um sistema de comando e controle que possa reunir todos os ativos e entender o estado da situação.

O comando e o controle são um dos maiores problemas do Pentágono no futuro, porque todo ativo depende dessa rede com bom desempenho. Essa rede precisa ser cibernética e contar com inteligência artificial e atualizações rápidas para permanecer relevante. A USAF está liderando um esforço em direção ao que agora é chamado de C2 conjunto, em todos os domínios, para alcançar essa visão.

Os militares estão pedindo dinheiro para esses esforços. A USAF quer US$ 9 bilhões, mas isto tira dinheiro de outros programas, porém, temos que transferir dinheiro para essa área se quisermos progredir no tempo e na escala que precisamos“.

As redes C2 também são bons alvos, disse McDevitt.

Sem a capacidade de vigiar o oceano aberto, eles não podem usar seu míssil balístico antinavio. Eles não sabem para onde vetorar seus submarinos. Eles não sabem para qual direção lançar suas aeronaves. Não devemos ter medo de enfrentar a China, dizendo que é muito difícil. Tudo o que precisamos é fazer com que o sistemas deles não funcione”.


Com informações de Air Force Magazine

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3 COMENTÁRIOS

  1. Depois de anos de"frouxidåo" do governo do Obama, finalmente os USA começam a enfrentar o seu maior inimigo que ? a China.
    A Rússia não tem nem mais musculatura para peitar os USA ou a OTAN. Não tem também motivo. No fundo a ambição da Rússia é somente sobreviver como nação soberana livre da influência dos USA.

  2. Só há uma maneira de conter a China, é estagnando sua economia, pq enquanto ela estiver crescendo amigos.. não haverá meio americano que possa neutralizar as forças chineses hoje e amanhã. Não é pq os EUA não tem essa capacidade, mas sim pq as forças Chinesas não são apenas mais uma ameaça que exige um plano para contê-la, mas sim é uma ameaça que para permitir o sucesso da campanha americana ela precisaria estar dedicada a só essa frente, lembrando que as forças Americanas brincam de Deus, elas praticamente são onipresentes no globo inteiro, sob esta configuração não há meio de serem vitoriosas contra as forças Chinesas. Apesar dos Americanos terem aliados, a China também tem um Aliado muito importante que é a Rússia, apesar do urso ter encolhido depois que deixou de ser soviético sua forças ainda são muito capazes e tem um peso enorme nessa balança de poder.