o Dagger (C-404) pilotado pelo Major Piuma, abatido por um Sea Harrier Britânico. Imagem ilustrativa.

Em 20 de maio de 1982, a Argentina mobilizou cerca 12.000 soldados na linha de frente, pois os radares já haviam detectado a aproximação dos navios britânicos e o aumento da atividade inimiga após a invasão “argie”.

Comandadas pelo capitão Grünert e pelo tenente Calderón, as tropas argentinas se mantiveram em alerta desde as 18h, detectando às 18h30 dois helicópteros em direção à ilha argentina e a vinda de navios para desembarque em terra. Por isso, os soldados dormiram com o fuzil na mão.

O contingente argentino sofria uma fraqueza significativa, pois a grande maioria dos soldados vinha do recrutamento obrigatório do início da guerra ou eram presos políticos que eram enviados ao fronte como forma de punição política, não sendo profissionais treinados (bem diferente das tropas Profissionais da Royal Navy). O moral daquelas tropas (argentinas) era consideravelmente baixo. A comunicação da ilha com o continente tinha sido cortada pelos britânicos e a aproximação inimiga era iminente.

As Malvinas estavam praticamente cercadas, mas o território ainda era argentino. Um dos maiores méritos entre os argentinos acabou sendo a Força Aérea, que mesmo no cenário em que estava a guerra, manteve o fornecimento dos suprimentos na ilha continuamente, até o último dia de guerra.

Em 21 de maio de 1982, aproximadamente 14h50 ocorreu um dos maiores combates aéreos de toda Guerra das Malvinas/Falklands envolvendo a maior quantidade de caças numa única “surtida”.

O combate aéreo envolveu três IAI Dagger do Grupo 6 (Patrulla “Ratón” de San Julián) pilotados pelo Major Piuma (C-404), Capitão Donadille e Primeiro Tenente Senn, quando foram interceptados por dois Sea Harrier do 801ª Esq., pilotados pelo Major Ward e Capitão Thomas, a norte de Port Howard, na ilha Grand Malvina.

A patrulha argentina foi interceptada cerca de 1 minuto antes de entrar em San Carlos. Os caças argentinos livraram-se de suas bombas e seus tanques de combustível diminuindo seu peso e arrasto para tentar escapar dos Sea Harriers britânicos. Piuma inicia uma subida, saindo imediatamente do campo de visão dos “caçadores” britânicos. Donadille dispara seus canhões no avião de Ward, errando. Em seguida, ele é derrubado por um AIM 9L disparado pelo Capitão Thomas, que o engajou pelas “seis horas”. Thomas ainda derrubou Senn com outro míssil, quando os dois Dagger restantes tentavam escapar. Ward disparou outro míssil no Dagger de Piuma, derrubando-o, depois que ele o “metralhou” sem resultado, chegando de cima e passando despercebido durante o combate anterior.

Marcações Isrelenses no IAI Dagger Argentino.
Turista “posa” para foto ao lado da Asa do C-404 abatido em combate.

Se Piuma tivesse carregado um míssil ar-ar, ele teria boas chances de ter abatido o caça britânico, mas naquele dia Ward estava com sorte. Os três pilotos argentinos ejetaram na Ilha Grande Malvina e foram resgatados.

O Dagger (C-403) pilotado por Donadille caiu perto da Green Hill Bridge, embora a maior parte da fuselagem tenha sido recuperada pela RAF e enviada para San Carlos. As coordenadas aproximadas do impacto são: 51 ° 31’13,06 ? S 59 ° 30’40,48 ? W. Donadille ejetou, caindo cerca de 300m do Dagger em chamas. Passou a noite em um refúgio improvisado (há relatos de que fez uma fogueira para se aquecer, fato não confirmado devido a estar em plena guerra e poder ter sua posição facilmente rastreada pelo inimigo). Na manhã seguinte, caminhou cerca de 25 km até Port Howard, sendo resgatado em segurança.

o Dagger de Piuma (C-404) caiu cerca de 12 km de Port Howard, próximo a um riacho e a uma trilha na floresta, próximo as coordenadas 51º32’18 “S 59º36,54’01” W. Em seus “restos” ainda é possível ver as marcações israelenses, desenhada sob a pintura argentina, testemunha de seus proprietários anteriores. Os restos da aeronave tem localização relativamente fácil e ainda encontram-se no local da queda.

O Dagger de Senn (C-407) está localizado perto do Monte Caroline, ao norte de Port Howard, cerca de 3 km de distância em um local de difícil acesso. As coordenadas aproximadas da zona de queda são 51 ° 30’40,24 ? S 59 ° 30’3,50 ? W. Ainda existem restos visíveis, incluindo o assento de ejeção no local.

Linha de voo argentina durante da guerra. Corajosos mas “desdentados”.

 

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10 COMENTÁRIOS

  1. A legenda da última foto diz tudo: " Corajosos mas desdentados"! Se os caças argentinos estivessem equipados com mísseis, no caso fazendo referência a legenda com dentes, teriam tido maior chance contra os ingleses, mas um caça mal equipado deixa de ser uma arma para ser um alvo.

    • Penso que não e te dou um exemplo: Um piloto argentino contou que só descobriu que seu país havia invadido as Falklands por meio da TV. Ele relatou que tiveram de criar um treinamento para ataque a baixa altitude, tendo então de procurar um lugar e navios velhos com as dimensões dos tipos da Frota Britânica para que pudessem servir de alvo.

      Tudo isso consumiu um enorme tempo, que ainda por cima a burocracia argentina ajudou a complicar. O treinamento começou muito tarde, tanto é que embora tenham afundado alguns navios-alvos num estreito da Terra do Fogo, só descobriram que a altitude de lançamento estava em descordo com o temporizador da espoleta durante a guerra!

      Enquanto isso, quando os britânicos foram informados, os pilotos de Sea Harrier/Harrier iniciaram o treinamento de combate imediatamente. Em dois dias um grupo de pilotos partiu para os EUA para treinar combate ar-ar.

      Essas é a diferença. Lute como você treina.

      Os Argies estavam fadados ao fracasso desde o primeiro dia, independente do equipamento.

      • Exato

        Tanto que eles deveriam ter esperado chegar todos os mísseis excocet para poder efetuar a invasão.
        Fora que qualquer mortal sabia que 2 meses depois os porta aviões seriam vendidos para a marinha da Austrália.

        Resumindo, o Galtieri deveria ter sido fuzilado

      • As forças argentinas nas Malvinas são o eterno "se". Se tivessem uma pista maior para o operar caças, se tivessem mais exocets, se tivessem mísseis ar-ar, se se se se.

        A realidade é que eram amadores lutando contra uma força profissional. Foi um baile, nunca tiveram chance.

        • Concordo, mas admiro a coragem, desespero e insanidade dos pilotos de A4 e SE que davam rasantes sobre as fragatas inglesas e muitas vezes sem resultado pelo motivo que o Gio lembrou, tempo da espoleta ahah

          • Considerando que o A4 é uma aeronave de ataque e também era empregado pela marinha, eles já deveriam estar carecas de saber o tempo.

            A única coisa que o A4 fazia era lançar bombas burras, e nem isso os argentinos conseguiam fazer direito.

            Sao duas variáveis: velocidade e altura.

            Não era culpa dos pilotos, que fizeram mais do que esperado. Mas a FAA era uma M.

            • E no fim ajudou os ingleses né, que ali perceberam que suas fragatas/sistemas eram péssimos, permitiam o inimigo dar rasantes sobre a embarcação, e dai corrigiram o erro nas proximas Type.

  2. A verdade é que a ditadura argentina resolveu fazer uma jogada tresloucada e arriscada para se capitalizar politicamente, estavam despreparados para encarar a reação britânica, o resto é história.

  3. Toda vez que se fala em Falklands, as mesmas conjecturas vêm à tona: "e se houvesse mais Exocets?", "e se houvesse mais submarinos?", "e se houvesse mais tempo para treinamento?", "e se a pista de Port Stanley pudesse receber caças a jato?", entre outras tantas….

    Mas a grande verdade (e me desculpem tamanha boçalidade ao denominar algo desta forma) é que foram tantos os erros que uma única "correção" não teria resolvido! Foi simplesmente uma guerra criada com fins políticos e partindo-se do pressuposto de que não haveria praticamente reação!! Ou seja: o fracasso foi confirmado já no escopo de (des)organização da operação pela Junta Militar portenha.

    Vitória nati-morta que se converteu em retumbante derrota!

  4. Ótima reportagem!! Parabéns!!

    Muito interessante as fotos de turistas ao lado dos destroços dos caças argentinos.

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