Circularam hoje nas redes sociais as imagens tristes e revoltantes do desmanche da aeronave Douglas DC-3 que estava parada na antiga unidade da Varig Engenharia e Manutenção (VEM) junto ao Aeroporto do Galeão. Confiram as imagens do final de uma aeronave que não teve sequer tempo de achar alguém que quisesse preserva-la.

As imagens mostram o processo de destruição (não encontro outra palavra melhor) de uma aeronave que de certa maneira é histórica e mais uma vez mostra que o Brasil não sabe preservar seu passado. Um país que quer reverenciar Santos Dumont como pai da aviação, mas não consegue preservar a história aeronáutica nem merece ser lembrado como local onde nasceu o criador do 14bis.

Como estava a aeronave PP-VBF antes da destruição.

A aeronave DC-3 prefixo “PP-VBF” havia sido colocada no jardim em frente a Fundação Ruben Berta, Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Tinha sido entregue pela Douglas à USAAF em 1942 (matrícula 42-24294), e chegou a pertencer à empresa norte americana Hughes Tool Co., com o prefixo NC68358, tendo sido pilotada pelo próprio Howard Hughes, sendo depois adquirida pela Varig.

A aeronave quando operava pela Varig.

Na Varig transportou passageiros, carga e até vítimas de uma acidente aéreo em Bagé em 1957. O DC-3 PP-VBF voou pela Varig pela última vez, em 18 de agosto de 1971, de Congonhas para o Santos Dumont.

O DC-3 preservado no Aterro do Flamengo.

Foi inteiramente restaurado pela VEM (oficina de manutenção da VARIG) e posteriormente colocado no aterro do Flamengo, entre as ruas Ferreira Viana e Correia Dutra, no Rio de Janeiro. Nos anos seguintes era alvo de vândalos e moradia para mendigos, sendo então retirado daquele local e levado para frente da antiga Fundação Ruben Berta, onde tinha a unidade de manutenção junto ao Galeão, que pertence atualmente a TAP.

Isto foi o que sobrou do DC-3…

Lembrando que esta não é a primeira vez que uma aeronave que prestou serviços no Brasil foi transformada em sucata ao invés de ser preservada como deveria. Um Boeing 707 (KC-137) que serviu como aeronave de reabastecimento aéreo na Força Aérea Brasileira foi completamente destruída em 2017.

Um bom exemplo que deveria ter sido seguido é do projeto Varig Experience em Porto Alegre, que preservou o DC-3 PP-ANU que era do antigo Museu da Varig. Hoje é uma das atrações mais visitadas em Porto Alegre, sendo completamente restaurado por uma equipe de historiadores e antigos funcionários da Varig.

O DC-3 “PP-ANU” preservado no Boulevard Laçador em Porto Alegre (RS). (Fito: Fernando Valduga / Cavok Brasil)

Nada justifica essa ação estúpida, seja por burocracia, justiça ou qual for a razão. Várias associações ou arrecadações online poderiam arrumar formas de preservar o “VBF”.


Nota do Editor: Realmente dolorido ver tais imagens. Ainda não consigo achar palavras para descrever este vandalismo com o história brasileira.

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14 COMENTÁRIOS

  1. Esse pecado é imperdoável! Um dia saberemos o nome dos responsáveis por essa barbaridade! Acredito, que muitos aceitariam em doação essa aeronave. Eu mesmo, se soubesse que ela estava incomodando tanto, teria retirado-a do local sem ônus para quem estivesse interessado em sumir com ela! Quanto ao B-707 da FAB, ela estava em condições de voo, com todos os sistemas em dia, era só revisar e decolar. Mas no leilão ninguém ofereceu qualquer proposta, daí os coronéis da FAB, useiros e vezeiros de fazerem barbaridades ( a última é revitalizar os antigos "Trackers" que operavam no Nael Minas Gerais, com completa reforma e remotorização) decidiram sucateá-la! Deixaram passar células de B-767 das aéreas falidas, até mesmo um DC-10 que foi estacionado Ad Eternum num aeroporto paulista, sem falar nos dois A300 da Vasp que viraram pó! Todos poderiam ser recuperados e virarem KC's ou simplesmente cargos e transporte de tropas! Era só depositar o valor de avaliação na justiça federal e assumir as aeronaves! Dinheiro é Dinheiro! E algumas aeronaves poderiam entrar em serviço após uma simples revisão como muitos B-737 da Vasp que acabaram virando sucata ou museus estáticos!E ainda desativaram os B-737-200 mais novos do mundo, aeronaves que compensaria remotorizá-las como os norte-americanos fizeram com alguns B-707 Elints e Kc's, mas gastaram os tubos para ressuscitar células de P-3 Orion que foram usados no Vietnam!!!!! E mais!!! As aeronaves tiveram que ser reformadas na Espanha antes de vir para o Brasil! Lá trocaram só as asas,os motores, os trens de pouso, todos os aviônicos, pintaram os aviões, enfim construiram outro!!! Por que não compraram logo mais C-295's então? Aí, jogam fora os Mirages III (células velhas demais disseram, motores dificeis de manter atualmente disseram) Compram os 2000 e jogam foram também! Israel ofereceu-se para revitalizar todos eles ou trocar em Kfir's, mas néH (claro que não era de graça!) por um preço razoável…Mas a coronelada de novo cagou tudo!

    • Cara, trabalho no meio militar, num suposto projeto para garantir a alta soberania dos mares BR. É cada decisão, cada movimento, que não dá pra acreditar, é nível Recruta Zero. É um pensamento retrógrado, de má vontade que extrapola qualquer limite de bom senso.

  2. Revoltante.

    É o retrato da ignorância e buRRocracia do braziU (exatamente assim, B minúsculo, escrita errada). Pode até ser que tenham procurado fazer algo (ao menos espero), mas com certeza a burrocracia (e o custo que isso gera) tiram a viabilidade, além do desinteresse do povo pela própria história.

  3. Mania de culpar o pais. O descaso total foi da TAP, administradora da área e quem herdou essa relíquia.
    Negligenciaram a sua preservação e não deram a menor importância a um patrimônio da aviação nacional.
    A comunidade variguiana e todos os aficcionados de aviação estão revoltados e enojados com a TAP.

  4. [BOB MEDEIROS, Campinas, SP]
    É preciso exigir do Síndico da Massa Falida VARIG: a) apresentação da aludida decisão judicial citada em nota de justificativa para a destruição do DC-3; b) apresentação da aludida documentação de oferta do DC-3 ao MUSAL; c) apresentação da aludida documentação com recusa da aeronave; d) apresentação de laudo técnico firmado por profissional competente em área de corrosão atestando o estado físico do DC-3. Sem esses documentos, tudo que se lê são meras declarações dos que cometeram a barbaridade inominável.