Aeronave Boeing 737-800 “UR-PSR” da Ukraine International.

Depois de dizer inicialmente que o avião caiu por causa de um problema técnico, esconder as evidências de que um de seus mísseis havia atingido o avião, os militares iranianos disseram no sábado que o Boeing 737-800 Ukraine International (UR-PSR) foi acidentalmente abatido com um míssil terra-ar. Novas imagens dos destroços foram liberadas pelo Irã.

No início da manhã de sábado, uma declaração das forças armadas iranianas dizia que o avião “adotava a postura de voo e a altitude de um alvo inimigo”, pois se aproximava de uma base do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Ele disse que “nessas circunstâncias, por causa de erro humano”, o avião “foi atacado”.

Os militares estavam em seu “nível mais alto de prontidão”, afirmou, em meio às intensas tensões com os Estados Unidos. “Nessa condição, por causa de erro humano e de maneira não intencional, o voo foi atingido”, disseram os militares. Também hoje, o Irã disse que enviará as caixas pretas do jato para a França, pois não possui a tecnologia necessária para decodificá-las.

“Após os ataques, os vôos dos aviões dos EUA aumentaram na região e surgiram relatórios de centros estratégicos e muitos alvos eram visíveis no radar”, continuou o comunicado.

A declaração dizia que a pessoa responsável por derrubar o avião enfrentaria consequências legais e que os militares empreenderiam “grandes reformas nas operações de todas as forças armadas” para garantir que tal erro nunca acontecesse novamente. Ele disse que as autoridades da Guarda Revolucionária receberam ordens para aparecer na mídia estatal e dar ao público uma explicação completa. No Twitter, o presidente Hassan Rouhani, do Irã, disse que “as investigações continuam a identificar e processar essa grande tragédia e erro imperdoável”.

“Um dia triste”, twittou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif. “O erro humano no momento da crise causado pelo aventureiro dos EUA levou ao desastre. Nosso profundo pesar, desculpas e condolências ao nosso povo, às famílias de todas as vítimas e a outras nações afetadas. Vinculado a Kiev, o Boeing 737-800 tinha 167 passageiros e 9 tripulantes a bordo, incluindo 82 iranianos, 57 Canadenses e 11 ucranianos, segundo autoridades.

O avião Boeing 737-800, voo PS752 da Ukrainian International Airlines, caiu cinco minutos após a decolagem do aeroporto Imam Khomeini, em Teerã, na quarta-feira, 8 de janeiro, poucas horas depois do Irã disparar uma série de mísseis em duas bases militares no Iraque. Os ataques às bases, que abrigavam forças americanas, foram uma retaliação pelo assassinato dos EUA do comandante iraniano general Qasem Soleimani na semana anterior. Esses ataques não causaram baixas.

No acidente, 167 passageiros e 9 tripulantes perderam a vida.

De acordo com dados de rastreamento de vôo, o avião decolou apenas 10 minutos depois que Zarif anunciou que os ataques com mísseis balísticos contra alvos militares dos EUA haviam sido concluídos. Várias companhias aéreas internacionais e a Autoridade Federal de Aviação dos EUA já haviam suspendido seus voos no Irã e no Iraque após os ataques com mísseis iranianos nas bases.

A admissão iraniana ocorre após dias de negações oficiais de Teerã, já que os governos dos EUA e do Canadá, citando avaliações de inteligência, disseram que o avião provavelmente foi abatido por um míssil iraniano de superfície para ar.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy exigiu que o Irã realizeuma “investigação completa e aberta”, tome medidas com os responsáveis e pague uma indenização.

“A manhã não foi boa hoje, mas trouxe a verdade”, disse Zelenskiy no sábado. “Esperamos que novas investigações sejam realizadas sem atrasos e obstáculos artificiais”.

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16 COMENTÁRIOS

  1. Lamentável e já esperado que a verdade viria a tona. No meu ponto de vista, o espaço aéreo deveria estar fechado, pelo menos nas 48horas após os ataques do Irã as bases americanas no Iraque. Dois entendimentos do caso, a inteligência americana que alertou Trump é f o d a, os caras tem o Irã sob vigilância total e irrestrita, o que coloca mais pressão sobre as fracas e não profissionais tropas iranianas. Claro que sabemos disse a tempo, com todo aquele teatro do Irã em apresentar F5 remendado e drone copiado. Tudo jogo de cena interno para enganar a população. Não se enganem, pois a mesma estratégia funcionaria no Brasil, com aval dos especialistas da GloboNews. Agora, quem autorizou esse vôo naquela madrugada? Isso foi o maior erro.

  2. O operador confundiu com um míssil de cruzeiro e só teve 10 segundos para decidir? Um avião voando a 250 nós, numa rota de ascensão, saindo de um aeroporto e se afastando de Teerã ser confundido com um míssil de cruzeiro é complicado, essa equipe deveria estar com muita tensão e não conhecer bem o sistema, eu creio que no radar um míssil e um avião 737 devam ser muito diferentes!

    • O sistema TOR utilizado no ataque é de alcance médio e incapaz de identificar a aeronave, que aparece apenas como um "ponto no radar". Já foi dito que houve no momento uma falha de comunicação, e que o militar teve que decidir na hora. Portanto, não é culpa do disparador do míssil, mas "SERIA" da decisão prévia (disparar, em caso de dúvida). O que pode ser questionado é não se ter simplesmente fechado todo o espaço aéreo.
      Em termos de estratégia, não se teria muito o que fazer. É comum, no caso de uma invasão maciça, destruir as redes de comunicação, algo que os EUA fazem. Portanto, SE fosse uma invasão real, os americanos primeiro atingiriam os radares principais e os sistemas de comunicação e eletricidade. Portanto é CORRETA a decisão de, em caso de iminência de um ataque, abater qualquer coisa que apareça no radar, sem a devida confirmação.
      Novamente, se alguém cometeu um erro, não foi da equipe que manuseava o sistema de mísseis (de alcance local), mas do governo iraniano em permitir voos civis na possibilidade de um ataque.

      • sério que tu pensa assim ?! não vou discutir estrategia,dever de função , e se e se….o 'ponto do radar' se afastava… explicação é incapacidade,estrutura hierárquica deficiente/autoritária,mal treinamento,burrice …peopleware….

  3. A inteligência americana dando show e dando em primeira mão a informação ao Presidente Trump. Nada no irã passa despercebido pelos sistemas de vigilância e inteligência americano. Agora, permitir este vôo naquelas condições foi um crime do controle do espaço aéreo iraniano que se mostrou incompetente. A defesa anti-aérea deu mostras que estava de prontidão mas sem condições de atuar de forma eficiente. Lembra as baratas tintaa iráquianas atirando pra tudo que se mexia nos céus de Bagdá. Lamentável as mortes inocentes neste vôo.

  4. Interessante o Irã admitir o erro humano, mas ainda assim inventar que a culpa é do "aventureiro dos EUA". Coisa de rato.

    E para quem, a todo momento, lembrava da tragédia causada pelo USS Vincennes, eis sua própria miséria.

    Só extremamente lamentável pelas vítimas, tanto do erro americano de 1988, quanto pelo erro iraniano recente.

    • Pra mim, iam continuar negando, mesmo diante das provas.

      As milícias iranianos sao famosas por carregar cadáveres de lá pra cá para simular perdas civis em ataques americanos. Já pegaram uma pessoa que morreu duas vezes. Nada me surpreende.

  5. É erro de todo lado, do governo maluco que não fecha o aeroporto, da empresa safada que voa em área de risco, do comandante que não se informa ou assume o risco de voar (e se um não voa tem outro que aceita decolar…) e o resultado é esse ai, não é o primeiro nem o ultimo.

  6. Os iranianos dispararam dois mísseis contra o B-737! O primeiro impacto já colocou o transponder fora de funcionamento, e o segundo acabou de lascar tudo! Os iranianos não fecharam o espaço aéreo pelo simples fato que a rotina do aeroporto civil é monitorada pelos americanos e qualquer coisa anormal poderia alertá-los de alguma ação ofensiva iminente, já que sabia-se da preparação dos mísseis só não tinham certeza dos alvos! E pensando bem o artilheiro não erro ao dizer que atirou contra um avião americano!