A Turquia ainda tem esperanças de continuar no programa F-35, embora o recebimento dos caças parece ser complicado depois da compra do sistema russo S-400.

Vários meios de comunicação turcos informaram ontem que os EUA haviam oferecido à Turquia um novo acordo sobre caças F-35, aumentando o otimismo de que as relações entre os dois aliados da OTAN estavam progredindo.

O enviado dos EUA a Ancara, David Satterfield teria oferecido sexta-feira a venda à Turquia do sistema de defesa antimísseis Patriot, informaram os meios de imprensa Habertürk e NTV.

A oferta também incluiu tarifas mais baixas de aço e alumínio, bem como um pacote de acordos comerciais que ajudará os dois países a aumentar o volume de negócios dos atuais US$ 20 bilhões para US$ 100 bilhões – um alvo do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdo?an, e seu colega americano Donald Trump, que devem se encontrar durante sua reunião do G20 em Osaka, Japão, em junho.

As reportagens também disseram que uma versão escrita da oferta de Satterfield deve ser enviada ao governo turco.

Em julho, os EUA suspenderam o envolvimento da Turquia no programa de caças F-35, dizendo que a compra deste último pelo sistema russo de defesa antimísseis S-400 poderia colocar em risco a aeronave, uma alegação que a Turquia negou consistentemente.

A Turquia produz algumas partes dos jatos F-35 e também é parceira do programa de jatos. Ele alertou que qualquer esforço para removê-lo da cadeia de produção seria muito caro.

Após prolongados esforços infrutíferos para comprar mísseis Patriot dos EUA, a Turquia assinou um acordo com a Rússia em abril de 2017 para adquirir o sistema de defesa aérea russo.

Em resposta às preocupações dos EUA, a Turquia enfatizou que o S-400 não seria integrado aos sistemas da OTAN e, portanto, não teve chance de ameaçar a aliança ou seus armamentos. A Turquia chegou a propor a criação de uma comissão para esclarecer questões técnicas. No entanto, os EUA ainda não responderam à proposta.

As tensões aumentaram em julho, quando a Turquia recebeu seu primeiro carregamento de equipamentos russos. A entrega da segunda bateria do sistema, iniciada em 27 de agosto, foi concluída em 15 de setembro.

Ancara disse que foram os EUA que recusaram inicialmente a venda de mísseis Patriot que levaram o país a procurar outros vendedores, acrescentando que a Rússia ofereceu um acordo melhor, incluindo transferências de tecnologia.

O sistema S-400 é um dos sistemas de defesa aérea mais avançados do mundo, capaz de rastrear simultaneamente vários alvos.

Enquanto isso, depois de uma reunião com o presidente turco em Nova York no domingo, a senadora republicana Lindsey Graham expressou esperança de um relacionamento mais estratégico entre Ancara e Washington.

“Espero que consigamos um relacionamento mais estratégico com a Turquia […] tentando recuperá-los no programa F-35, talvez falar sobre o programa de livre comércio”, disse Graham a repórteres.

Em suas declarações após encontrar Erdo?an à margem da cúpula do G20 em Osaka, o presidente Trump disse que a disputa como um todo era “injusta” para a Turquia, já que Washington repetidamente recusou os pedidos da Turquia de comprar sistemas de mísseis Patriot no passado.

“Como a Turquia comprou um míssil russo, não estamos autorizados a vender bilhões de dólares em aeronaves. Não é uma situação justa“, disse Trump.

Ele culpou a relutância do governo Obama em vender mísseis Patriot para a Turquia em 2013, dizendo que a Turquia não foi tratada de maneira justa como membro da OTAN.

O presidente turco chegou a Nova York no sábado para participar da 74ª sessão da Assembléia Geral da ONU. Ele também deve se encontrar com Trump à margem da assembléia.


Fonte: Daily Sabah

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5 COMENTÁRIOS

  1. No final o poder econômico vai falar mais alto e a este tipo de poder os russos não podem se contrapor. Putin não tem o que oferecer aos turcos que seja mais relevante do que atrativos econômicos que os EUA podem oferecer.

  2. O tio Sam está certo.
    Nesse jogo geopolítico, não é nada interessante a "satelização" da Turquia pela Rússia.
    Os EUA não deixariam mesmo isso acontecer tão fácil assim.
    A Turquia é uma potência regional em um local extremamente estratégico.
    Aguardar os próximos capítulos..

    • Erdogan não vai ficar la pra sempre, é so ganhar tempo e as coisas voltam ao que era antes.

  3. Então está explícito que o papo de que o S-400 colocaria em risco informações sensíveis do F-35 é pura Balela.
    Foi tudo pressão para arrancar vendas e acordos lucrativos dos turcos.
    Se aceitarem o Patriot e alguns acordos, o F-35, o Patriot e o S-400 conviverão lado a lado sem problemas na Turquia.

    É o jogo sujo das relações internacionais.

    • Só tonto acha que não. Se bem que tem o Bolsonaro, que abre as pernas poer nada

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