O IA3 Pampa é um avião de treinamento avançado e, de acordo com os instrutores, é ideal para treinamento de pilotos. Foto: Fernando Calzada.

“Atravesse o céu, rasgue-o em grande velocidade, combinando adrenalina com determinação e convicção. Desafie os limites do ar, sob juramento defenda a terra natal com a vida.”  Em Las Heras, Mendoza, sede da IV Brigada Aérea é o local onde os pilotos de caça argentinos são formados. Entre os sonhos e ambições de futuros aviadores da Força Aérea Argentina, os instrutores passam as horas treinando os homens que seguem o legado e o norte traçados pelos heróis das Malvinas.

Esquadrão de combate

O Major Guido Flecha é o chefe do Esquadrão I IA 63 Pampa II e, quando diz isso, mostra orgulho em sua voz e em seus olhos. Esse homem, que ingressou na Escola de Aviação Militar em 1996, sabia desde a infância que seu destino estava vinculado a essa profissão. “Ao contrário de muitos deles, venho de uma família que não tem nada a ver com a carreira militar. Eu venho de uma cidade muito pequena (Chillar, província de Buenos Aires)”, lembra ele e diz que tudo nasceu no dia em que viu os Mirages voar quando ainda era criança.

O major Guido Flecha, chefe do Esquadrão I IA 63 Pampa II, lembra que sua vocação nasceu no dia em que viu os Mirages voando quando criança. Foto: Fernando Calzada.

Ele lembra que, quando chegou à escola, nem sabia ao certo se ia gostar dos aviões ou não, mas que quando entrou em um sabia que estava no lugar certo: “Primeiro, tive o desejo de fazer isso (piloto militar) e, a partir de então, foi a dedicação que me levou a lugares diferentes. Fiz um caminho maravilhoso e emocionante, do qual não me arrependo”.

– Qual é a sensação quando você entra no avião?

– Várias! Estou em um estágio em que posso dizer que estou no limite superior da minha carreira, então estou em um momento em que quero aproveitar cada voo que faço. É uma mistura muito bonita de sensações. Eu sempre digo que sou muito grato por ser um piloto de caça, porque nem todos podem fazer o que fazemos e, na verdade, sinto um grande prazer e privilégio pelo fato de poder voar.

O chefe do Esquadrão I IA 63 Pampa II é um dos instrutores do Curso de Estandarización de Procesos para Aviadores de Combate (CEPAC), tradicionalmente conhecido como CB2. Nele, busca-se que os graduados da Escola de Aviação Militar que possuam as melhores e mais altas habilidades e tenham obtido as melhores médias, adquiram habilidades que os treinem e os aperfeiçoem como pilotos de caça.

Voar parece ser a missão na vida desses homens, na qual os requisitos para se juntar a esse esquadrão de elite são capacidade, destreza mental, instinto e vontade. “Não é um objetivo impossível de alcançar, mas algo que tem níveis de dificuldade que exigem um alto nível e um grande compromisso a serem levados adiante”.

Esquadrão de resgate

O chefe do esquadrão LAMA, major Diego Fernando Almirón, é responsável pelo treinamento “helicopteristas de alta montaña”. Foto: Fernando Calzada.

Os aviões não são a única coisa ensinada à tripulação nesta “fábrica de aviadores”: aqui também são formados pilotos de helicópteros. O chefe do Escuadrón III Búsqueda, Rescate y Tareas Especiales, também conhecido como LAMA, é o Major Diego Fernando Almirón. Nascido na cidade de Buenos Aires, ingressou na Escola de Aviação Militar em 1999 e transmite sua paixão quando é a sua vez de explicar seu trabalho na brigada. Não é por menos: desde 1977, aqui são treinados pilotos de alta montanha, aqueles que, entre outras coisas, são responsáveis ??pela realização dos resgates mais arriscados. “Para muitas pessoas, é um orgulho servir a esse pelotão, porque as tarefas que fazemos aqui estão intimamente ligadas a tudo o que é apoio da comunidade”, diz Almirón, além de deixar claro que seu principal dever é cuidar e proteger o espaço aéreo da República Argentina.

Um dos desafios que os pilotos têm é poder controlar um helicóptero acima de 3500 m de altura. O instrutor desta divisão explica que, acima de 10.000 pés de altura, o comando do helicóptero pode se tornar um pouco mais difícil do que o normal e que, por isso, eles querem que todos os alunos do curso possam resgatar e manobrar sem comprometer sua integridade ou a do resto da tripulação.

– O que o diferencia dos demais pilotos de helicóptero?

– Não acho que exista diferença entre os demais; acredito que as capacidades das Forças Armadas – e da Força Aérea, em particular – são maiores pelo simples motivo de ter mais treinamento e que os pilotos têm mais material e ferramentas do que as que alguém da área civil possa ter. Temos a capacidade de operar em determinadas situações e o cenário será sempre mais favorável para outros que não têm o que temos. A divisão comandada por Almirón tem uma particularidade: possui cães que realizam tarefas de busca e salvamento. A ideia foi incorporada depois de adotada por outros países e mostrou resultados muito positivos. “O treinamento dos cães requer um pouco mais de tempo, porque custa um pouco para se adaptar ao barulho e ao movimento da aeronave, mas já temos vários caninos prontos e sentimos que incorporamos uma capacidade de realizar nossas atividades”.

O SA315B LAMA é o helicóptero com o qual os alunos do CEPAC são treinados, na IV Brigada Aérea. Foto: Fernando Calzada.

Malvinas, muito mais que heróis

“A experiência no CEPAC é um dos fatos que mudam a vida dos pilotos”, diz o major Flecha. Essa é a transformação total dos alunos do curso, onde são vistas as mudanças entre a “matéria” que entra e o “produto” final. Aqui, todos os alunos sabem que não são os primeiros a fazer parte desta instituição, mas que não serão os últimos; portanto, o conceito de tomá-lo como objetivo é sempre reforçado.

“O maior orgulho desta escola é continuar dando à Força Aérea a razão de sua existência, que são os pilotos de caça. No dia em que não houver mais aviadores de combate aqui, a Força Aérea deixará de ser o que é. É por isso que nosso maior orgulho é continuar treinando os aviadores ”, diz o instrutor de caça e fica animado quando aponta para uma foto em uma das paredes do local:“ Essa foto foi tirada aqui, aqueles que estão lá são heróis das Malvinas e, também, faziam parte disso. Continuamos a alimentar esse espírito.”

Na IV Brigada Aérea de Mendoza, são treinados pilotos de combate e alta montanha. Foto: Fernando Calzada.

O major Flecha diz que as Malvinas definem um nível muito alto em termos de treinamento e que muitos elogiam a preparação que os argentinos têm. Naquela ocasião, o mundo pôde ver de que madeira eram feitos os aviadores argentinos. Isso nos deu grande prestígio internacional e nos forçou a atender às demandas de todos os alunos que passam por aqui ”, afirma.

A preparação, o ar, o orgulho e o país. Todos são elementos-chave que podem parecer vazios para muitos, mas representam o espírito e a nobreza desses homens que, desde o início de sua carreira, prestaram um juramento à bandeira na qual expressaram o compromisso de defendê-la inclusive com o custo da vida. “Temos convicção, decisão. Sabemos para o que estávamos preparados e sabemos como fazê-lo ”, diz Flecha com firmeza, enquanto por dentro parece apenas querer entrar no avião para fazer o que sabe melhor.


Nota do editor: A FAA agoniza e tenta manter um nível mínimo de proficiência enquanto a nação argentina padece desprotegida…


FONTE: Infobae, tradução CAVOK

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