A polícia da Turquia prendeu quatro pilotos. Segundo a polícia turca eles teriam conexão com a fuga do Japão para o Líbano do ex-executivo da Nissan Carlos Ghosn.

O ex-CEO da Nissan, que está enfrentando acusações de negligência financeira, parece ter sido ocultado em um jato particular fretado quando fugiu do Japão no dia 29 de dezembro de 2019. Ele pousou na capital libanesa, Beirute, no dia 31 de dezembro, aparentemente depois de trocar de avião em Istambul.

Oficiais do Ministério do Interior na Turquia confirmaram as prisões à mídia local, sem nomear os indivíduos ou suas empresas. Ao todo os presos foram quatro pilotos e três indivíduos. No entanto, embora sem confirmação oficial, os pilotos devem ser funcionários de uma empresa de táxi-aéreo sediada em Istambul, enquanto outros dois indivíduos trabalham para uma empresa de assistência local, enquanto outra pessoa está associada a uma empresa de carga.

Na manhã de quinta-feira (02), a Interpol emitiu um “aviso vermelho” para a polícia libanesa, pedindo que prendessem Ghosn (65 anos), que foi libertado pela justiça japonesa sob fiança de US$ 8,9 milhões em abril de 2019 e com a condição de permanecer em sua casa em Tóquio. Ele possui cidadania francesa, brasileira e libanesa e, supostamente, teria entregue todos os seus passaportes à polícia japonesa.

A análise dos voos que saíram do Japão na noite de 29 de dezembro destacou um Bombardier Global Express, número de cauda TC-TSR saindo do Aeroporto de Osaka Kansai às 23h10, horário local, e chegando ao aeroporto de Istambul Ataturk às 5h26, horário local. Às 6:30, um Bombardier Challenger 300 (número da cauda TC-RZA) partiu de Istambul, chegando a Beirute.

Ambas as aeronaves estão registradas na MNG Jet Aerospace, com sede em Istambul.

O noticioso turco Hurriyet publicou que funcionários do Ministério do Interior, sob anonimato, revelaram que o nome de Ghosn não apareceu em nenhum manifesto das aeronaves. As autoridades japonesas indicaram que Ghosn não havia usado nenhum de seus passaportes para deixar o país. Seus três passaportes oficiais estão nas mãos de seus advogados japoneses, fiadores do respeito às condições de sua fiança, mas ao que parece Ghosn tinha outro passaporte.

Seu principal advogado, Junichiro Hironaka, que soube da notícia pela televisão, disse estar perplexo. “É claro que é indesculpável, já que é uma violação das condições de sua fiança”, disse Hironaka à mídia.

Segundo Hironaka, a fiança provavelmente será anulada e o dinheiro pago retido pela Justiça. No entanto, na ausência de um tratado de extradição entre Beirute e Tóquio, é improvável que Ghosn seja extraditado para o Japão. De qualquer forma, será difícil impor as acusações no exterior, disse o ex-promotor e hoje advogado Nobuo Gohara, que não integra o caso. “Uma coisa é certa. Para os promotores, é uma situação extremamente séria. A Nissan deve temer. Os promotores também”, estima.

A equipe de defesa prometeu ao juiz que Ghosn permaneceria no Japão como condição para sua fiança. Eles mantiveram seus passaportes, mas ele foi para o exterior”, resumiu.

Segundo o advogado, no Japão, um julgamento na ausência do acusado não é uma opção. Para ele, essa fuga também é resultado de um sistema judicial que dá pouca esperança de avançar. Ghosn e sua família protestaram desde o início contra os métodos japoneses, assim como seus advogados franceses. Enquanto isso, os promotores haviam feito tudo para que ele não fosse libertado, alegando justamente o perigo de fuga.

Não sou mais refém de um sistema judicial japonês parcial no qual prevalece a presunção de culpa, onde a discriminação é generalizada e os direitos humanos são violados, sem levar em conta as leis e tratados internacionais que o Japão ratificou e está obrigado a respeitar”, escreveu Ghosn, fora do Japão, em comunicado. “Não fugi da Justiça, livrei-me da injustiça e da perseguição política”, acrescentou.


Com informações de AINonline; Exame


IMAGEM de capa: Bombardier Global Express registro TC-TSR. Crédito: Flightglobal

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